sábado, 31 de janeiro de 2009

O Encontro dos Presidentes no FSM

Continuando com a postagem de ontem, eis a segunda e última parte do encontro dos 5presidentes no FSM.

ANA JÚLIA CAREPA
A Governadora disse que aqui, na Amazônia, estamos implantando um novo modelo de desenvolvimento para as gerações futuras. Falou que o projeto de plantar 1 bilhão de árvores em 5 anos, é o maior projeto de recomposição de árvores do planeta, e que deve ser um exemplo para o mundo. Disse que é difícil desenvolver “políticas de combate a rapinagem dos recursos naturais”, mas “o Pará é o campeão na diminuição da violência no campo”. Para concluir, a governadora solicitou ao Comitê Internacional do Fórum que considerasse Belém, mais uma vez, sede do próximo encontro.
Em seguida falaram a representante da Confederação Sindical Internacional, uma líder indígena equatoriana e a representante do Fórum de Mulheres da Amazônia . Umma faixa negra com os dizeres: “Lula o capitalismo fracassou. Obama administrar sua crise” e qualquer coisa endereçada a Hugo Chávez, que não consegui entender nem fotografar, surgiu, causou burburinho e interesse de todos , e pouco depois desaparecia.
Os discursos das 3 mulheres transcorreu sobre os problemas sociais dos povos explorados pelo capitalismo, alertando que o tecido social e econômico mundial encontra-se cada vez mais desgastado, puído; e deve-se temer o pior. Pediram a união dos presidentes para mudanças que respeitem os direitos dos povos indígenas, dos afrodescendentes, que garantam as conquistas das mulheres e dos trabalhadores, e que defendam a Mãe Terra. A última oradora também condenou a aliança da Igreja com o Estado, no sentido de criminalizar a mulher que provoca aborto.
Os discursos dos presidentes da Bolívia, Equador, Colômbia e Paraguai mantiveram-se no mesmo tom e harmonia que ate parecia ensaiado. Suas falas atacaram, veementemente, o capitalismo, o neoliberalismo, “a forma imoral de acumulação de riquezas, que levou o planeta a ruína e a devastação ambiental”; a política de lucros a qualquer custo; a ambição desenfreada da América do Norte; a política do Presidente Bush . Apontaram o socialismo como única via de progresso e retomada do bem estar social, pois “o socialismo nos fala de atuar em conjunto, de atuar em comunidade (... ) se expressa com a ação do Estado” (Evo Moralez); “o Socialismo é o único caminho para salvar este planeta, para salvar a vida humana. Não há outro” (Hugo Chavéz).
Evo Moralez disse:“Para mim não há nada mais importante que governar com os humildes, com os lutadores” e “depois do que vimos em Gaza, não temos dúvida que os imperialistas estão dispostos a tudo para manter seu poder.” Segundo ele, “é preciso encontrar alternativas para o capitalismo ou ele continuaria destruindo tudo”, e apresentou suas propostas de campanhas mundiais para salvar a Terra do capitalismo, passando pela restituição da dignidade e resgate da diversidade cultural dos povos, e pela paz e justiça planetária. Disse que os responsáveis pelo genocídio em Gaza deveriam ser levados à justiça, e que era preciso acabar com o direito de veto do Conselho Mundial de Segurança, pois “Não é possível que um país tenha mais poder que 190 nações”. Também condenou o bloqueio a Cuba.
Rafael Correa disse que, há alguns anos, ninguém acreditaria que um índio e um metalúrgico seriam presidentes de seus países, e que isso só foi possível porque eles eram reflexos de seus povos. Complementou dizendo que depois de séculos de resistência, os processos de luta estavam dando resultados e redesenhavam o mundo pós-crise. Disse, ainda, que no Equador um índio tem 90 a 95% de chances de nascer e morrer pobre.
O presidente Fernando Lugo disse que era preciso “enfrentar com dureza e ternura os gigantescos moinhos” do neoliberalismo, uma clara alusão a dois heróis visionários, Che Guevara e D. Quixote. Mas também fugiu um pouco do riscado ao aproveitar para reclamar da parte que cabe ao Paraguai, na partilha da energia de Itaipu. Pediu o fortalecimento da economia do continente sul-americano, da cultura e proteção a água e a terra. Concluiu lembrando Geraldo Vandré: ”Caminhando e cantando com a história na mão.”
Hugo Chavéz disse que, a cada ano, o evento político mais importante do mundo era o FSM, que fomenta mudanças para a América Latina. “Assim como a AL e Caribe receberam a maior dose do veneno do neoliberalismo, também foi onde o movimento que está começando a mudar o planeta eclodiu com maior força. Um outro mundo é possível e está nascendo na América Latina.”
Para Chavéz, não será fácil enfrentar a crise mundial. Alerta para que 50 milhões de postos de trabalho serão perdidos este ano e que a fome vai crescer, por isso a AL deve se unir: “É assim que quero me sentir hoje, a unidade verdadeira”.
O discurso mais esperado era do Presidente Lula. Penso que pelo teor das falas de seus antecessores ele tenha se visto numa saia justa, pois não podia destoar dos discursos anteriores, mas também não desejava fazer um discurso político por excelência, com ataques aos EUA e Israel. Mas saiu-se muito bem discursando de improviso.
Lula disse que o mundo esta’ mudando e que “Num país que há 40 anos matou Luther King, ninguém poderia imaginar que um negro chegasse a presidência?”
Segundo Lula, “Evo foi vitima de um golpe com 2 anos de mandato, e mesmo com nossas divergências sabemos que não devemos permitir que um companheiro possa perder o mandato porque os poderosos dizem que ele é irresponsável”. Disse que em 2005 fora vítima da mesma campanha; que o FMI vivida dando palpites o tempo todo no Brasil, que viveu os tempos duros em que o mundo desenvolvido vivida dizendo o que se devia ou não fazer na América Latina, mas que “agora está provado que Deus escreve certo por linhas tortas: a crise não é nossa, é deles”. Para ele “a crise nasceu porque a lógica era que o Deus Mercado é que iria desenvolver os países e fazer a justiça social (...) Agora quando eles entraram em crise qual foi o Deus que eles pediram socorro? O Estado.”
Lula disse que ainda não conhecemos o fundo da crise, mas que os países em desenvolvimento tem mais chances de sair dela, e confidenciou que, numa conversa com o presidente Bush, disse-lhe que os ricos não precisavam ganhar tanto, mas os pobres, sobretudo o continente africano deveria ser mais atendido. Mas agora Buhs carrega na biografia, entre outras coisas negativas, a Guerra do Iraque e a pior crise econômica que o mundo já viu. Disse que “aqui, neste país, o povo pobre não será o pagador dessa crise”, e que a “Petrobras vai investir 174 bilhões de dólares e não pode atrasar porque queremos empregos.”
Lula também falou da questão do gás boliviano, afirmando que “quando Morales nacionalizou o gás, tinha gente que dizia que eu era frouxo, porque não defendia o Brasil. Mas eu defendia que um metalúrgico se São Paulo não ia brigar com um índio da Bolívia. Nossas relações melhoraram muito.” Disse, ainda, que: ” temos que respeitar a soberania, e ando pelo mundo defendendo o Chavéz".
Para finalizar disse: “Nós somos os presidentes mas são vocês que dão a direção”.

Um comentário:

Douglas Orestes Franzen disse...

Olá Franz, tudo bem? Muito legal seu post sobre o Fórum. Gostaria de pedir a sua autorizaçaõ para colocar estas idéias na minha coluna que escrevo no Jornal Expressão, de Itapiranga-SC, evidente que os créditos serão seus. Posso?

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