segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Sua Memória é RAM?


Há poucos momentos meu colega ligou o computador ao lado e a máquina começou a emitir um BIP curto e repetitivo.


O sinal  já nos era conhecido, aliás, o é de quase todos que lidam com um computador: a placa-mãe sinalizava, com aquele apito, que havia problemas na placa de vídeo ou que a memória RAM estava bichada. A geladeira duplex lá de casa também apita assim sempre que a porta fica muito tempo aberta.

Um apito de alerta
 
Muitas coisas apitam com a finalidade de enviar um recado, um aviso. Desde  indicar ao usuário que algo vai indo mal ou que ele cometeu algum erro, até alertar alguém para algo prestes a acontecer, como é o caso dos navios que vão partir, das chaleiras postas no fogo, que apitam para indicar que a água está fervendo, e dos guardas de trânsito quando cometemos uma infração.

Enquanto pensava nisso, nosso técnico de plantão diagnosticou: Isso é problema de memória RAM. Abriu o gabinete, retirou o pente de memória, passou uma borracha, dessas de uso escolar mesmo, nos contatos de metal e espetou a plaquinha de memória de volta em sua baia. Resultado: o computador voltou a funcionar perfeitamente.

A título de piada, disse-lhe: Quer dizer que basta "apagar" as má lembranças para que a máquina volte a funcionar com perfeição? Pode parecer brincadeira ou tolice, mas o fato é que ter esse tipo de memória pode ser o sonho de muita gente. Imagine se fosse possível passar uma borracha e apagar os pesadelos, as recordações indesejáveis, as más lembranças, amarguras e tristezas residentes na memória, que nos trazem sofrimento e que travam a nossa máquina de vez em quando?

Sabemos que só se aprende com os erros. Até mesmo com os animais é assim. E que as lembranças ruins são vestígios de nossas falhas, nossas faltas e erros cometidos, armazenados no inconsciente e disparados sempre que um fato semelhante se aproxima ou tende a se repetir.

Mas, são essas recordações amargas as gestadoras de tormentos, estresses e  depressões, e com elas chegam os pensamentos obsedantes, negativos. Com uma memória do tipo RAM, poderíamos guardar o aprendizado e "apagar" com uma borracha as tormentosas e torturantes lembranças. Daí, tudo seria como um eterno e jovial recomeço.

Uma pílula da felicidade?

Há muito tempo que o homem busca criar uma "pílula da felicidade", uma droga capaz de apagar um determinado evento traumático da memória. Há diversas pesquisas científicas nesse sentido, e acredito que um dia alcançarão esse estágio. Ai, definitivamente, ficaremos iguais ao computador que agora emprego para fazer este post. É Matrix que se aproxima ou já está instalada?

A título de brincadeira, costumo dizer que tenho uma "memória privilegiada", porque esqueço tudo. É claro que isso é um exagero, mas em verdade minha memória é muito ruim, entretanto não há nada nela que eu queira apagar, nada.
* A imagem foi obtida no Blog News Errado (AQUI) e (AQUI)


terça-feira, 10 de novembro de 2009

Alunos Repórteres no NavegaTube

Incentivar as iniciativas bem sucedidas no chão da escola é obrigação não somente de todos os professores, como da comunidade em geral. E um projeto que merece nosso apoio tem sido o Aluno Repórter, através do qual professores e estudantes de escolas públicas trabalham numa perspectiva educomunicativa, fazendo entrevistas, produzindo documentários, atuando como verdadeiros profissionais da reportagem e da produção de informações. Em muitos casos com equipamentos emprestados.

Um desses projetos acaba de ser publicado no NavegaTube, uma ação integrada do NavegaPará, e está concorrendo a um prêmio de cinco mil reais, sendo que boa parte dele irá para o objeto do documentário, o Cordão de Pássaro Dona Arara, e o restante para a escola comprar equipamentos.

Ester Blog é Minha Rua, colaborando na divulgação dessa proposta e na divulgação do trabalho desses alunos, convida você a ler a mensagem enviada ao blogueiro (abaixo) e colaborar com o seu voto para que eles sejam premiados. 
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Car@s companheir@s
Os alunos repórteres da Escola estadual do Tenoné(Belém-PA), auxiliados pelos seus professores partiram à procura da cultura viva de seu bairro onde conheceram Dona Joana (Dona Arara) e seu Cordão de Pássaro. Dona Joana é uma Srª de 84 anos que tem livros e músicas premiados pelo Instituto de Artes do Pará - IAP. Ela é Mestra de Cultura Popular no bairro do Tenoné e desde os 7 anos trabalha na tradição do "Cordão de Pássaro". Uma verdadeira expressão da cultura popular!

O vídeo "Caminhos da Cultura no Tenoné", produzido pelos alunos e professores está concorrendo a uma premiação no NavegaTube, com a possibilidade de ganhar uma ilha de edição + R$ 5.000,00 para comprar equipamentos pra escola, que é extremamente carente.

O vídeo e fruto de um projeto maior de inclusão digital que a escola está realizando com apoio do Núcleo de Tecnologia-NTE da Seduc, mesmo sem a escola possuir sequer uma TV ou DVD ou computador. O trabalho realizado está revolucionando a escola, estimulando e provocando alunos e professores. A concepção de alunos-repórteres que vão além dos muros da escola para produzirem conhecimentos, e a divulgação destes trabalhos através de vídeos-documentários e de um jornal que ainda vai sair, são alguns objetivos do projeto que também esta ligado ao Portal Educarede.

Diante disso, contamos com o apoio de cada um de vocês para divulgarem o vídeo e para realizarem o máximo possível de acesso, pois o vídeo mais visualizado ganhará o prêmio. O prazo para os acessos é até o dia 13/11/2009. Então, vamos lá dar essa força!

Basta clicar no link ao lado: Caminhos da Cultura no Tenoné ou clique no link para a categoria Cultura de Periferia AQUI
Petronio Medeiros
Professor da Escola Estadual Tenoné

domingo, 1 de novembro de 2009

Brinquedos humanos de ontem e de hoje

Essa postagem faz parte da blogagem coletiva do Blog Vou de Coletivo, cujo tema de novembro é "Brinquedos: dos mais antigos aos mais recetes". Leia as outras postagens AQUI.
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Brinquedos humanos de ontem e de hoje

Um brinquedo é a ferramenta de um jogo que traz lazer e diversão ao usuário. É um instrumento de alegria, de prazer, de gozo individual ou grupal. Independente de idade, sexo, religião ou condição social, todo ser humano gosta de brincar, o que muda é o tipo de brinquedo.

Quando se é bebê, tudo é brinquedo: água, chupeta, dedão do pé, cocô...
Na infância novos brinquedos surgem ou são criados e descobertos. É uma fase de brincadeiras quase sempre egoístas, individuais.

Se for menino é bola, carrinho, pipa, bonecos de super heróis...
Se for menina é boneca (quase sempre Barbie),  bichinhos de pelúcia, maquilagem da mãe, panelinhas, fogãozinho...

Entrando na puberdade/adolescência os brinquedos também mudam. As brincadeiras apelam para o espírito coletivo e o tribalismo, embora algumas "brincadeiras" sejam realizadas na solidão.

Se for garoto é o prazer solitário, o "cinco contra um", o futebol no campinho, as meninas, os games, Orkut, mais meninas, MSN, Twitter, fumo, álcool, "carreira", sexo...
Se for garota é celular, maquilagem da mãe, meninos, MSN, Orkut, sapato, bolsas...

Na fase adulta alguns dos brinquedos descobertos na adolescência desaparecem, outros assumem o maior destaque. Permanece o espírito grupal, sem no entanto extrapolar para o universalismo.

Se for homem é sexo, futebol, mulheres, álcool, mulheres, fumo, carros, sexo, malhação, mais mulheres, tatoo, muito mais sexo, chifre...

Se for mulher é  cartão de crédito (melhor quando é do marido), bolsas, sapatos, perfumes, carros, malhação, lipo, botox, silicone, tatoo, sexo, chifre...

Na velhice, indistintamente de sexo, aposenta-se muitos ou quase todos os brinquedos até então usados, e adota-se outros com foco na recreação, na distração. Nessa fase os brinquedos alternam-se entre coletivos e individuais: dama, dominó, paciência, palavras cruzadas, bingo, plantas, livros, netos, TV...

Porém, sempre existiram aqueles cujos brinquedos são coletivos mas suas brincadeiras são egoístas. Eles gostam de brincar com muitas pessoas, mas são os únicos que querem se divertir, sentir prazer na brincadeira. Via de regra seu único e exclusivo brinquedo é um jogo chamado Ambição. Um jogo basicamente sem regras, que se joga com um brinquedo chamado "dinheiro". Ganha quem alcançar o objetivo do jogo, o Poder.

Seus principais jogadores são os governantes e políticos corruptos, os empresários sem escrúpulos e os líderes religiosos obcecados pelo sucesso material. Para esses o mundo todo é um parquinho de diversões e, por detrás de cada guerra ou conflito armado, de cada comunidade miserável, de cada ato de violência, de cada jovem drogado, de cada pessoa infeliz, com fome, sofrendo por falta de saúde, por falta de terra para trabalhar ou por falta de emprego e renda, sempre há o sorriso de um deles.

POSTAGENS RELACIONADAS:
Masturbação Tecnológica pelo Computador
Pará, terra de a torto e a direitos
Eleições obrigatórias é democracia?

terça-feira, 27 de outubro de 2009

A Revolução do Software Livre

Neste final de semana acabei a leitura do romance  "O Complexo de Di", do escritor chinês Dai Sije. O livro conta as peripécias de Muo, o primeiro psicanalista da China, apaixonado pelas teorias de Freud.  Muo, que tem 40 anos e é virgem,  estudou na França e retorna ao seu país para tentar salvar sua amada da prisão e da condenação à morte, imposta pelo juiz Di.  Para isso o quixotesco Muo precisa encontrar uma virgem para o juiz. 
Com humor, criatividade e muita competência, Dai Sijie apresenta uma China pós-revolução cultural, miserável, em confronto com uma China tradicional, onde a cultura medieval ainda impera em vários recantos.  A leitura é um tanto pesada, por conta do excesso de descrição e detalhamento, pelo ir e vir no tempo e no espaço, mas é muito interessante pelas informações sobre hábitos e costumes locais.

Terminado esse, que recomendo, comecei a leitura (um tanto tardia, confesso) de "O Homem que Matou Getúlio Vargas", do consagrado Jô Soares (Cia. das Letras, 1999) e A Revolução do Software Livre (Comunidade SOL; Manaus, 2009). E é sobre este último que trata esse post. 

A Revolução do Software Livre é um livro que pode ser obtido enviando um email para a ONG Comunidade SOL (http://www.comunidadesol.org/).  Fiz o pedido em nome do Núcleo de Informática Educativa Prof. Washington Lopes (NTE Belém) e do Núcleo de Informática Educacional - NIED, e na sexta-feira passada o livro chegou no NIED. Quero agradecer de público ao Tiago de Melo por nos ter presenteado com a obra.

O livro é uma coletânea organizada por Tiago Eugenio de Melo, fundador e diretor-geral da ONG Comunidade SOL Software Livre, responsável pela públicação da obra. Reúne 10 autores, todos especialistas em TI e usuários compulsivos de softwares livres. Alguns, inclusive, são desenvolvedores e colaboradores atuantes da comunidade GNU/Linux.  Cada autor é responsável por um capítulo, distribuídos em 366 páginas. Veja abaixo a relação dos capítulos e seus autores:

Cap. I  - Estudando o Software Livre - Marcelo Ferreira
Cap. II -  Liberdades, Exclusão e Licenciamento de Software Livre e outras Obras Culturais - Alexandre Oliveira
Cap. III - Creative Commmons, Software Livre e Cultura Livrte - Pedro Mizukami
Cap. IV - Software Livre e Inovação - Rubens Queiroz
Cap. V - Reflexões sobre Algumas Respostas Psicológicas a Forças de Mercado - Pedro Rezende
Cap. VI - O Crescimento Econômico com Software Livre: Uma Visão para Micro e Pequena Empresa - Paulo Michelazzo
Cap. VII - Modelos de Negócio em Software Livre: Quem Disse que não se Ganha Dinheiro com Software Livre? - Cezar Taurion
Cap. VIII - Desenvolvimento Colaborativo - Christiano Anderson
Cap. IX - O Lado Técnico da Lioberdade: Soluções, Mitos, Desafios e Alternativas - Jansen Sena
Cap. X - GNU/Linux em seus Diversos Sabores - Tiago de Melo

Como ainda não terminei de lê-lo, trago um breve olhar sobre alguns capitulos, a guiza de estímulo para que você, leitor amigo, possa se interessar por sua leitura. Considero o livro leitura imprescindível para a comunidade e/ou interessados em SL.

O Capítulo I é um excelente artigo sobre o SL. Simples, didático e rico de informações e história. Além de oferecer uma linha do tempo,  esclarece os principais conceitos, licenças e siglas da Comunidade GNU. Muito bom para quem não conhece ou está se aventurando no GNU-Linux.  O Capítulo X pode complementar, em muito, suas informações.

O Capítulo II é muito interessante e criativo. Trata de direitos autorais e produtos culturais com humor e originalidade, apresentando um páis fictício chamado Pãn'k (Pânico), onde adoravam um deus chamado T'Pãn e cuja principal indústria é o pão, o alimento essecial da população. Então, alguém desenvolve uma fantástica máquina capz de copiar qualquer objeto ou substância, e esse produto essencial passa a ser copiado e vendido.  A partir dessas analogias, o autor revela como são criadas as leis de proteção aos interesses mercadológicos, marcas e patentes, os selos de qualidade, garantias e a pirataria.  É o capítulo mais longo, começa na página 61 e vai terminar na página 123. Mas se lê praticamente de um fôlego só, tal sua criatividade e humor.

O Capitulo III trata das licenças Creative Commons, que também protege os post desse blog e de tantos outros. Você sabia que, "a partir do momento em que determinada criação intelectual é fixada em uma base física, ela é submetida ao regime legal dos direitos autorais (Lei 9.610/98 - art. 7)"? Você sabia que as licenças CC só eram válidas nos Estados Unidos da América, que o Brasil foi o terceirto país a adotar as licenças CC, e que hoje são 50 países que as adotam? Sabe o que é copyright e copyleft?

O Capítulo IV é o menor do livro, começa na página 177 e termina na 183. Trata da experiência de criação do sistema Nou-Rau, da UNicamp. O sistema foi desenvolvido para o gerenciamento de bibliotecas da Universidade e hoje está disponível na Web e pode ser empregado por diversas outras instituições. Os demais capítulos tratam de questões práticas e mercadológicas do Software Livre. Mas, para mim, a principal mensagem do livro é a filosofia do software livre: "Just for Fun".

* Créditos das imagens: 1- radio-com.blogspot.com; 2 - wireleess.ictp.it/school_2006

domingo, 25 de outubro de 2009

Divulgue seu blog em 316 buscadores

Há muitos blogs de professores e de escolas públicas aqui em Belém (Pará) que ajudei a criar, através de oficinas nos Núcleos de Tecnologia Educacional  da rede estadual (Prof. Washington Luis Barbosa Lopes -NTE de Belém) e da rede municipal (o Núcleo de Informática Educativa-NIED), ou em atendimentos individuais ao professor/professora (geralmente de sala de informática) interessado(a) em criar seu blog ou de sua instituição. E vejo com grande satisfação que alguns superaram em muito minhas espectativas, e conquistaram um espaço considerável de respeito e admirção.

Muitos desses blogs já sofreram alterações em seu layout, melhoraram seu visual, incrementaram os elementos de página, os gadgets, o que revela um real interesse do blogueiro em superar suas limitações iniciais e oferecer um produto melhor e mais bem acabado aos seus leitores e visitantes. Esse é o espírito do verdadeiro educador, que se reflete em seu blog.

Mas uma coisa ainda não está de todo praticada por muitos desses blogs: a divulgação. Com vistas a contribuir nesse particular, encontrei um site que lhe permitirá divulgar seu blog (ou site) em 321 Sites de Buscas (35 Brasileiros e 286 Internacionais).

O cadastro é rápido e simples. Mas uns poucos buscadores internacionais pedem confirmação. Clique AQUI para se cadastrar no DataHosting.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Masturbação tecnológica pelo Computador

Esse post é uma preparação para a minha próxima postagem, que fará parte da blogagem coletiva proposta pelo Blog Vou de Coletivo para o mes de novembro, e cujo tema é Brinquedos. Leia e confira.
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Antigamente, nos anos 1960 e meados de 1970, tudo que um adolescente queria era um dos famosos "Catecismos", as revista de sacanagem em quadrinhos desenhadas por Carlos Zéfiro, e alguns instantes a sós no banheiro de casa. Depois vieram as revistas de sacanagem com fotos coloridas, contrabandeadas da Suécia e Dinamarca, que comprávamos de amigos marinheiros e escondíamos como se fosse um tesouro.

Na década de 1980 explodem nas bancas de todo Brasil as revistas eróticas, nacionais e internacionais, como Ele&Ela, Playboy, Status, Penthouse. Mais tarde surgem as revistas de sexo explicito, liberadas nas bancas de jornais.

Com o advento da internet e da troca de arquivos P2P, fotos e vídeos pornôs estão disponíveis  para todo e qualquer adolescente. Uma nova era de prazeres solitários se inaugura. Mas não paramos por ai.

Então, um cabra inteligente e sacana que também é engenheiro da NASA, descontente em usar o computador apenas para VER sacanagem, decidiu que o computador deveria fazê-lo SENTIR prazer enquanto via um filminho pornô na telinha (será que o aparelho acompanha o kit de sobrevivência dos astronautas da NASA - risos?).

O novo brinquedo only for guys chama-se Real Touch, the future of adult entertainment, anuncia o site do produto (clique AQUI). O Real Touch é um aparelho de estimulação peniana que é conectado ao PC pela porta USB, enquanto um programinha (plugin) adapta o Windows Media Player para fazer a interação entre o que acontece no filme e o aparelho. Depois, é só relaxar e...  Ah! Custa menos de 200 dólares.



quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Ninguém sabe o duro que dei



Naturalmente que fui assistir ao documentário sobre Wilson Simonal de Castro (Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Dei; Brasil, 2008), o maior cantor do Brasil (desnecessário dizer que é meu ídolo), tão logo esteve em exibição aqui em Belém.

Não me surpreendi com o público pequeno daquela sessão, afinal documentário é algo que o brasileiro ainda não está muito acostumado em assistir, exceto no Discovery, History e National Geographic. 

Sobre o valor do trabalho do casseta Cláudio Manoel, de Micael Langer e Calvito Leal, para a história da MPB, e de sua importância para o resgate da figura daquele que considero o maior ídolo do cancioneiro popular brasileiro muitos já falaram. Dizer da injustiça sofrida por Simonal, perpetrada pela inteligentzia invejosa, pela impensa marrom, pela inveja da classe artística é chover no molhado. O documentário mostra isso. Ainda que Raphael Viviani, o contador da  Simonal Produções e pivô do caso, diga num dado trecho de seu depoimento, que o cantor foi vê-lo no DOPS mas não sentiu pena de seu estado físico (depois das porradas que levou, supostamente a mando do ex-patrão). Por isso Raphael não sentia nenhuma pena de Simonal.  Para mim este é o único momento em que ele disse a verdade.

Me surpreendi foi com os poucos depoimentos apresentados no filme. Nenhum cantor importante da época, como, p.ex.  Jorge Benjor (responsável por um dos maiores sucessos da carreira de Simonal) ou um Chico Buarque, um Gilberto Gil, um Caetano, se apresentaram para contribuir com seu depoimento? Até parece que a classe a qual pertencia o artista continua de costas para ele. Pior, que a pecha de delator permanece sobre o malfadado cantor! Apenas Pelé, Tony Tornado, Chico Anysio, Miéle e Castrinho se dispuseram a falar em defesa de Simonal.

E a intolerante imprensa, que promoveu o linchamento moral de Simonal, sem lhe dar chances de defesa? Essa, sequer deu as caras no documentário. Bem, há o Boni (José Bonifácio de Oliveira Sobrinho), cujo testemunho é taxativo: Quem ferrou Simonal foi a classe artística e a imprensa. E ponto final!

Ah! Não estou considerando o depoimento do Jaguar (Sérgio Jaguaribe, d'O Pasquim, responsável maior pelo ostracismo em que foi atirado o cantor), que com um cinismo etílico revoltante, deixa claro que não se arrependeu de ter destruído uma carreira brilhante, uma vida. E, ao final, ainda teve a desfaçatez de admitir que o Raphael (o contador) podia mesmo ter roubado a Simonal Produções.    

As falas dos filhos de Simonal, Simonhinha e Max de Castro, me deixaram a impressão de que eles não ficaram muito satisfeitos com o resultado do documentário, que ao fim e ao cabo, não expõe a verdadeira face do caso: a crucificação de um inocente, e todo sofrimento imputado ao cantor e sua família.

O filme vale pelas músicas, pelo revival, e para mostrar aos jovens de hoje, tão acostumados a música apelativa e de pésima qualidade, como um verdadeito cantor consegue mobilizar uma multidão apenas com seu enorme, amazônico e irresistível talento. Tudo no gogó, com molho, com champinhom, com swing. Isso não se vê mais. É um privilégio exclusivo da minha geração. Por isso criei o selo Bossa Simonal, que ostento aqui na barra lateral.


quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Professor brasileiro: esse alquimista e herói!

Postagem integrante da Blogagem Coletiva Professores do Brasil proposta pelo Blog Ponderantes.
NOTA: Programei-a para ser publicada logo na primeira meia hora do dia. Como não foi, publico agora.
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Acho que quando eu nasci, um anjo torto, desses que vivem nas sombras deve ter dito: Vai Franz, ser professor na vida... Ou foi um anjo safado, um chato dum querubim que decretou que eu tava predestinado a ser professor?

Só pode ser, pois nunca pensei em ser professor. Queria ser engenheiro, arquiteto, químico,cientista maluco, arqueólogo, piloto de disco voador... Mas professor?? Qual!

Já fui vendedor (de fogos de artifício, de livros, de seguros, de agência de viagens, de assinaturas de revista), balconista, cardexista, auxiliar de escritório, técnico de controle de qualidade na Firestone, pesquisador, desenhista (publiquei alguns cartuns no Pasquim por volta de 1975-, ilustrei alguns artigos em revistas e jornais em Nova Iguaçu-RJ, ilustrei alguns livros). Já fui técnico em química, carregador, guia de cego.... Mas professor?? Qual!

Até que um dia me descobri no ponto médio entre um quadro negro e um bando de alunos... e com um pedaço de giz nas mãos. Isso a 30 anos! Nunca mais larguei o giz.

Dia 15 de outubro é consagrado à essa profissão que não escolhi, ela é que me escolheu: nasci nesse dia! Essasagrada profissão de professor. Sagrada não por ser um trabalho árduo, ou pelo esforço exigido e desprendido, ou pelas dificuldades enfrentadas, ou ... Isso tudo muitas outras profissões apresentam, algumas até em maior grau. Mas, por que então ela é sagrada? Porque ser professor é como ser a bengala para o cego e o cajado para o pastor.;

O professor é um alquimista que busca, incessantemente, transmutar o chumbo da ignorância no luminoso ouro do conhecimento, e o toque de sua sabedoria pode dissolver a mais dura das substâncias. No ano passado fiz uma postagem com um acróstico que homenageava o professor, esse alquimista (Leia AQUI).

O professor é um pastor que conhece os melhores pastos e os mais seguros caminhos por onde suas ovelhas podem atingí-los e saciar-se. É um lavrador que ara o solo bruto com palavras. É um explorador de regiões ignotas, para as quais leva progresso, evolução. É um herói dos tempos modernos.

Um herói não é apenas o sujeito que faz coisas extraordinárias,  que se arisca em atos de extrema coragem e bravura. Herói não é o mais forte, nem o mais inteligente, o mais rico, o mais bonito ou valoroso. Herói é aquele que , apesar de todas as dificuldades persiste naquilo que acredita, naquilo que acha certo.

Como professor consegui tudo que queria, me realizei. Por isso, neste 15 de outubro, agradeço ao Criador por me fazer professor, e congratulo todos meus colegas de giz, quadro e truz.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Quando o professor está pronto o aluno aparece?

O Guru 
Meu falecido pai (que descanse em Paz Profunda),entre outras ocupações, também dedicava-se ao misticismo. Sempre que eu lhe pedia para me iniciar em certas práticas e segredos, invariavelmente respondia com um aforisma esotérico muito conhecido e verdadeiro: "Quando o chela está pronto o Guru aparece", ou "quando o aluno está pronto o professor aparece".  E me explicava que esse mestre pode vir na figura de uma pessoa, um animal, um livro, ou qualquer coisa material ou abstrata que suscite reflexões e desperte o indivíduo para um aprendizado.

Vivi esperando esse ser iluminado, mágico até, dotado de sabedoria extrema, de paciência, de compreensão da vida, sabedor dos sinais e mistérios da natureza... e que me ensinasse tudo. É óbvio! Esperava um mestre que me dissesse: 'Gafanhoto', o que buscas nessa estrada empoeirada que não termina quando chega a noite?... O caminho é por ali! Ele me afastaria da escuridão e me conduziria pela trilha da luz.

Muito, mas muito mais tarde descobri que a figura que mais se aproxima desse ideal é a do professor. Etmologicamente, guru quer dizer professor, em sânscrito (Índia, Indonésia). Mas também pode ser chamado de lama,(Tibet - um conceito  budista para monge, mas ainda assim com o sentido prático de professor), mulá (Turquia - veja as Histórias de Nasrudin) ou maestro/mestre (Espanha, México, Argentina), rabi/rabino (Oriente Médio - tem uma conotação religiosa, mas dentro do judaísmo significa professor).

O professor e o Guru 
Guru, lama, mulá, rabi, mestre, são conceitos milenares e soam com reverência. Estão carregados de um respeito que advém não somente da bagagem de conhecimentos que esse indivíduo detém e do conteúdo de suas vivências, mas de seu extrato espiritual.

O que os diferencia do atual conceito de professor? Os objetivos, a prática e a maneira de ensinar, a contemporaneidade? Não. O que faz a diferença é a família onde o aluno moderno recebe suas primeiras lições de educação básica, de moral, de ética, de bons costumes. Os pais já não controlam seus filhos, não lhes transmite responsabilidade, não sabe impor limites... E o aluno que não apresenta respeito, consideração e reverência pelos pais não irá demonstrá-los por seus professores.

Todas as dificuldades das etapas formativas do indivíduo, que deveriam ser tratadas no seio doméstico, familiar (veja Quem Ama, Educa! de Icami Tiba), são agora transferidas para os ombros do professor. E isso se agrava na escola pública. Temos a educação como um produto, a escola como prestadora de um serviço e o professor um escravo das conjunturas educativas.

O paidagogo
Na Grécia antiga chamavam de paidagogos (ou pedagogos) os escravos encarregados de ensinar aos filhos de seus amos. Era um trabalho às vezes muito difícil e desenvolvido por escravos que já não tinham muita produtividade. Cabia-lhes, entre outras coisas, ensinar ao pupilo normas de conduta e prepará-lo para a vida na sociedade. Há pouca diferença entre eles e os professores atuais.

Se é verdade que quando o aluno está pronto o professor aparece, é verdade, também, que quando o professor está pronto o aluno aparece? Mas que professor é capaz de saber-se "pronto" ou reconhecer quando o aluno está "pronto"? Que universidade ou curso de formação inicial desenvolve essas habilidades e competencias no futuro professor?

Trabalhando com formação de professores há bastante tempo, vejo que nem o professor nem o aluno chegam na escola prontos para aprender. Não falo daquele velho conceito de prontidão tão conhecido dos educadores, mas de uma prontidão que nada tem a ver com currículo e conteúdos disciplinares tradicionais, oficiais.

Maktub!
Embora nunca pensasse em ser professor acredito que, talvez, tenha sido a partir daqueles momentos com meu pai que a semente do que viria a ser meu Eu profissional foi plantada. Mas se como aluno já me sinto pronto, como professor sei que não estou, e talvez jamais esteja. Contudo sei também que ninguém foge de suas tendências. Essa certeza me traz a esperança de um dia ver e reconhecer meu Aluno.
* Credito: imagem obtida em http://letrasimples.blogs.sapo.pt/arquivo/luz.jpg 

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Um livro a qualquer hora e lugar

Essa postagem faz parte da blogagem coletiva proposta pelo blog Vou de Coletivo, que a cada mês traz um tema. Neste mês de outubro o mote é "Hábitos de leitura: quais são as suas manias na hora de ler?". Confira as outras postagems clicando AQUI.
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Mania de querer bem, mania de falar mal
De não deitar pra dormir, sem antes ler o jornal
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(Manias - Flávio Cavalcante e Celso Cavalcante)


Hábitos e manias, qual é a pessoa normal que não os tem as pencas? Tenho poucos (acho eu - Rssss!!....). Alguns hábitos, como usar o relógio no pulso direito, foram herdados do meu saudoso pai. Acho que herdei também meu gosto pelos livros, pela leitura e escrita. Tal como meu velho, eu tenho a mania de ler em qualquer lugar.

Aprendi com ele a almoçar lendo. Ah! E a desalmoçar também. Eu sempre levava para a mesa um Gibi ou um livro qualquer, apesar de minha mãe sempre brigar por causa disso. Já adulto, ler de manhã durante o café pode dar aquele ar de importante, mas eu não gosto nem faço. Continuo, algumas vezes, lendo durante o almoço. E ir ao banheiro? Com algo pra ler, mesmo bula de remédio, parece que fica mais prazeroso.

Bem, que tem qualquer coisa de magia entre as duas capas de um livro, dentro das páginas de papel e tinta, isso tem. Enxergo mundos comprimidos entre o branco e o preto. Há luz escondida, presa, no negrume das palavras.

Gosto especialmente de livros velhos, antigos, de livros lidos, pois estes também contam suas histórias pessoais em cada frase ou palavra destacada pelo leitor anterior, nas observações de pé de página...

Gosto de garimpar em sebos. Não gosto de ler obras na telinha do PC. Gosto de livros reais. Gosto do cheiro de livros, gosto de sopesá-lo, de pegar no papel e sentir a testura, de ouvir o ruído do folhear...

Sempre começo um livro pelas orelhas, pelos comentários da contra-capa. De fora para dentro e, depois, de dentro para fora. *Imagem obtida na Internet e adaptada por mim