quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Produção científica e lixo acadêmico no Brasil

 Transcrevo abaixo a matéria publicada pela Folha de São Paulo. (clique aqui para visitar o site)
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ROGÉRIO CEZAR DE CERQUEIRA LEITE
TENDÊNCIAS/DEBATES

Produção científica e lixo acadêmico no Brasil

A resistência dos medíocres e a falta de coragem política das autoridades impedem o crescimento da ciência de alta qualidade no nosso país
Dois artigos publicados recentemente pela revista britânica "Nature", especializada em ciência, deixam o Brasil e, em especial, a comunidade acadêmica brasileira, profundamente envergonhados.
A "Nature" nos acusa, em primeiro lugar, de produzir mais lixo do que conhecimento em ciência. Nas revistas mais severas quanto à qualidade de ciência, selecionadas como de excelência pelo periódico, cientistas brasileiros preenchem apenas 1% das publicações.
Quando se incluem revistas menos qualificadas, porém, ainda incluídas dentre as indexadas, o Brasil se responsabiliza por 2,5%. O que a "Nature" generosamente omite são as publicações em revistas não indexadas, que contêm número significativo de publicações brasileiras, um verdadeiro lixo acadêmico.
O segundo golpe humilhante para a ciência brasileira exposto pela revista se refere à eficiência no uso de recursos aplicados à pesquisa. Dentre 53 países analisados, o Brasil está em 50º lugar. Melhor apenas que Egito, Turquia e Malásia.
Tomemos um exemplo. O Brasil publicou 670 artigos em revistas de grande prestígio, enquanto no mesmo período o Chile publicou 717, nessas mesmas revistas. O dado profundamente inquietante é que enquanto o Brasil despendeu em ciência US$ 30 bilhões, o Chile gastou apenas US$ 2 bilhões.
Quer dizer, o Chile, que aliás não está entre os primeiros em eficiência no mundo científico, é 15 vezes mais eficiente que o Brasil. Alguma coisa está errada, profundamente errada. A academia brasileira, isto é, universidades e institutos de pesquisas produzem mais pesquisa de baixa do que de boa qualidade e as produz a custos muito elevados. Há certamente causas, talvez muitas, para essa inadequação.
A primeira decorre de um "distributivismo" demagógico. É evidente que seria desejável que novos centros de pesquisas se desenvolvessem em regiões ainda não desenvolvidas do país. Mas é um erro crasso esperar que uma atividade de pesquisas qualquer venha a desenvolver economicamente uma região sem cultura adequada para conviver com essa pesquisa.
Seria desejável que investimentos maciços fossem aplicados em pesquisas em instituições localizadas em regiões pouco desenvolvidas, mas cujo meio ambiente é capaz de absorver os benefícios dessa inserção.
O segundo mal que é causa inquestionável da diminuta e dispendiosa produção de conhecimento é o obsoleto regime de trabalho que regula a mão de obra do setor de pesquisas em universidades públicas e na maioria dos institutos.
O pesquisador faz um concurso --frequentemente falsificado-- no começo de sua carreira. Torna-se vitalício. Quase sempre não precisa trabalhar para ter aumento de salário e galgar postos em sua carreira. Ora, qual seria, então, a motivação para fazer pesquisas?
O terceiro problema é o sistema de gestão de universidades públicas e instituições de pesquisa, cuja burocracia soterra qualquer iniciativa dos poucos bem-intencionados professores e pesquisadores que ainda não esmoreceram.
Pois bem. Há uma fórmula que evita todos esses males e que já foi experimentada com sucesso em algumas das instituições científicas do Brasil: a organização social. A resistência dos medíocres e parasitas e a falta de coragem política de algumas de nossas autoridades impedem a solução desse problema.

    sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

    À ESQUERDA DA PESQUISA À DIREITA DA PRÁTICA: UM NOVO REFERENCIAL PARA O PROFESSOR TENDO POR BASE AS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO

    Esse artigo, cujo link vai abaixo, foi escrito em 2004 para um projeto literário (coletânea). Infelizmente o livro não saiu, mas eu trabalhei com esse texto em alguns cursos que ministrei, e mesmo certos amigos que conheceram o artigo e gostaram, tiraram cópias que depois foram utilizadas e referenciadas noutros cursos. 

    Hoje, preparando material para uma disciplina que ministrarei na Pós-Graduação Lato Sensu em Educação Profissional Integrada à Educação Básica na Modalidade EJA-PROEJA, no PRONATEC da UFPA que se inicia na próxima semana em Belém e Abaetetuba, resolvi rever e trabalhar esse texto, que apesar de ter 10 anos, ainda mantém-se atual. Confira pelo link abaixo.
    Clique na imagem para ler o baixar o texto
      



    sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

    Feliz Natal

    Portal da Amazônia-Belém. Foto: Franz Pereira

    Queridos companheiros, caminhantes desta rua que é meu blog, o Natal foi ontem e eu deveria postar essa cartão há dias, mas desprezem essa falha e aceitem nossos votos sinceros.

    Que todos os seres, todas as criaturas sob o Sol, tenham um NATAL DIÁRIO durante os 365 dias do ano que chega.
    Que vibrações de Paz e Prosperidade permaneçam em cada ser por toda sua existência.
    Que em 2015 tu possas estar sempre bem acompanhado onde estiveres.
    Que o Sol lhe te prepare um espetáculo único todos os dias, e que tenhas tempo para contemplá-lo.
    E que teu espírito espelhe a paz profunda e beleza do Sol poente, sempre.



    quarta-feira, 22 de outubro de 2014

    O QUE MAIS ME ASSUSTA NESSAS ELEIÇÕES 2014

    SABE O QUE MAIS ME IMPRESSIONA E ASSUSTA NESSAS ELEIÇÕES 2014?

    Gosto da frase de Malcon X "Se você não for cuidadoso, os jornais farão você odiar as pessoas que estão sendo oprimidas, e amar as pessoas que estão oprimindo".

    Sabe o que mais me impressionou nessa campanha presidencial? Não, não foi a baixaria e troca de acusações entre os presidenciáveis nem a manipulação das pesquisas ou o cinismo dos candidatos nos palanques e declarações. Isso é parte de toda e qualquer campanha política, e o povo já devia estar acostumado.

    Também não é o serviço de desinformação que a imprensa, principalmente os jornais e a televisão, tem prestado à sociedade, lançando mentiras pra todo lado. Isso também é parte integrante das campanhas (qualquer que seja ela), mormente as políticas.

    O que mais me impressionou (e me assusta!) é que muita gente não está percebendo que no mundo capitalista nenhum jornal, revista, rádio ou TV é isento e está a serviço da verdade e da justiça. Ao contrário, sua balança pende sempre para o lado onde o prato está mais cheio de moedas. Quase sempre faz uso da velha estratégia de não relatar nem a verdade completa ao mesmo tempo em que não se diz nenhuma mentira. Por isso é importante o cidadão saber ler, não a leitura feita apenas juntando símbolos linguísticos, mas aquela que nos dá uma apreensão maior da realidade, como nos fala Paulo Freire.

    O governo atual tem suas falhas e comete erros como todos. A presidente ou presidenta (como prefere) Dilma me parece ser muito teimosa e autoritária e, talvez, as questões ideológicas tornem mais suscetíveis os choque de interesses entre empresários e governo. Mas todo mundo sabe que os capitalistas só pensam no lucro acima de tudo, enquanto o social é colocado para baixo do tapete.

    O que mais me impressiona e põe medo no coração é que a imprensa brasileira está construindo e estimulando um novo tipo de preconceito, o PreTconceito, um (re)sentimento contra o Partido dos Trabalhadores e contra quem declara seu voto à Dilma Rousseff; está desenvolvendo/estimulando em uma parcela da população (supostamente a elite) uma espécie medo ou nojo, de ódio ao pobre e nordestino, porque são imagens associadas ao PT; mas quando o lado petista recebe apoio de consagrados artistas e intelectuais, há quem diga que eles estão “vendidos”, como foi o caso que vi recentemente no Facebook com relação a Roberto Carlos e Chico Buarque, que declararam votar na Dilma.

    Me assusta essa imprensa, que sabemos ser o 4º Poder (se não for, em verdade, o primeiro).

    O que mais me impressiona e põe medo no coração é perceber que a mídia (e aqui tem papel significativo as redes sociais, com ênfase no Facebook) está reacendendo algumas ideias no mínimo absurdas, lançadas na primeira candidatura de Lula e que pessoas com a mente frágil ainda acreditam ser possível, tipo “o PT vai mudar a cor da bandeira do Brasil”; “se o PT ganhar os empresários abandonarão o país”; "Eu não quero isso para o meu país. Vocês vão me desculpar, mas isso é nojento*" (frase atribuída à atriz Regina Duarte durante a campanha de 2002), e por ai vai.

    Esse tipo de campanha da mídia é semelhante ao que levou os alemães a apoiarem o nazismo de Hitler.
    FONTE:
    * http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1810200217.htm

    sábado, 16 de agosto de 2014

    Eleições 2014 e a melhoria da representatividade parlamentar



    "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto." (Trecho de um discurso de Rui Barbosa)

    Ou efetivemos a melhoria da representatividade parlamentar ou somos todos Corruptos

    Estudos da organização Transparência Brasil (Ref. I) apresentados em 2007 revelaram que os custos dos parlamentares brasileiros superam os custos de seus pares em, pelo menos, 11 países, dentre os quais Inglaterra e França. E mais, segundo pesquisa da ONU, o Congresso brasileiro é o segundo mais caro do mundo, perdendo apenas para o Congresso dos Estados Unidos.


    Fonte: renascesaojose.blogspot.com
    O Brasil possui cerca de 202 milhões de habitantes e 1 Presidente, 1 Vice-presidente, 27 governadores, 27 vice-governadores, 81 senadores, 513 deputados federais. Há, ainda, cerca de 1.059 deputados estaduais, 5.564 prefeitos, 5.564 vice-prefeitos e 60.320 vereadores. E não esqueçamos os 39 ministros (24 ministérios, dez secretarias da presidência com status de ministério e cinco órgãos com status de ministério - Fonte: Wikipédia), além dos suplentes dos parlamentares.

    Alie-se a isso o número dos respectivos assessores parlamentares comissionados (certamente alguns são ASPONE*). A cota varia, mas para efeito de cálculo vamos colocar valores estimados com base em nossa pesquisa na Web. Assim, para cada senador vamos estimar 25 assessores (tomando o exemplo do Senador Aécio Neves - Ref. II), totalizando 2.025. Seguindo-se, temos cerca de 9,5 mil para os deputados federais (18 para cada) e outros 10,5 mil para os deputados estaduais (média de 10 assessores para cada).

    No caso dos vereadores esse número é quase impossível determinar, mas vamos estimar a média razoável de 5, que totalizaria quase 302 mil assessores da vereança. Somando-se temos mais de 323.600 assessores de parlamentares em todo país!!... Se fossemos comparar com a população de um município, seria maior que a de Petrolina/Pb e pouco menor que a de Blumenau/SC (Ref. III).

    Os 513 parlamentares recebem, além do salário, verba de gabinete, verbas indenizatórias (para hospedagem, combustível e consultorias), auxílio-moradia, além cotas para cobrir passagens aéreas, despesas com telefone, postagem de cartas e despesas com saúde (hospital, médicos e remédios), que podem chegar a 200 mil mensais, pagos pelo erário (Ref. IV). Em São Paulo, por exemplo, cada representante do povo paulista tem direito a receber todo mês R$ 29,5 mil, segundo a assessoria de imprensa do órgão. R$ 9, 6 mil são de salário, R$ 2, 2 mil são para auxílio moradia, R$ 991 de ajuda de custo e R$ 16,6 mil de verbas de gabinete (Ref. V).

    Segundo o Portal Fórum (Ref.: VI), o custo do legislativo nacional é "de mais de R$ 20 bilhões por ano! O equivalente ao orçamento anual do programa Bolsa Família (R$ 22,1 bilhões), que beneficia 13,9 milhões de famílias", e reflete sobre a necessidade de se definir um teto para os gastos do Congresso brasileiro.Lei de Gerson ou VOTO NULO?

    Quero crer que há políticos honestos, parlamentares que honrem os votos recebidos e tenham atuação plena de probidade e moralmente íntegra. Não conheço nenhum, mas sou como Cervantes ante a existência de bruxas: quero crer que os há. Mas a questão não é essa. A questão é: Como um grupo tão pequeno de pessoas (os parlamentares) pode convencer mais de 200 MILHÕES de indivíduos que a corrupção praticada por eles é algo normal e deve ser aceita pacificamente? E mais: A corrupção faz parte do caráter social de 202 milhões de brasileiros? Como é possível que "práticas tidas como moralmente degradantes" (Ref. VII) sejam "cotidianamente toleradas" por toda população de uma nação grande como o Brasil? Será que nos, brasileiros, somos todos corruptos? O famoso "jeitinho brasileiro" (Lei de Gerson**) não é uma forma de corrupção disfarçada e acatada?

    Não vou responder tais questões, mas sugiro a leitura do artigo "A Tolerância à corrupção no Brasil: uma antinomia entre normas morais e prática social", de Fernando Filgueiras (em Ref. VII). No entanto deixo aqui aqui a forma como protesto contra esses parlamentares e suas práticas escandalosas de corrupção, desvio de verbas, clientelismo e abusos de toda ordem: 
             EU NÃO VOTO EM NENHUM DELES!! MEU VOTO É NULO!...       
    E voto consciente, viu!

    Você, leitor amigo, pode não concordar comigo afirmando que "o cidadão não deve abrir mão do seu DIREITO de votar e mudar a situação", ou outra bobagem como "o voto nulo favorece o candidato mais votado", ou... Mas se refletir bem concordará comigo no seguinte raciocínio: o eleitor DEVE votar no candidato em quem confia, certo?, mas se não há candidatos de confiança você vai eleger um deles mesmo assim? Apenas porque manda a lei?

    A lei diz que você DEVE votar, mas não te obriga a votar nesse ou naquele candidato. Permite, inclusive,o voto EM BRANCO (que expressa sua indiferença com relação a situação) e o NULO. Este sim, representa seu verdadeiro direito de protesto.

    AH! Depois não vá condenar seu candidato quando ele aparecer enfiando dinheiro na cueca, afinal o político é reflexo de seu eleitor. Ou não?

    Franz

    * ASPONE: Assessor de P.... Nenhuma
    ** Gerson, o grande craque da seleção de 70, num comercial de cigarros sintetizou a tendência do brasileiro dar um jeitinho em tudo numa frase antológica: "Gosto de levar vantagem em tudo, certo?". Ficou assim instituída a famosa e malfadada Lei de Gerson, para a imerecida infelicidade do próprio.
    Ref:
    I-  veja: http://www.transparencia.org.br/docs/parlamentos.pdf
    II- http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2013/07/com-25-assessores-em-
        seu-gabinete.html  
    III- http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_municipios_do_Brasil_acima_de_cem_mil_
         habitantes
    IV- http://www.contasabertas.com.br/website/arquivos/sobrecontas/ca-no-correio-braziliense
    V- http://www.recantodasletras.com.br/artigos/2522158
    VI- http://www.revistaforum.com.br/brasilvivo/2013/05/30/custo-da-atividade-parlamentar-   
          no-brasil-ultrapassa-r-20-bilhoesano/
    VII- http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-62762009000200005&script=sci_arttext





    terça-feira, 22 de julho de 2014

    ARIANO SUASSUNA e EU

    ARIANO SUASSUNA e EU

    Começar essa postagem colocando-me ao lado - como se paripassu fosse - com o grande escritor, dramaturgo e poeta paraibano é, sem dúvida, um artifício para fisgar você, amigo caminhante dessa rua que é meu blog.

    Acontece que soube que o grande ARIANO SUASSUNA, mestre maior na arte de contar histórias, sofreu um AVC e encontrasse internado numa UTI. Imediatamente senti um peso no coração.

    Sabemos que um dia, mais cedo ou mais tarde, ele irá se reunir aos seus inúmeros personagens, como Chicó e João Grilo, afinal ele já está com 87 anos e saúde debilitada. Mas Suassuna é daquelas pessoas que queremos que sejam eternas, imorredouras, para que possamos vê-las e ouvi-las sempre.

    Em 2008, durante a XII Feira Pan-Amazônica do Livro, após sua palestra-show, eu ganhei seu autógrafo num livro e tive a subida honra de ser fotografado abraçado com e por ele. Na ocasião fiz uma postagem rendendo-lhe homenagem  Confira postagem AQUI

    Rogo ao Criador que concede ao mestre Ariano Suassuna força para se recuperar, e a mim a chance de assistir, mais uma vez, outra palestra sua e poder abraçá-lo novamente.

    domingo, 29 de junho de 2014

    O encanto perdido nos livros digitais

    Olá meu amigo caminhante dessa rua que é meu blog! Desde a última postagem muita coisa tem acontecido que merece/mereceu o registro do blogueiro, e em que pese gostar de escrever nesse blog, ultimamente ando meio que preguiçoso para tal.
    Assim, depois de um longo e tenebroso inverno que você pode traduzir por "Esse blog anda desatualizado pra cacete-, voltamos a nos encontrar em mais um passeio por essa rua. Agradeço muitíssimo por sua companhia.

    Ler e escrever tem sido, desde longa data, uma das minhas ocupações mais prazerosas, e como quase todo usuário de computador só escrevo meus textos na forma digital, entretanto não gosto de ler na telinha do micro.

    Não gosto da leitura na mídia digital!... Nostálgico, eu? Sim.

    Gosto de ouvir meus discos de vinil, gosto das série e desenhos antigos e gosto de ler no papel! Seja bula de remédio, revista ou jornal. E muito mais ainda se a leitura for um livro.

    Reconheço que as vantagens dos e-books são muitas, tais como: preço menor que os livros tradicionais - quando não são grátis; toda sua biblioteca pode caber na palma da mão - o que é uma extraordinária vantagem se você for professor ou professora; poder comprar a qualquer momento, mesmo se estiver um temporal e as ruas alagadas; trocar de um livro pra outro rapidamente se usuário de e-readers, isso sem falar da sua "pegada ecológica", pois o consumo de livros digitais poupa papel e contribui para preservar o meio ambiente.

    É, os e-books tem suas vantagens, mas ler um livro de papel tem magia e encantos que o livro digital está a uma distância abissal de possibilitar. E não é só pelo prazer que causa aos olhos e ao tato, mas porque nos presenteiam com metaleituras. Sobretudo se for um livro usado, desses que a gente compra nos sebos ou pega emprestado.

    Veja um exemplo. Outro dia comprei num sebo o "Poemas dos Becos de Goiás e Estórias mais", esse que foi o primeiro livro da sensacional poetisa Cora Coralina. Livro surrado,capa dura,editado pelo antigo Círculo do Livro - do qual fui sócio durante a segunda metade da década de 1970.

    De cara, o livro de Cora Coralina traz, nalgumas pequenas manchas, as marcas de sua história. Logo ao virar a capa, uma dedicatória diz "De: Priscila para um grande amigo. Que você leia esse livro com muito carinho". Na página seguinte, a folha de rosto, outra dedicatória, diz: A minha amiga Gracie Carvalho, como lembrança do amigo Domingos F. Mendonça".

    E lá pelo meio um velho marcador ficou esquecido na página 113, "Oração do milho":
    "Senhor, nada valho.
    Sou a planta humilde dos quintais pequenos e das lavouras pobre."

    Duas dedicatórias num único livro, e nenhuma data... Isso é curioso! Qual deve ser a primeira? - creio que a da folha de rosto, pela posição e caligrafia. Mas não vou agora divagar sobre tais dedicatórias. E o marcador? Foi posto ali por acaso ou estaria indicando onde o último leitor parou?

    Noutros livros encontro anotações manuscritas no pé da página ou na borda, algumas palavras sublinhadas ou contornadas por um risco de caneta, que me fazem querer saber o que pensava o dono daqueles registros, qual a importância daquela informação para ele e coisas assim. 


    Nalguns livros há sinais que não compreendo, como interrogações, asteriscos etc. e, as vezes, há surpresas gratificantes, como da vez em que encontrei um antigo bilhete manuscrito e assinado por ninguém menos que Raquel de Queiroz. Esse bilhete acho que esqueci dentro de algum livro, e o livro perdi nas diversas mudanças de endereço que já fiz...        

    Eis aí, caro amigo que me acompanhou até aqui, porque a leitura de e-books não me apetece.





    quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

    Homenagem a Waldick Pereira

    Há 34 anos, no dia 11 de fevereiro de 1984 morria o homem mais importante de minha vida, meu pai Waldick Pereira. Não deu para homenageá-lo no dia 11 passado, mas faço-o agora com a mesma, ou talvez maior, emoção e saudade, lamentando terrivelmente que Madaya Pereira, Arcthur Pereira e Keith Farinha, meus filhos, não o tenham conhecido.
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    Waldick Cunegundes Pereira que era alagoano (como eu, minha mãe e meu irmão caçula, Camaysar) e iguaçuano de coração. Em Maceió trabalhou como escrivão num cartório e era poeta, conhecido entre os amigos como  "o Castro Alves alagoano". Em 1951 casou-se com Margarida Acácio Galvão (falecida em 2006), que era uma excelente declamadora. 

    Em 1953 muda-se para o Rio de Janeiro, a então capital federal, e foi morar em Nova Iguaçu, de onde nunca saiu por mais de alguns dias. Foi, talvez, o maior historiador de Nova Iguaçu, com participação em vários seguimentos intelectuais e culturais do município, e possui diversos livros publicados sobre suas pesquisas na história do município, além de outros com suas poesias e trovas.

    Em NI foi jornalista e cronista esportivo no Correio da Lavoura, membro do Lions Club e do Rotary Club, Delegado da União Brasileira de Trovadores, Secretário do Colégio Afrânio Peixoto, professor no Colégio Leopoldo (onde trabalhou até seu desenlace). Na Prefeitura Municipal de Nova Iguaçu atuou na Assessoria de Cultura, Recreação e Turismo e, mais tarde, na Assessoria de Museu e Patrimônio Histórico, criada especialmente para ele. 

    Foi escritor, historiador, fundador e presidente (até seu falecimento) do Instituto Histórico e Geográfico de Nova Iguaçu-IGHNI, criador do brasão de armas do município (idealizado por ele e desenhado pelo heraldista Alberto Lima). O que poucos sabem é que Waldick foi também um estudioso do misticismo e esteve ligado a algumas escolas de mistério, chegando a ser Grã-sacerdote da IOIC.

    Em 1959 começou sua parceria com o Ney Alberto Gonçalves de Barros (falecido em junho de 2012), seu inseparável companheiro de pesquisas, acampamentos e aventuras. Em 1968 ele e Ney, que já era professor de História, tornam-se arqueólogos após concluírem o curso de Arqueologia do Museu Histórico Nacional.

    Waldick foi sepultado num jazigo perpétuo no Cemitério dos Escravosem Iguaçu Velho. O ilustre alagoano/iguaçuano repousa num túmulo simples, sombreado por uma frondosa mangueira, caidado de branco e sem identificação. 

    Dentre suas obras encontra-se:
    As Trombetas de Gericó (Poesias - Maceió-Al.);
    Trovas de Vintém (Trovas);
    Momentos de Amor e Caminhos (Poesias, em parceria com o irmão Wandeck Pereira);
    Nova Iguaçu Para o Curso Normal (Didático);
    A Mudança da Vila (História de Nova Iguaçu);
    Cana, Café e Laranja (História econômica do município iguaçuano - Fund. Getúlio Vargas/INELIVRO)

    Aguardavam publicação:
    Cemitérios de Iguaçu e Jornais Iguaçuanos (história);
    O donzelo e outros contos (contos)



    Abaixo publico o recorte do Jornal de Hoje com a manchete de sua morte.


    quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

    A DIFERENÇA ENTRE O GIRAR, O CLICAR E O DESLIZAR

    O que você  vai ler a seguir são excertos. 
    Para ler o texto na íntegra clique no ícone da barra lateral igual ao que aparece abaixo. 

    A DIFERENÇA ENTRE O GIRAR, O CLICAR E O DESLIZAR


    Antigamente, poucas coisas fazíamos funcionar usando apenas um dedo ou dois: apertar o botão da campainha ou o botão de chamar o elevador é um bom exemplo. Também podemos incluir aí fazer funcionar o gravador de rolo ou de fita K-7, “tirar“ uma foto ou discar um número de telefone. Isso sem falar do trabalhoso ato de escrever com as velhas Olivetti ou Remington (coisa que algumas pessoas conseguiam fazer usando apenas e tão somente dois dedos).  Ah, e com um dedo também se pedia silêncio! Mas isso, quase sempre, era acompanhado de um sonoro Psssssssiiiu!!...
    (...)

    Do binário ao quântico

    Antigamente as leis da física newtoniana estabeleciam a verdade do sistema, e o pensamento considerava a matéria dimensionada, definida como uma partícula. No passado o pensamento cartesiano era o modelo para o método científico. Então veio a nova física e nos apresentou o estado quântico, onde a realidade não é mais uma via com uma direção e dois sentidos, como uma estrada de duas mãos, mas de infinitas possibilidades. A realidade atual exige que nosso cérebro construa ou compreenda inter-relações que antes não existiam, abandonando a certeza em detrimento das possibilidades. Deve deixar de se comportar como partícula para ser como onda.
    (...) 


     A sociedade digital em botão 

    A modernidade começa com a hegemonia ou onipresença dos botões, coisa que, como se sabe, aconteceu no século XX com o advento do capitalismo e a exaltação ao consumismo. Também já vimos que é cada vez maior o número de usuários da telefonia celular; isso sem falar do crescimento das vendas de computador pessoal (desktop, notebook, laptop, tablet, ultrabook). E não esqueçamos da TV, presente em 95,1% dos domicílios brasileiros e dos aparelhos de som e vídeo, dos micro system e consoles de videogames.
     (...)

    O girar, o clicar e o deslizar 

    Nessa perspectiva é possível dizer que a tecnologia do século passado era linear e polarizada, isto é, a ação do sujeito sobre os objetos tecnológicos obedecia a uma sequência lógica, e acontecia invariavelmente entre dois polos. Por exemplo, os aparelhos tecnológicos do passado que usavam energia elétrica funcionavam com relés, disjuntores, chaves, válvulas e potenciômetros. Concorda que tais dispositivos, pelo que acabamos de expor, podem ser considerados binários? Então, tomemos como ilustração uma ação simples do cotidiano da maioria da população mundial: ligar o rádio. A gente ligava o aparelho girando um botão até ouvir um “clic” (como pode ver, já tínhamos o clicar naquela época), que indicava o estado de ligado/desligado. (...)

    quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

    Sururu de capote

    De repente o vento da saudade me trouxe um cheiro vindo de Maceió, nos anos finais da década de 1960: o cheiro de sururu de capote cozido em panela de barro. 

    Imagem: matematicadeaula.blogspot.com
    Não sei porque minha memória olfativa me levou nesse "revival", mas tais recordações me encheram a alma de paz. Revi a casinha tão pobre no Vergel do Lago; minha avó materna, que era benzedeira e sabia muitas histórias; minha mãe tão magra, mas tão forte e destemida, com seus cinco filhos, que levou de Nova Iguaçu, no Estado do Rio de Janeiro, para Maceió. 

    Nessa época, em Maceió, eu morava com minha mãe e minha avó, mais dois irmãos e duas irmãs, numa pequena (pequena não, minúscula) casa com apenas 3 cômodos e cerca de 18m2. Nosso fogão era a carvão e de barro, feito dentro de um caixote de madeira suspenso por quatro pés. Nele minha avó preparava o sururu de capote, cozido na panela de barro já enegrecido, e usava uma colher feita da metade de um coco atravessada por uma vareta de pau, a guisa de cabo. Eu mesmo fiz uma, quando a primeira quebrou. Até hoje somos (eu e meus irmãos) apaixonados por sururu de capote, de preferência preparados numa penela de barro.


    No TOP BLOG 2011 ficamos entre os 100 melhores da categoria. Pode ser pouco para uns, mas para mim é motivo de orgulho e satisfação.
    Sou muito grato a todos que passaram por essa rua que é meu blog e deram seu voto. Cord ad Cord Loquir Tum