terça-feira, 22 de julho de 2014

ARIANO SUASSUNA e EU

ARIANO SUASSUNA e EU

Começar essa postagem colocando-me ao lado - como se paripassu fosse - com o grande escritor, dramaturgo e poeta paraibano é, sem dúvida, um artifício para fisgar você, amigo caminhante dessa rua que é meu blog.

Acontece que soube que o grande ARIANO SUASSUNA, mestre maior na arte de contar histórias, sofreu um AVC e encontrasse internado numa UTI. Imediatamente senti um peso no coração.

Sabemos que um dia, mais cedo ou mais tarde, ele irá se reunir aos seus inúmeros personagens, como Chicó e João Grilo, afinal ele já está com 87 anos e saúde debilitada. Mas Suassuna é daquelas pessoas que queremos que sejam eternas, imorredouras, para que possamos vê-las e ouvi-las sempre.

Em 2008, durante a XII Feira Pan-Amazônica do Livro, após sua palestra-show, eu ganhei seu autógrafo num livro e tive a subida honra de ser fotografado abraçado com e por ele. Na ocasião fiz uma postagem rendendo-lhe homenagem  Confira postagem AQUI

Rogo ao Criador que concede ao mestre Ariano Suassuna força para se recuperar, e a mim a chance de assistir, mais uma vez, outra palestra sua e poder abraçá-lo novamente.

domingo, 29 de junho de 2014

O encanto perdido nos livros digitais

Olá meu amigo caminhante dessa rua que é meu blog! Desde a última postagem muita coisa tem acontecido que merece/mereceu o registro do blogueiro, e em que pese gostar de escrever nesse blog, ultimamente ando meio que preguiçoso para tal.
Assim, depois de um longo e tenebroso inverno que você pode traduzir por "Esse blog anda desatualizado pra cacete-, voltamos a nos encontrar em mais um passeio por essa rua. Agradeço muitíssimo por sua companhia.

Ler e escrever tem sido, desde longa data, uma das minhas ocupações mais prazerosas, e como quase todo usuário de computador só escrevo meus textos na forma digital, entretanto não gosto de ler na telinha do micro.

Não gosto da leitura na mídia digital!... Nostálgico, eu? Sim.

Gosto de ouvir meus discos de vinil, gosto das série e desenhos antigos e gosto de ler no papel! Seja bula de remédio, revista ou jornal. E muito mais ainda se a leitura for um livro.

Reconheço que as vantagens dos e-books são muitas, tais como: preço menor que os livros tradicionais - quando não são grátis; toda sua biblioteca pode caber na palma da mão - o que é uma extraordinária vantagem se você for professor ou professora; poder comprar a qualquer momento, mesmo se estiver um temporal e as ruas alagadas; trocar de um livro pra outro rapidamente se usuário de e-readers, isso sem falar da sua "pegada ecológica", pois o consumo de livros digitais poupa papel e contribui para preservar o meio ambiente.

É, os e-books tem suas vantagens, mas ler um livro de papel tem magia e encantos que o livro digital está a uma distância abissal de possibilitar. E não é só pelo prazer que causa aos olhos e ao tato, mas porque nos presenteiam com metaleituras. Sobretudo se for um livro usado, desses que a gente compra nos sebos ou pega emprestado.

Veja um exemplo. Outro dia comprei num sebo o "Poemas dos Becos de Goiás e Estórias mais", esse que foi o primeiro livro da sensacional poetisa Cora Coralina. Livro surrado,capa dura,editado pelo antigo Círculo do Livro - do qual fui sócio durante a segunda metade da década de 1970.

De cara, o livro de Cora Coralina traz, nalgumas pequenas manchas, as marcas de sua história. Logo ao virar a capa, uma dedicatória diz "De: Priscila para um grande amigo. Que você leia esse livro com muito carinho". Na página seguinte, a folha de rosto, outra dedicatória, diz: A minha amiga Gracie Carvalho, como lembrança do amigo Domingos F. Mendonça".

E lá pelo meio um velho marcador ficou esquecido na página 113, "Oração do milho":
"Senhor, nada valho.
Sou a planta humilde dos quintais pequenos e das lavouras pobre."

Duas dedicatórias num único livro, e nenhuma data... Isso é curioso! Qual deve ser a primeira? - creio que a da folha de rosto, pela posição e caligrafia. Mas não vou agora divagar sobre tais dedicatórias. E o marcador? Foi posto ali por acaso ou estaria indicando onde o último leitor parou?

Noutros livros encontro anotações manuscritas no pé da página ou na borda, algumas palavras sublinhadas ou contornadas por um risco de caneta, que me fazem querer saber o que pensava o dono daqueles registros, qual a importância daquela informação para ele e coisas assim. 


Nalguns livros há sinais que não compreendo, como interrogações, asteriscos etc. e, as vezes, há surpresas gratificantes, como da vez em que encontrei um antigo bilhete manuscrito e assinado por ninguém menos que Raquel de Queiroz. Esse bilhete acho que esqueci dentro de algum livro, e o livro perdi nas diversas mudanças de endereço que já fiz...        

Eis aí, caro amigo que me acompanhou até aqui, porque a leitura de e-books não me apetece.





quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Homenagem a Waldick Pereira

Há 34 anos, no dia 11 de fevereiro de 1984 morria o homem mais importante de minha vida, meu pai Waldick Pereira. Não deu para homenageá-lo no dia 11 passado, mas faço-o agora com a mesma, ou talvez maior, emoção e saudade, lamentando terrivelmente que Madaya Pereira, Arcthur Pereira e Keith Farinha, meus filhos, não o tenham conhecido.
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Waldick Cunegundes Pereira que era alagoano (como eu, minha mãe e meu irmão caçula, Camaysar) e iguaçuano de coração. Em Maceió trabalhou como escrivão num cartório e era poeta, conhecido entre os amigos como  "o Castro Alves alagoano". Em 1951 casou-se com Margarida Acácio Galvão (falecida em 2006), que era uma excelente declamadora. 

Em 1953 muda-se para o Rio de Janeiro, a então capital federal, e foi morar em Nova Iguaçu, de onde nunca saiu por mais de alguns dias. Foi, talvez, o maior historiador de Nova Iguaçu, com participação em vários seguimentos intelectuais e culturais do município, e possui diversos livros publicados sobre suas pesquisas na história do município, além de outros com suas poesias e trovas.

Em NI foi jornalista e cronista esportivo no Correio da Lavoura, membro do Lions Club e do Rotary Club, Delegado da União Brasileira de Trovadores, Secretário do Colégio Afrânio Peixoto, professor no Colégio Leopoldo (onde trabalhou até seu desenlace). Na Prefeitura Municipal de Nova Iguaçu atuou na Assessoria de Cultura, Recreação e Turismo e, mais tarde, na Assessoria de Museu e Patrimônio Histórico, criada especialmente para ele. 

Foi escritor, historiador, fundador e presidente (até seu falecimento) do Instituto Histórico e Geográfico de Nova Iguaçu-IGHNI, criador do brasão de armas do município (idealizado por ele e desenhado pelo heraldista Alberto Lima). O que poucos sabem é que Waldick foi também um estudioso do misticismo e esteve ligado a algumas escolas de mistério, chegando a ser Grã-sacerdote da IOIC.

Em 1959 começou sua parceria com o Ney Alberto Gonçalves de Barros (falecido em junho de 2012), seu inseparável companheiro de pesquisas, acampamentos e aventuras. Em 1968 ele e Ney, que já era professor de História, tornam-se arqueólogos após concluírem o curso de Arqueologia do Museu Histórico Nacional.

Waldick foi sepultado num jazigo perpétuo no Cemitério dos Escravosem Iguaçu Velho. O ilustre alagoano/iguaçuano repousa num túmulo simples, sombreado por uma frondosa mangueira, caidado de branco e sem identificação. 

Dentre suas obras encontra-se:
As Trombetas de Gericó (Poesias - Maceió-Al.);
Trovas de Vintém (Trovas);
Momentos de Amor e Caminhos (Poesias, em parceria com o irmão Wandeck Pereira);
Nova Iguaçu Para o Curso Normal (Didático);
A Mudança da Vila (História de Nova Iguaçu);
Cana, Café e Laranja (História econômica do município iguaçuano - Fund. Getúlio Vargas/INELIVRO)

Aguardavam publicação:
Cemitérios de Iguaçu e Jornais Iguaçuanos (história);
O donzelo e outros contos (contos)



Abaixo publico o recorte do Jornal de Hoje com a manchete de sua morte.


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

A DIFERENÇA ENTRE O GIRAR, O CLICAR E O DESLIZAR

O que você  vai ler a seguir são excertos. 
Para ler o texto na íntegra clique no ícone da barra lateral igual ao que aparece abaixo. 

A DIFERENÇA ENTRE O GIRAR, O CLICAR E O DESLIZAR


Antigamente, poucas coisas fazíamos funcionar usando apenas um dedo ou dois: apertar o botão da campainha ou o botão de chamar o elevador é um bom exemplo. Também podemos incluir aí fazer funcionar o gravador de rolo ou de fita K-7, “tirar“ uma foto ou discar um número de telefone. Isso sem falar do trabalhoso ato de escrever com as velhas Olivetti ou Remington (coisa que algumas pessoas conseguiam fazer usando apenas e tão somente dois dedos).  Ah, e com um dedo também se pedia silêncio! Mas isso, quase sempre, era acompanhado de um sonoro Psssssssiiiu!!...
(...)

Do binário ao quântico

Antigamente as leis da física newtoniana estabeleciam a verdade do sistema, e o pensamento considerava a matéria dimensionada, definida como uma partícula. No passado o pensamento cartesiano era o modelo para o método científico. Então veio a nova física e nos apresentou o estado quântico, onde a realidade não é mais uma via com uma direção e dois sentidos, como uma estrada de duas mãos, mas de infinitas possibilidades. A realidade atual exige que nosso cérebro construa ou compreenda inter-relações que antes não existiam, abandonando a certeza em detrimento das possibilidades. Deve deixar de se comportar como partícula para ser como onda.
(...) 


 A sociedade digital em botão 

A modernidade começa com a hegemonia ou onipresença dos botões, coisa que, como se sabe, aconteceu no século XX com o advento do capitalismo e a exaltação ao consumismo. Também já vimos que é cada vez maior o número de usuários da telefonia celular; isso sem falar do crescimento das vendas de computador pessoal (desktop, notebook, laptop, tablet, ultrabook). E não esqueçamos da TV, presente em 95,1% dos domicílios brasileiros e dos aparelhos de som e vídeo, dos micro system e consoles de videogames.
 (...)

O girar, o clicar e o deslizar 

Nessa perspectiva é possível dizer que a tecnologia do século passado era linear e polarizada, isto é, a ação do sujeito sobre os objetos tecnológicos obedecia a uma sequência lógica, e acontecia invariavelmente entre dois polos. Por exemplo, os aparelhos tecnológicos do passado que usavam energia elétrica funcionavam com relés, disjuntores, chaves, válvulas e potenciômetros. Concorda que tais dispositivos, pelo que acabamos de expor, podem ser considerados binários? Então, tomemos como ilustração uma ação simples do cotidiano da maioria da população mundial: ligar o rádio. A gente ligava o aparelho girando um botão até ouvir um “clic” (como pode ver, já tínhamos o clicar naquela época), que indicava o estado de ligado/desligado. (...)

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Sururu de capote

De repente o vento da saudade me trouxe um cheiro vindo de Maceió, nos anos finais da década de 1960: o cheiro de sururu de capote cozido em panela de barro. 

Imagem: matematicadeaula.blogspot.com
Não sei porque minha memória olfativa me levou nesse "revival", mas tais recordações me encheram a alma de paz. Revi a casinha tão pobre no Vergel do Lago; minha avó materna, que era benzedeira e sabia muitas histórias; minha mãe tão magra, mas tão forte e destemida, com seus cinco filhos, que levou de Nova Iguaçu, no Estado do Rio de Janeiro, para Maceió. 

Nessa época, em Maceió, eu morava com minha mãe e minha avó, mais dois irmãos e duas irmãs, numa pequena (pequena não, minúscula) casa com apenas 3 cômodos e cerca de 18m2. Nosso fogão era a carvão e de barro, feito dentro de um caixote de madeira suspenso por quatro pés. Nele minha avó preparava o sururu de capote, cozido na panela de barro já enegrecido, e usava uma colher feita da metade de um coco atravessada por uma vareta de pau, a guisa de cabo. Eu mesmo fiz uma, quando a primeira quebrou. Até hoje somos (eu e meus irmãos) apaixonados por sururu de capote, de preferência preparados numa penela de barro.


sábado, 14 de dezembro de 2013

Na cuia da tua mão

Dizem que de médico, poeta e de louco todos temos um pouco (mas algumas pessoas tem "de muito"). No meu pouco de médico nada fiz ou faço, de tal forma que acredito nem esse "pouco" ter. No meu pouco de louco... Ah!... Nesse me esbaldo que até me assusto. Mesmo porque viver é a arte de não levar a vida tão a sério. E eu sou feliz!... 

Resta a porção de poeta que todos temos. O meu pouco de poeta começou por volta dos 17 anos e já ocupou todo um caderno que se perdeu numa das minhas mudanças, infelizmente. Sou o que Manuel Bandeira chamava de "poeta bissexto", por isso não escrevi muitos versos, umas 100 poesias (pretensão?) ou pouco mais. Algumas ainda me restam em rascunhos. Mas não importa. O que importa é que quando meu pouco de poeta me contempla, sem nenhuma vergonha, sem nenhum constrangimento cometo meus poemas. E não me acanho em exibi-los, como os versos abaixo, que escrevi há 2 dias para Lenise, minha mulher. 


NA CUÍRA DE CHEGAR AO TEU TERREIRO
AVARANDEI MATAS E RIOS DESSE CHÃO
EM TEU COLO ME CARREGO POR INTEIRO 
FIZ O MEU NINHO NA CUIA DA TUA MÃO.

NO RUMO NORTE UM FAROL QUE ALUMIA
LEVA MEU BARCO NA MARÉ DESSA PAIXÃO
VOU NA SAUDADE NAVEGANDO DE BUBUIA
TENHO MEU NINHO NA CUIA DA TUA MÃO.

A CHUVARADA ME DÁ PRESSA DE CHEGAR
VEM BANZEIRO, VEM MAROLA E CERRAÇÃO
E LÁ VOU EU, QUE VIVER É VELEJAR
EU VOU PRO NINHO NA CUIA DA TUA MÃO

E NO DIA QUE ME CHEGAR A MORTE
E RESTAR APENAS DOCE RECORDAÇÃO
IREI FELIZ PORQUE TIVE A SORTE
DE FAZER MEU NINHO NA CUIA DA TUA MÃO.


(Apresentados primeiro no meu Facebook)

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Imagens Iguaçuanas: Colégio Afrânio Peixoto


No início da década de 1960 eu e Kisnat, meu irmão, fomos estudar o Primário no Colégio Iguaçuano, que ficava do outro lado da estrada de ferro. Para chegar lá a gente atravessava a Praça da Liberdade, um retângulo estreito, passando diante do Cine Verde, subia a escadaria da estação de trens, percorria a passarela e descia pela esquerda ou direita, conforme o caso. A escada da estação ficava entre uma padaria e o famoso Bar OK. Famoso (segundo disse meu pai) por ser nele que surgiu a expressão "a cobra vai fumar", símbolo da FEB, as Forças Expedicionárias Brasileiras na II Grande Guerra.
1961 - Eu e Kisnat, com uniforme do Colégio Iguaçuano, na antiga Rua 13 de Maio.  O prédio á esquerda era do INSS 

Defronte do OK havia, na outra esquina, outro bar e bilhar (acho que se chamava Elite) e uma banca de jornais do Rico, que mais tarde teria outras bancas e uma livraria e papelaria, onde meu velho comprava nosso material escolar.

Acho que da metade da década de 1960 para o final,  meu pai (Waldick Pereira) foi o secretário do Colégio Rui Afrânio Peixoto (Nova Iguaçu-RJ). Eu, meu irmão Kisnat e minhas irmãs Sandra e Margot Lane estudamos lá. No Afrânio comecei o Curso Ginasial. Foi o colégio que mais gostei, que mais marcou minha lembrança, e onde tive a primeira namorada.

O COLÉGIO RUI AFRÂNIO PEIXOTO

O querido e saudoso Prof. Rui Afrânio Peixoto, diretor e dono do colégio, estava sempre com uma bata impecavelmente branca, com seu nome gravado no bolso sobre o coração. Solene como manda o figurino. Além de amigo de meu pai era também padrinho do Kisnat, e  nos recebia sempre com muito carinho. Aliás, ele tratava a todos os alunos com afeto e atenção. A gente reverenciava sua figura austera, porém bondosa, que víamos todos dos dias no recreio, sentado em seu posto estratégico entre os dois pátios.

Ah! Naquele tempo e naquele colégio, meninos e meninas estudavam em salas separadas e tinham recreios separados. Havia o pátio dos alunos, acima e o das alunas, num nível mais abaixo, que era ao mesmo tempo quadra de futebol, vôlei e basquete. Cada um com sua cantina. Separando-os apenas um muro baixo e os degraus da arquibancada, do lado das meninas. De onde estava o Diretor podia observar toda área das duas quadras e vigiava o recreio dos alunos, como um guardião. Eu sempre tive por ele um profundo respeito e admiração.

A primeira biblioteca que entrei foi a da casa do Prof. Rui. A residência, uma construção em dois pavimentos, era edificada no terreno do próprio colégio, à esquerda do caminho. Para mim a casa era enorme, soberba e imponente. Na frente uma varanda em forma de "L" com arcos e colunas. A gente subia por uma escadaria larga, enorme (quando somos criança as distância e espaços parecem maiores do que realmente são).

Me lembro de um pequeno gabinete, onde o Prof. Rui possuía sua estação de radioamador (PY). Dali modulava com o mundo. Ele também gostava de falar com as turmas, mesmo durante as aulas. O colégio possuía um sistema de som com pequenas caixas, que ficavam em cada sala, acima do quadro negro, próximo ao teto. Pelas caixas ele ouvia tudo que acontecia na sala e, ás vezes, se comunicava com a turma. às vezes ouvíamos uns chiados vindos dela, e sabíamos que ele estava na escuta. Então, ficávamos em silêncio, ou quase.

INDO PARA O COLÉGIO

A gente morava numa vila, na antiga Rua 13 de Maio (atual Av. Dr Luiz Guimarães) - que hoje só existe na minha lembrança. Todos os dias percorríamos a 13 de Maio, passando defronte de uma grande horta (que ocupava a área por baixo das torres e fios da Light; hoje passa a Via Light). No outro lado da rua ficava o prédio da Light, onde pagávamos a conta de luz, e mais adiante o Instituto Rangel Pestana, e mais além a velha estação rodoviária.

Dobrávamos á direita na Amaral Peixoto. Nessa esquina, no prédio particular de 3 andares que ainda está lá, em 1970 seria instalado o Instituto Histórico e Geográfico de Nova Iguaçu-IHGNI (fundado anos antes pelo meu pai e vários amigos, como o prof. Ney Alberto G. de Barros, o já citado Rui Afrânio, Zanon de Paula e outros que não lembro) e a Assessoria de Museu e Patrimônio Histórico da Prefeitura, numa sala do 2ª andar (o terceiro andar seria ocupado pela Secretaria de Educação da Prefeitura).

Na Amaral Peixoto passávamos em frente da antiga loja de roupas DUCAL (Ducal=DUas CALças), dobrávamos na Travessa Martins e desembocávamos na Praça da Liberdade,  - quase sempre meu pai parava na banca de jornais do Rico. Daí seguíamos pela Floriano Peixoto até a catedral, onde atravessávamos a cancela da estrada de ferro bem em frente (anos depois fariam uma passarela no local). Subíamos a Dr. Timbau, a Abílio Augusto Távora e, depois de percorrer mais de 3 km, chegávamos no colégio Afrânio Peixoto, na base do morro.
Subindo para o Colégio Rui Afrânio Peixoto
Entrávamos no colégio subindo uma ladeira (foto by Google) calçada de paralelepípedos. Passando do portão havia à esquerda um local onde deixávamos nossas carteirinhas de estudantes, que naquela época mais parecia um pequeno caderno de anotações. Dali eram levadas para a secretaria e devolvidas no final da aula com o carimbo de PRESENTE no dia correspondente.

A gente seguia subindo em direção as salas de aula. Havia muitas árvores e muitos passarinhos, no enorme terreno da escola. Uma das atividades que os professores de arte passavam era construir casinhas de passarinho. Essas casinhas eram depois penduradas nas árvores mais próximas da área central do colégio. No início de 2000 fui rever o Colégio e visitar o velho Prof. Rui. Continuava com sua indefectível bata branca, o nome gravado no bolso superior esquerdo, a mesma simpatia e desejo de ensinar: me ensinou a reconhecer as notas musicais usando a mão fechada e os nós do punho, mas já esqueci.


terça-feira, 13 de agosto de 2013

O Comercial do CCAA e a última flor do Lácio

O comercial do CCAA & a última flor do Lácio

Mesmo correndo o risco de ser mal interpretado (o que provavelmente acontece - e acontecerá), eu costumo dizer que duas pragas se abateram sobre o mundo: o Cristianismo e o Americanismo.

Em nome do  Pai, Filho e Espirito Santo. Amém!
Segundo o IBGE de 2010 o Brasil ainda é a maior nação católica do mundo. Cerca de 65% da população é de católicos, contra mais de 22% de evangélicos.

Ora, todos sabemos que em nome do Cristo, indivíduos isolados e mesmo alguns povos, cometeram - e cometem - as piores barbaridades contra seus semelhantes. Desde tempos remotos que em nome do crucificado diversas religiões (da católica às evangélicas) não só tem explorado a boa fé de seus fiéis, como também estimulado a desunião, o confronto, a segregação e, até mesmo, o extermínio. Justificam suas ações com as seguintes palavras: "MEU Deus, MINHA fé etc".
 

The American Way of Life...
De acordo com a Carta Magna dos EUA (a Declaração de Independência dos Estados Unidos da América), é direito inalienável de todo americano a liberdade e a busca pela felicidade. Os americanos do norte acreditam-se superiores aos demais povos; acreditam na supremacia de sua democracia - dita livre, mas só para eles. Para eles, "o estilo de vida americano não pode ser ameaçado e nem negociado" (wikipédia), e isso justifica toda e qualquer ação contra indivíduo, grupo ou nação que possua algo que os EUA deseja. É isso que chamo de "americanismo".

Foi assim durante a Guerra Fria, foi assim contra o Afeganistão e o Iraque, e tem sido assim com relação a Amazônia (foco de interesses desde século 18) e tem sido assim com a cultura e economia brasileira.

O domínio pela aculturação
Durante o governo do Gal. Castelo Branco, o 1º presidente do regime militar - golpe militar que foi apoiado pelos EUA -, Juracy Magalhães, então embaixador do Brasil nos EUA, cunhou a célebre e malfadada frase: O que é bom para os Estados Unidos, é bom para o Brasil. De lá pra cá, o inglês faz cada vez mais parte de nosso vocabulário, principalmente na comunicação e propaganda; até parce que o Brasil adotou outra língua, apesar de ter o 6º idioma mais falado no planeta.

E assim chegamos ao foco dessa postage: o comercial criado pela NBS para a rede de idionas CCAA, com o ator norte-americano Samuel L. Jackson.  O comercial mostra dois brasileiros que se "ferram" sempre que erram no inglês. Fiquei incomodado desde a primeira vez que o assisti. Pensei lá comigo: "Quer dizer que brasileiro que fala mal o inglês tá ferrado se for para os EUA, mas o norteamericano pode vir para o Brasil sem saber falar português?".

Acho que todos devemos aprender outro idioma, por razões óbvias. Mas penso que o brasileiro deve, antes de tudo e fundamentalmente, se apropriar corretamente de sua língua (falada e escrita). Só então se aventurar noutras plagas linguísticas. Então, como a cultura de um povo, que de maneira geral é semialfabetizado, poderá resistir ao ataque maciço da mídia que mostra ser a língua nativa um obstáculo ao progresso e desenvolvimento do indivíduo? Por favor me respondam em bom e sonoro português.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

A vida é a arte do encontro...

Meu blog anda bastante desatualizado, embora haja tanta coisa acontecendo ao meu redor e mesmo em meu interior... 

Qualquer dia desses retomo esse espaço com maior frequência pra falar, por exemplo, do meu olhar sobre as manifestações que pipocam por todo Brasil; ou sobre meu livro de contos, a ser publicado com incentivos da Lei SEMEAR; ou dos trabalhos que eu, Cleonice Dourado e Vanja Vilhena estamos desenvolvendo nas salas de informática educativa-SIE da Escola de Aplicação da UFPA.

De momento quero, simplesmente, prestar uma homenagem a minha mulher, amiga e companheira Lenise Maria, que aniversariou na segunda-feira próxima passada (24/06), e a quem dediquei o texto abaixo, publicado originalmente no meu Facebook.

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"A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida". Encontrar alguém não é uma coisa que acontece por acaso. A gente não diz: hoje vou encontrar o amor da minha vida, sai de casa e topa com a pessoa na primeira esquina.O encontro é a culminância da busca. Buscar é a procura feita de dentro pra fora. Na minha vida encontre mulheres que amei profundamente por anos, e fui feliz. Mas a vida é feita de encontro e desencontros... 

E os desencontros são necessários na busca pelo definitivo.

Buscar não é perseguir. O amor não se persegue. Meu pai, num poema, ensinava que o "amor que se persegue é fantasia, romance medieval que a ilusão cria na alma do triste, desiludido e só."

Poucos são os que podem afirmar: minha busca chegou ao fim. Há mais de 7 anos encontrei em Lenise Oliveira o que digo ser o amor de minhas vidas (das passadas, da presente e das futuras). Minha busca chegou ao fim.

Hoje ela está aniversariando e sou eu o presenteado pela bênção de tê-la como companheira. Por isso abro esse texto com o poeta Vinicius e seu Samba da Bênção. FELIZ ANIVERSÁRIO, QUERIDA!

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Congresso Brasileiro: um galinheiro na mão das raposas

Ao olhar para meu blog hoje, me veio à cabeça uma antiga canção d'Os Mutantes que dizia: "Ando meio desligado..." (no meu caso descuidado). Amigos me cobram atualizações. E eu mesmo me cobro, pois que gosto de escrever, porém ando me sentindo um tanto "cansado", minha gente... 

É um cansaço que não sei direito de onde vem, nem porque veio... Quando se trata de gestar e produzir intelectualmente algo (como um texto) que eu goste de ter feito, paira em e sobre mim uma dormência que põe as musas nos braços de Morfeu. Por isso, a postagem de hoje é um CTRL+C , CTRL+V do  site da BBC Brasil (Veja original AQUI)


Raposas cuidam do galinheiro em  Congresso do Brasil, diz FT

Atualizado em  12 de abril, 2013 - 08:39 (Brasília) 11:39 GMT
O deputado Marco Feliciano. | Foto: Agência Brasil
Jornal diz grupos de interesse ligados a deputados perpassam linhas partidárias
O jornal britânico Financial Times afirma que no Congresso brasileiro "a raposa está frequentemente cuidando do galinheiro".
Entre as supostas ''raposas'' citadas pelo diário, estão o deputado e pastor evangélico Marcos Feliciano, que preside a Comissão de Direitos Humanos do Congresso e que fez uma série de comentários considerados racistas e homofóbicos; o novo presidente da Comissão de Finanças e Tributação, João Magalhães, que responde a processo por corrupção no STF; os petistas José Genoino e João Paulo Cunha, condenados no processo do mensalão, que integram a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania e Blairo Maggi, atual líder da Comissão do Senado para o Meio Ambiente e um dos maiores produtores mundiais de soja.
Segundo o jornal, o Congresso "é refém de diversos grupos de interesse que podem mudar suas alianças a qualquer momento".
De acordo com o Financial Timesas comissões brasileiras, ainda que sem dispor de um poder remotamente comparável ao das comissões do Congresso americano, ''são simbólicas dos poderosos grupos de interesse que atuam na política brasileira, comuns a todos os partidos".
É por esse motivo, acrescenta o jornal, "que os presidentes brasileiros normalmente tentam incluir o máximo possível de partidos em seus ministérios''.
Mas o diário comenta que ainda assim a presidente Dilma Rousseff não consegue assegurar "a lealdade do Congresso".
O diário lista como derrotas da presidente no Congresso, a tentativa de aprovar um "Código Florestal mais simpático ao meio ambiente'', que acabou sendo frustrada pelo bloco ruralista, e a ''batalha que ela perdeu'' pela distribuição igualitária de royalties do petróleo entre os Estados, com "os congressistas votando de acordo com seus interesses regionais".Clique
No TOP BLOG 2011 ficamos entre os 100 melhores da categoria. Pode ser pouco para uns, mas para mim é motivo de orgulho e satisfação.
Sou muito grato a todos que passaram por essa rua que é meu blog e deram seu voto. Cord ad Cord Loquir Tum