quinta-feira, 13 de agosto de 2015

A Lista de Kreüther

Dia desses, vasculhando velhos livros, encontrei entre as páginas de um deles uma folha de papel fino, dobrada em quatro e já amarelecida. No topo uma data, seguida por uma lista escrita a lápis. Era a lista de coisas que eu gostaria de realizar na vida; ou seja, eram os sonhos que eu acalentava naquela época. Eu tinha 15 anos quando escrevi essa lista.

Trapiche do bondinho - Macapá- Foto: Franz
A última vez que a vi foi em 1980 (uma anotação à caneta me revelou isto), quando desembarquei aqui no Pará. Hoje, aos 62 anos, reler tal lista foi como reencontrar um garoto ingênuo, romântico, profundamente sonhador, com uma pitada de vaidade e exibicionismo. Mas que acreditava, acima de tudo, que a realização e a felicidade não estão na busca da riqueza e de bens materiais, mas na satisfação do espírito e da mente.

Minha lista tem apenas 37 itens ou ações – como se vê nunca fui muito ambicioso.  Entre os desejos expressos há muita tolice, como “viajar num disco voador”; “ser fotografado num Fórmula 1”, “montar num elefante” ou “ter uma coleção diferente” (não me pergunte de quê). Há desejos de pura tietagem, como conhecer os irmãos Vilas Boas e José Vasconcelos, mas também coisas um tanto estúpidas como ser fotografado num Formula 1,  “caçar em Mato Grosso” ou “ter um mini zoo” (embora em 1980 tivesse um filhote de jacaré, duas jiboias, macaco prego, papagaio, arara, jaboti... ).

Enquanto 4 ou 5 dos desejos listados ficaram pela metade (um ou outro ainda pode ser finalizado, viu?) uns sequer foram intentado. E há aqueles que jamais se realizarão...  Mas não importa! O que essa lista revela é uma verdade conhecida: nunca fugimos às nossas tendências, àquilo que nos impulsiona interiormente; ao desejo de nossa alma. Em menor ou maior proporção daremos sempre vazão a esse impulso.

Devemos admitir que a gente não chega a ter, exatamente, uma visão muito séria, filosófica e intelectual da vida aos 15 anos. Porém, é possível ter uma visão um tanto “profética”? Talvez.

O fato é que estou satisfeito em ter conseguido realizar, por inteiro, 1/3 do que listei. Por exemplo: Saltei de paraquedas (fui soldado PQD do Exercito); cursei faculdade (Licenciado Pleno em Física, mas estudei Edificações na antiga ETFCSF/RJ e Arquitetura -até o 2º ano- em Belém); 1º Salão de Artes Plásticas da SESNI (atual Universidade Iguaçu- 1º lugar, categoria desenho); já visitei uns 16 ou 17 estados e apenas 2 países da A. do Sul; Programa Sexto Sentido na Rádio Cultura FM (em 1988 produzi e apresentei); Instituto Paraense de Parapsicologia-IPP ( membro e Presidente do Conselho Científico); palestras (fiz e ainda faço); fiz cursos de fotografia; fui radioamador (faixa do cidadão-PX 8D-46401); casei , tenho 3 filhos e plantei árvores; já publiquei livros e tem mais no forno!

Eu sou  feliz! Mas para me considerar realizado só me falta ter netos!...

Abaixo mostro a lista que fiz em 1968, confesso que com um pouco de constrangimento pela ingenuidade, mas estou certo que quem ler perdoará.

1 –  Visitar todos os estados do Brasil
2 – Ser arqueólogo e encontrar um tesouro pré-histórico
3 –  Pilotar um avião
4 –  Saltar de Paraquedas 
5 – Visitar toda América do Sul; México, Índia, Egito, Japão e alguns da Europa.
6 – Aprender Inglês, Francês e Espanhol.
7 – Construir um telescópio
8 – Projetar uma obra arquitetônica
9 – Cursar uma faculdade (se possível de Engenharia Civil)
10 – Praticar pesca submarina e capturar um grande peixe
11 – Caçar em Mato Grosso
12 – Aprender a tocar uns instrumentos
13 – Patentear um invento
14 – Ter um quadro exposto numa mostra de artes
15 – Visitar um Disco Voador
16 – Construir um mini submarino
17 – Viajar num submarino
18 – Ter um mini zoológico particular
19 – Visitar a Ilha de Páscoa
20 – Editar um livro
21 – Ter alguma participação artística no teatro, rádio e televisão
22 – Conhecer José Vasconcelos e sua Vasconcelândia
23 – Escalar o Pico da Neblina
24 - Conhecer os irmãos Vilas Boas
25 – Fazer um curso de Fotografia
26 – Ser radioamador
27 – Fotografar-me num Formula 1
28 – Realizar palestras
29 – Conhecer Parapsicologia e Esoterismo
30 – Andar a cavalo
31 – Andar de esqui e patins
32 – Ter um retrato pessoal pintado a óleo  
33 – Casar, ter um filho e planta uma árvore
34 – Ter uma coleção diferente
35 – Montar num elefante
36 – Realizar 100 acampamentos
37 – Ter netos.

E você, também fez sua lista? Quanto dela já realizou?

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Produção científica e lixo acadêmico no Brasil

 Transcrevo abaixo a matéria publicada pela Folha de São Paulo. (clique aqui para visitar o site)
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ROGÉRIO CEZAR DE CERQUEIRA LEITE
TENDÊNCIAS/DEBATES

Produção científica e lixo acadêmico no Brasil

A resistência dos medíocres e a falta de coragem política das autoridades impedem o crescimento da ciência de alta qualidade no nosso país
Dois artigos publicados recentemente pela revista britânica "Nature", especializada em ciência, deixam o Brasil e, em especial, a comunidade acadêmica brasileira, profundamente envergonhados.
A "Nature" nos acusa, em primeiro lugar, de produzir mais lixo do que conhecimento em ciência. Nas revistas mais severas quanto à qualidade de ciência, selecionadas como de excelência pelo periódico, cientistas brasileiros preenchem apenas 1% das publicações.
Quando se incluem revistas menos qualificadas, porém, ainda incluídas dentre as indexadas, o Brasil se responsabiliza por 2,5%. O que a "Nature" generosamente omite são as publicações em revistas não indexadas, que contêm número significativo de publicações brasileiras, um verdadeiro lixo acadêmico.
O segundo golpe humilhante para a ciência brasileira exposto pela revista se refere à eficiência no uso de recursos aplicados à pesquisa. Dentre 53 países analisados, o Brasil está em 50º lugar. Melhor apenas que Egito, Turquia e Malásia.
Tomemos um exemplo. O Brasil publicou 670 artigos em revistas de grande prestígio, enquanto no mesmo período o Chile publicou 717, nessas mesmas revistas. O dado profundamente inquietante é que enquanto o Brasil despendeu em ciência US$ 30 bilhões, o Chile gastou apenas US$ 2 bilhões.
Quer dizer, o Chile, que aliás não está entre os primeiros em eficiência no mundo científico, é 15 vezes mais eficiente que o Brasil. Alguma coisa está errada, profundamente errada. A academia brasileira, isto é, universidades e institutos de pesquisas produzem mais pesquisa de baixa do que de boa qualidade e as produz a custos muito elevados. Há certamente causas, talvez muitas, para essa inadequação.
A primeira decorre de um "distributivismo" demagógico. É evidente que seria desejável que novos centros de pesquisas se desenvolvessem em regiões ainda não desenvolvidas do país. Mas é um erro crasso esperar que uma atividade de pesquisas qualquer venha a desenvolver economicamente uma região sem cultura adequada para conviver com essa pesquisa.
Seria desejável que investimentos maciços fossem aplicados em pesquisas em instituições localizadas em regiões pouco desenvolvidas, mas cujo meio ambiente é capaz de absorver os benefícios dessa inserção.
O segundo mal que é causa inquestionável da diminuta e dispendiosa produção de conhecimento é o obsoleto regime de trabalho que regula a mão de obra do setor de pesquisas em universidades públicas e na maioria dos institutos.
O pesquisador faz um concurso --frequentemente falsificado-- no começo de sua carreira. Torna-se vitalício. Quase sempre não precisa trabalhar para ter aumento de salário e galgar postos em sua carreira. Ora, qual seria, então, a motivação para fazer pesquisas?
O terceiro problema é o sistema de gestão de universidades públicas e instituições de pesquisa, cuja burocracia soterra qualquer iniciativa dos poucos bem-intencionados professores e pesquisadores que ainda não esmoreceram.
Pois bem. Há uma fórmula que evita todos esses males e que já foi experimentada com sucesso em algumas das instituições científicas do Brasil: a organização social. A resistência dos medíocres e parasitas e a falta de coragem política de algumas de nossas autoridades impedem a solução desse problema.

    sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

    À ESQUERDA DA PESQUISA À DIREITA DA PRÁTICA: UM NOVO REFERENCIAL PARA O PROFESSOR TENDO POR BASE AS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO

    Esse artigo, cujo link vai abaixo, foi escrito em 2004 para um projeto literário (coletânea). Infelizmente o livro não saiu, mas eu trabalhei com esse texto em alguns cursos que ministrei, e mesmo certos amigos que conheceram o artigo e gostaram, tiraram cópias que depois foram utilizadas e referenciadas noutros cursos. 

    Hoje, preparando material para uma disciplina que ministrarei na Pós-Graduação Lato Sensu em Educação Profissional Integrada à Educação Básica na Modalidade EJA-PROEJA, no PRONATEC da UFPA que se inicia na próxima semana em Belém e Abaetetuba, resolvi rever e trabalhar esse texto, que apesar de ter 10 anos, ainda mantém-se atual. Confira pelo link abaixo.
    Clique na imagem para ler o baixar o texto
      



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