quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

CHUPA ESSA MANGA

Amigo Leitor, não sei se você sabe, mas essa Nossa Senhora de Belém do Grão Pará (para os íntimos é simplesmente Belém), é conhecida como "a cidade das mangueiras", a "magueirosa", em virtude da quantidade de mangueiras existentes em praticamente todas as ruas da cidade.
Não sei quantas árvores dessas a cidade Portal da Amazônia possui, mas sei que algumas são centenárrias, e é um prazer inusitado quando o turista se deparar com um túnel de mangueiras. Bem, pelo menos comigo foi assim ao ver o tamanho e a beleza desses túneis formados pelas copas das mangueiras.
Mas no tempo das chuvas as mangueiras causam alguns transtornos: suas folhas entopem bueiros e seus frutos, frequentemente, atingem carros e passantes; isso sem contar que suas raízes destroem calçadas. Tá certo que as mangas, quando caem sobre os carros, amassam a lataria ou quebram os parabrisas; e quando acertam uma cabeça, então? Só quem já levou uma mangada no cocoruto ou já viu alguém cabalear ao ser sido atingido sabe o que digo. Uma amiga professora, ao ser atingida pela manga, recolheu sua agressora do chão e cravou-lhe os dentes, não por vingança, mas porque manga madura é deliciosa, e o paraense tem o hábito de apanhar as mangas que caem. Alguns até param, tranquilamente, o carro ao lado da fruta e abrem a porta para recolher a danada.
No ano passado meu carro levou duas mangadas que apenas amassaram a lataria, mas em 2007 o carro da minha mulher levou três, e uma quebrou o parabrisa, dando um prejuízo de R$ 200 reais. Impertubável, Lenise parou o carro, apanhou a manga do chão, e quando chegou em casa disse para a caçula: Amanda, cupa essa manga. Ela vale duzentos reais!!!
Ah! Você sabia que o belemense é o único cidadão no mundo que tem um seguro especial para seus carros: o seguro contra mangadas? É isso mesmo, um seguro contra a quebra do parabrisa por queda de manga. Desde então Leca tem esse seguro.
Para mim nada disso é relevante, perto do prazer de contemplar essas magestosas árvores ou caminhar à sua sombra, num dia canicular tão comum nessas paragens nortistas. No entanto, li que estão querendo acabar com as mangueiras do centro da cidade. Querem tirar essa beleza toda, só porque alguns acham que as mangueiras dão rejuízos? Que coisa mais estúpida!

3 comentários:

Anônimo disse...

Oi, Franz: estou sempre procurando na internet por gente trabalhadora na educação; achei mais um colega batalhador e deixo aqui os meus parabéns, porque a sua página além de muito bem feita evoca lembranças muito saudosas desta paraense. Um abraço e muito sucesso; ficarei leitora.
Doralice Araújo, professsora de Redação, em Curitiba

www.gazetadopovo.com.br/blog/namira

Dani Benaion disse...

Lindo texto! Aliás emocionante! Eu que estou fora da minha 'cidade morena' curssando o mestrado em Bh até fevereiro, pude matar as saudades do linguajar paraense, que faço questão de valorizar aqui no sudeste onde me encontro por esses dias.
Absurdo acabar com nossas mangueiras, absurdo cultivar essa idéia tola. precisamos nós, blogueiros, amantes de Belém, e educadores, levantar essa bandeira contra esse tipo de imbecilidade.
Franz, você está de parabéns!!!!!
Um enorme abraço!

Anônimo disse...

Gostei, Franz, do texto sobre nossas mangueiras e mangueirosas. Eu, com meus 68 anos , me identifico muito com elas (as mangueiras ) creci com elas , ali na Mundurucus defronte do Ideal, onde Da. Graziela ( minha mãe ) ainda mora. No inverno era uma festa da neninada: paneiros na mão (cadê os paneiros, só plásticos...)enchendo de mangas de coco, pequenas e gostosas ( as mangas...)quase em extinção. Algumas árvores ali na Pres. Pernambuco na calçada do da Sec. de Saúde.. Saudosa lembrança.. Não vamos deixar acabar com as nossas mangueiras...

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