domingo, 31 de agosto de 2008

Formação de Professores X Salário

Esse post é resultado de uma discussão que mantivemos numa das listas que participo, a "Blogs Educativos". Nela pintou uma discussão sobre Formação de Professores X Salário, e uma das colegas listeiras disse:"É esse mesmo o X da questão: SALÁRIO. Enquanto professor tiver salário e fome, não dá pra mais nada, não tem conversa."

Eis minha resposta: Todos concordamos que o salário do professor é humilhante (de outras categorias com nível superior tb, mas não vem ao caso). No entanto, quando alguém se candidata ao magistério sabe de antemão que o salário é baixo, então pq. continua?

Note bem, não estou condenando os esforços de nossa categoria em buscar melhorias (seria um imbecil se o fizesse), tb não estou querendo dizer que a gente deve se sentir satisfeito com o que tem e ganha, porém não concordo com o argumento de que se o professor ganha pessimamente então suas limitações estão justificadas, e o ensino por isso mesmo e' a, com perdão da má palavra, merda, que se observa.

Sou professor desde o segundo ano de faculdade (1977), e na rede pública paraense há quase 27 anos. Enfrento/enfrentei os mesmos problemas de todos quanto a salário, condições de trabalho (3 turnos, gastrite etc), dificuldades na formação continuada etc. Sei bem o que é esse nosso penar profissional. Para terem uma idéia, quando cursava o mestrado e sai de sala de aula, meu salário caiu quase à metade. E olhe que eu não paguei estes cursos, pois minhas especializações, o mestrado e o doutorado (que abandonei) foram em universdades públicas, pq não podia pagar uma particular.

Como sempre digo: quando vc segue o coração pode se arrebentar de verde e amarelo, quebrar a cara, mas não pode se arrepender. Amazonicamente, Franz

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Proinfo Integrado e Formação de Professores

Oi, amigo leitor. Começou dia 25/08 e encerrou-se hoje, dia 27/08, no Hotel Hilton aqui em Belém, mais uma etapa de formação do Curso de Tecnologia na Educação: ensinando e aprendendo com as TIC (100h). São cerca de 150 professores multiplicadores dos Núcleos de Tecnologia Educacional –NTE de 7 estados da região Norte: Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Roraima, Rondônia e Tocantins. Este é continuação da formação da etapa de 40 horas, iniciada na Academia de Tênis, em Brasília, onde estivemos no mês de junho passado.

O ProInfo é um programa da Secretaria de Educação a Distância - SEED/MEC criado em 1997 em parceria com as Secretarias de Educação Estaduais e Municipais, para promover o uso pedagógico das Tecnologias da Informação e Comunicação –TIC na rede pública de ensino fundamental e médio.

Durante o último governo o Proinfo ficou num estado hibernativo e quase se esfacela. Nalguns estados praticamente ficou inoperante e alguns NTE chegaram a fechar, e seus professores,todos com especialização em Informática na Educação, obrigados a abandonar a causa. Aqui no Pará, p.ex. o programa ficou sendo cozido em banho-maria.

Até parecia que melhorar o processo de ensinar e aprender , mediante a inclusão de computadores em rede nas ações pedagógicas das escolas públicas, não era responsabilidade de um governo que considerasse a Educação uma prioridade nacional. Desmembrado e quase falido, o programa veio se arrastando até que recebeu um ânimo novo ao constituir, junto com outros programas federais, o Programa Nacional de Tecnologia Educacional - Proinfo Integrado (MEC/ SEED), cujas disposições estão no Decreto Presidencial nº 6.300, de 12/12/2007.

Mas como bactérias resistentes, os professores multiplicadores permaneciam na luta por uma educação pública de melhor qualidade, com a certeza que essa melhoria de qualidade pode advir do uso da Informática como uma ferramenta didática e pedagógica.

Por isso nos que gostamos de ensinar no estado da arte, estamos satisfeitos em ver a retomada deste programa tão importante e significativo para a educação pública nacional. Esperamos somente que a resistência que encontramos em muitos professores de sala de aula desapareça, e que haja políticas públicas nas esferas estaduais e municipais que, efetivamente, garantam o cumprimento dos objetivos deste programa, e que o MEC tenha coragem para cobrar dos seus parceiros quando isso não acontecer.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Dia do Folclore e a saudade

Hoje (22/08) comemora-se no Brasil o Dia do Folclore, e me lembrei do dia em que participei do Concurso Folclore Amazônico, promovido pela Academia Paraense de Letras, e tive meu trabalho "Painel de Lendas e Mitos da Amazônia" premiado (1º lugar) com a publicação.

No dia da premiação uma elegante senhora chegou-se a mim e se apresentou como Maria Brígido, Presidente da Comissão Paraense de Folclore, e me fez um dos mais honrosos convites que já recebi:ingressar na Comissão. Era o ano de 1993, e na ocasião entrava também um jornalista e escritor paraense que se tornaria um dos meus mais diletos amigos: Walcyr Monteiro, autor de Visagens e Assombrações de Belém e de Histórias do Caboclo do Pará.

Os novos e antigos membros da CPF, ligados por ideal de espírito e de mente, logo constituíram uma sólida fraternidade. Tínhamos agradabilíssimas reuniões semanais no apartamento da Maria Brígido, na esquina da 14 de Março com Avenida Nazaré, onde pontuavam a careca lustrosa e intelectual do Acyr Castro, a profundidade do Dr. Guaraciaba da Gama, a sapiência antropológica de Anailza Vergolino, a elegância e doçura do maestro Adelermo Matos, o humor do meu mui querido Dr. Maurício Queima Coelho de Souza, a voz personalissima do estimado radialista Sandro Vale, a fala mansa e tranquila do tesoureiro Pedro Rocha, dentre outros. 

A Amazônia tem muitos rios, mas em todo mundo corre o rio do tempo, que não pára. Assim, a antiga Comissão Paraense de Folclore-CPF é o atualCentro Paraense de Estudos do Folclore , e alguns desses companheiros já não se encontram nesse plano de existência. Por isso hoje, Dia Nacional do Folclore, eu gostaria de fazer desta postagem uma breve homenagem à memória dos companheiros que contribuíram para a pesquisa e a divulgação do folclore paraense, e que deixaram saudades, como nossa querida ex-presidente MARIA BRÍGIDO, batizada carinhosamente pelo Maurício de "a Papisa", Maestro ADELERMO MATOS e o carismático MAURÍCIO QUEIMA COELHO DE SOUZA. A eles meu muito obrigado.

Na foto, tirada no dia do lançamento de meu livro na Academia Paraense de Letras (1994) aparecem os três amigos citados aqui: à minha direita Maria Brígido, seguida pelo Mauricio e, como sempre de terno, o maestro Adelermo.
Na foto acima, capa (desenho do autor) da edição impressa em 1994.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Tenho recebido de alguns amigos do grupo Blogs Educativos mensagens informando que o vídeo sobre a compra da Amazônica (veja postagem abaixo)não passa de brincadeira de uma agência de publicidade, uma estratégia de marketing do guaraná Antártica. Por exemplo, veja um trecho da mensagem que recebi da colega Conceição: ...............

Ao ver uma propaganda devidamente anunciada através dos seus tempos/espaços reconhecidos, a gente sabe do que se trata. O que não é o caso deste vídeo, pois a forma como foi realizado e principalmente a forma como foi veiculado, induz-nos à crença de que é verdadeiro. Atenciosamente (gostaria de algo tão sonoro quanto o seu amazonicamente...) Conceição.......

Ainda que o vídeo seja uma peça de propaganda, penso que devemos ficar de orelha em pé, pois conhecendo a ganância dos EUA sobre a região não me admiraria se por traz da "mentirinha" houvesse uma intenção verdadeira: não dizem que e' brincando que muita gente diz o que quer?

Particularmente eu nao acho graça numa peça de propaganda que recomende a compra da Amazônia alegando que o povo brasileiro não sabe cuidar de seu patrimônio.

Amazonicamente, Franz

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Amazônia: questão de soberania nacional

Hoje recebi um e-mail com o vídeo a seguir. Talvez você, caro amigo leitor, já tenha assistido, mas nunca é demais a gente se manifestar contra essas invasões de nossas fronteiras, seja invasão cultural, seja econômica, seja política, seja de brincadeira, seja à vera. Então lá vai meu manifesto.

Corre pela Internet uma série de mensagens que colocam as terras da região amazônica brasileira como foco de interesses alienígenas, mormente norte-americanos, que pretendem internacionalizar a Amazônia. Há, inclusive, um livro didático de Geografia distribuído nas escolas dos EUA que remodelou o mundo para atender essa ambição. Segundo ele, a Amazônia não pertence ao Brasil (veja aqui). Ora, vão se catar! Essa praga capitalista age como se nossas terras tupiniquins, pátria amada salve salve Brasil, fosse a casa da mãe Joana!!...

Desculpem, mas em qualquer brasileiro essas notícias causam profunda revolta e indignação. O fato é que essas msgs são frutos de uma campanha movida pela imprensa internacional que divulga a idéia imperialista de que o governo brasileiro não sabe cuidar da floresta, que a Amazônia pertence ao mundo e que por isso mesmo deve ser controlado por esses cretinos norte-americanos, por um cartel de países desenvolvidos, ou em última instância pela ONU.

Os interesses do Capital sobre a Amazônia são antigos, seculares, e se de um lado conta(va) com ajuda de entreguistas, por outro sempre enfrentou resistência de espírito nacionalistas. Não podemos desprezar o trabalho de Rondon, por exemplo, que buscava “Integrar para não entregar”. Por outro lado, diante das questões ambientalistas atuais também não podemos nos fazer de lesos (termo paraense para abestado ou idiota), pois por trás de alguns desses movimentos ambientalistas ou missionários estão as garras da águia americana e o olho do Tio San. A canalha e gananciosa política norte americana produz muito mais malefícios que benefícios ao mundo.

Eu, que vivo no Pará e costumo trabalhar com formação de professores nalguns municípios interioranos, vejo de perto muito dos problemas causados pelo desmatamento, mas o fato é que todo esse mal terrível é causado por dois fatores: a pata do boi e o comércio de madeira para exportação. E como o consumismo mundial está crescendo (vejam que a economia da China está num patamar de potência capitalista, logo temos 1/5 da população mundial com poder de compra cada vez maior...), de uma coisa tenho certeza, nem a população mundial irá parar de consumir carne, nem de necessitar de madeira: não se pode parar o rolo compressor progresso.

A única coisa que me preocupa é: que mundo, que Terra, deixarei para meus netos? Certamente não será melhor que aquele que meu avô deixou para meu pai e o que este me legou. Certamente. Infelizmente!

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Formação (des)Continuada em Informática Educativa

Esse inicio de semestre, depois das já saudosas férias de julho, sempre vem carregado de trabalho, mormente para nós que lidamos com formação de professores.

Hoje (18/08) as escolas estaduais paralisaram suas atividades como forma de protesto pelo não cumprimento do prometido pelo governo (PT) na greve do mês de maio passado, quando 95% das escolas estaduais ficaram fechadas por cerca de 45 dias. A greve, como era de se esperar, foi considerada abusiva pelo TJE, e a categoria saiu sem receber o que almejava e ainda tendo que repor as aulas perdidas com a paralisação.

Talvez por isso, o curso de Formação de Professores em Tecnologias na Educação, com carga horária de 100h (72 presenciais e 28 a distância), que o Núcleo de Tecnologia Educacional-NTE (SEDUC) começou na semana passada, esteja hoje com apenas 6 dos 15 professores inscritos. Enquanto isso, o Núcleo de Informática Educativa-NIED (SEMEC), começou hoje mais um curso de formação para professores que pretender ser lotados nas salas de informática de escolas da rede municipal de ensino, com uma participação maciça, também com CH de 100h, mas presenciais.

Ambos são ministrados na plataforma Linux. No NTE empregamos o Linux BOTOSET, uma solução desenvolvida pela SEDUC e UFPA, e os inscritos recebem a apostila “Tecnologias na Educação: Ensinando e Aprendendo com as TIC” (135 pgs.); no NIED usamos o Linux Educacional 2.0, do MEC e os cursistas também recebem uma apostila volumosa e um CD com todo material do curso.

Cursos como estes que ministramos nestes dois órgãos, quando são executados por instituições privadas (como acontece aqui com uma universidade particular) tem um custo que pode dificultar a participação de alguns professores, por isso ficamos um tanto decepcionados quando vemos uma turma ficar com um número tão reduzido de participantes.

Pode ser impressão, mas tenho observado que, em se tratando de Informática na Educação, os professores do município mostram-se mais empenhados que os da rede estadual. Não sei se é porque eles trabalham com alunos do Ensino Básico e Alfabetização; se é porque a rede de servidores é menor e o professor(a) fica mais próximo da Secretária de Educação, ou porque a cobrança da Coordenação do NIED é maior, tanto no planejamento das atividades da sala de informática quanto no atendimento aos aluno.

Também não sei se é porque o uso de computadores na educação pública estadual já vai para duas décadas sem que tenhamos resultados satisfatórios., ou porque as políticas públicas para o setor sejam deficitárias na rede estadual. Só sei que me dói ver tanto investimento em equipamentos e em recursos humanos não chegar ao aluno e nem propiciar melhorias na forma de ensinar e aprender.

*A ilustração é a área de trabalho do Linux BotoSET, com destaque para o paneiro de açaí.

domingo, 17 de agosto de 2008

A bucólica Mosqueiro

Hoje vou levar você, amigo leitor, para onde fui passear ontem: à bucólica vila do Mosqueiro, uma ilha a cerca de 70 km de Belém. Bucólico é um termo relativo ao campo e aos pastores, evocando um lugar para descanso e paz junto à natureza. Na literatura, o bucolismo é um estilo poético que evoca a natureza, com sentimentos de escapismo e tom pastoril, e se relaciona às escolas clássicas e árcades (neoclássicas).

Gosto de Mosqueiro fora da época do veraneio, pois no verão a ilha costuma atrair em média de 280 a 300 mil pessoas por final de semana, chegando a mais de 1 milhão de veranistas durante todo o mês de julho. A ilha tem 21 praias de água doce ao longo de seus 17 quilômetros de costa.

Embora já tenha sido mais bucólica e tranquila, mais hospitaleira e rústica, Mosqueiro ainda guarda o ar de cidadezinha do interior, com centro social na típica pracinha com coreto central. Uma das coisas mais gostosas de se fazer na noite mosqueirense é passear na pracinha e comer tapioca nas barracas da Tapiocaria. Na pracinha as crianças brincam, os namorados namoram, os casais passeiam. Mas o que mais me encanta é o habito das famílias sentarem-se em cadeiras para conversar, ou se reúnem para assistir uma apresentação musical no coreto.

Outro programa legal é ouvir uma boa música brasileira no Bar dos Boêmios. E foi para lá que nos fomos, ouvir Alexandre (o dono) tocar seu violão e cantar, acompanhado da excelente bateria do meu amigo Joãozinho Bererê. E enquanto ouvia, saboreava uma cerveja gelada e um tira-gosto de macaxeira bem fritinha. Huuumm.... Se você não conhece Mosqueiro, não deixe de ir; se já conhece vá curtir uma boa MPB no Bar dos Boêmios.

Ok, ok!... Esse post está parecendo uma propaganda turística ou um comercial do Boêmios, mas eu não estou ganhando nada com isso, a não ser o prazer de dividir com você algo muito bom. Vá conferir e depois diga se não tenho razão.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Formatando a máquina

Caro leitor, descobri que as máquinas, como as pessoas, são temperamentais. Imaginem que meu computador adotou um comportamento anormal: está agindo de maneira estanha. Se eu não tivesse receio de me tomarem por um machista chovinista, diria que ele(?) está na TPM.
Fiquei imaginando essa máquina doidona, se rebelendo com os input do meu teclado: Não, não abro... Não vou... Não quero... Eu, heim! Computador rebelde, com vontade própria, tipo replicante do Blade Runner! Eu tendo que chamar Deckard (Harrison Ford), o caçador de andróides.
Na falta dele chamei um técnico amigo que diagnosticou uma medida drástica: formatar. Já notaram que formatar é uma palavra-grávida? Chamo assim as palavras que contém outra, como no caso a palavra "matar".
Pois é, a solução foi matar o sistema e reinstalá-lo. E isso foi feito de forma simples e fácil. A máquina não reclamou nem eu senti remorso, embora lamentasse a perda de alguns arquivos, porém nada comprometedor e vital para meus trabalhos.
Contudo fiquei imaginando uma época no futuro, quando as máquinas estiverem mais próximas do que é descrito no filme protagonizado por Harrison Ford. Formatar não será assim tão fácil!

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Blogs e a arte de bater papo

Bater papo é a forma mais descontraída de conversar. Bater papo é a oitava arte. É trocar idéias como quem brinca de bola na piscina. Bater papo é jogar conversa fora. E isso é salutar, faz bem pros neurônios, pra pleura, pro fígado e, se bobear, pros testículos. Dizem que o povo que sabe melhor o valor de jogar conversa fora é o brasileiro.

Mas, num bate-papo com amigos, você não joga fora o que não presta, ao contrário, o que acontece é uma troca de informações e conhecimentos práticos e, muitas vezes, úteis.

Diz um velho ditado que é conversando que a gente se entende, portanto conversar é a mola mestra do mundo. Na atualidade, entretanto, por paradoxal que possa parecer, com tantos meios de se comunicar, de falar e ser ouvido, a humanidade está cada vez mais se desentendendo.

Contudo, eu penso que as ferramentas de construção de redes sociais online (sobre redes sociais leia mais aqui) e os blogs, que servem como fontes importantes de conhecimento e informação, podem contribuir para minimizar esta situação.

Meu blog, meu currículo.

Antes do advento da Internet havia no mundo dois tipos de pessoas: os que detinham a informação, e por isso transmitiam seu discurso sem interferências nem contestações, e os que simplesmente escutavam.

No mundo contemporâneo continua existindo esses dois tipos, porém surgiu uma nova categoria. Assim temos hoje três tipos de indivíduos compondo a sociedade pós-moderna: aqueles que têm algo a dizer e dizem; os que embora não podendo controlar a conversa querem ao menos participar dela e os que, ou por não saber o que dizer ou por não ter como dizer, continuam apenas escutando.

Contudo, a cada dia milhares de pessoas constroem ecosistemas sociais e profissionais baseado em redes de interação online, e se movem nele buscando interpretar suas relações e entender suas tendências. E agindo assim se tornam mais transparentes e mais acessíveis. Esses ecosistemas informativos possibilitam a essas pessoas realizarem descobertas que podem mudar suas vidas, por exemplo: descobrem que tem voz, descobrem que toda pessoa tem o que dizer para outra e que qualquer um pode ser ouvido; descobrem que a comunicação não é uma via de mão única e que o receptor pode se tornar emissor, e vice-versa.

Os blogs

Antigamente, apenas os jornalistas, os radialistas e comunicadores podiam ocupar o posto do Grilo Falante, ou seja, a consciência falante da comunidade. Era a hegemonia do 4º Poder. Atualmente, com os blogs, todos descobriram que têm coisas para dizer. Todos querem expressar suas idéias e informar, todos querem opinar sobre tudo. Há milhões e milhões de vozes na Web que buscam ser ouvidas e tocar corações e mentes.

Segundo dados do Ibope/NetRatings, “o número de usuários brasileiros que lêem blogs atingiu 10 milhões de pessoas em fevereiro de 2008.(...) Em dezembro do ano passado, eram 9,6 mihões de brasileiros que acessavam blogs". Ainda segundo o NetRatings, o “Brasil manteve sua posição como país com maior tempo médio mensal de navegação residencial por internauta, com 22h24. A lista de países monitorados pelo Nielsen/Netratings inclui Estados Unidos, com 19h52, a França, com 19h40, o Japão, com 18h29 e o Reino Unido, com 17h46”.

Esses dados revelam que quando um internauta visita um blog e se depara com uma postagem que o interessa, tende a querer deixar seu comentário. E um dia, mais cedo ou mais tarde, acabará por se tornar um blogueiro. Mas ser blogueiro não é apenas escrever num blog, é fundamentalmente LER blogs. Isso porque para escrever é necessário antes de tudo gostar de ler. E sabemos que quanto melhor o indivíduo lê, melhor ele escreve.

E você, blogueiro amigo, não se iluda, pois aquilo que escreve em seu blog diz muito mais sobre você que seu Currículo Vitae, e pode revelar aspectos de sua personalidade, tais como atenção a detalhes e pormenores, habilidade auto-expressiva e senso crítico, que podem servir de elementos seletivos na hora de concorrer a uma vaga no mercado de trabalho.

E qualquer dia, nos currículos enviados às empresas, os candidatos colocarão ao lado do endereço de e-mail (hoje praticamente obrigatório) o endereço de seu blog.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Dia dos Pais e o Livro sobre Tim Maia

Sou fã do Tim Maia, de quem tenho vários LPs e CDs. Eu e milhões de brasileiros. E como esses milhões de fãs, lamentei a morte deste inigualável cantor, cheio de soul. E já se vão 10 anos sem o Síndico e aquele vozeirão.

O pior é que eles se vão e não surge ninguém com talento suficiente para ocupar o lugar vazio. E ficamos matando a saudade ouvindo velhas canções, vendo seus antigos shows, etc. Assim, quando no Dia dos Pais ganhei de presente de minha filha Madaya, o livro de Nelson Motta Vale Tudo - O Som e a Fúria de Tim Maia, fiquei tremendamente satisfeito. Ah, essa minha filha!! Ela sabe exatamente os gostos desse seu velho.

Mas para você, meu caro leitor que também é fã do Tim Maia, não ficar morrendo de inveja, coloco aqui um link para que leia os 4 capítulos iniciais (completos em PDF).

Ah, aproveita e já deixa ele como sugestão para seu presente de Natal. Uma boa, não?

domingo, 10 de agosto de 2008

PAI PAI'DÉGUA

Pai'Dégua é uma expressão do Norte e Nordeste brasileiro que funciona como um superlativo e se aplica a qualquer situação ou circunstância. Não sei sua origem, e se a palavra nos remete a idéia de uma paternidade eqüina, ao contrário de “filho da équa!”, que é outra expressão coloquial nordestina um tanto pejorativa, aqui no Pará ser considerado uma pessoa pai’dégua é o máximo.

Hoje, no almoço do Dia dos Pais, cercado pelos meus filhos e enteados (infelizmente faltou minha filha Keith, quem mora em Salvador), me lembrei de outros pais que não podem curtir esse dia com seus filhos. Como não poderia deixar de ser, senti uma falta danada de meu velho pai, Waldick Pereira, a quem gostaria que estivesse aqui para receber as homenagens deste dia, junto comigo e seus netos. A tanto desejei que quero crer que hoje ele veio me visitar.

Meu pai sempre esteve envolvido com a educação e com a cultura, primeiro em Maceió (AL), depois em Nova Iguaçu (RJ). Era um pesquisador sério e dedicado à história desse município do estado do Rio, e pelo muito que contribui com a cultura de Nova Iguaçu recebeu, postumamente, a Comenda da Ordem do Mérito Bernardino de Melo, e é patrono do CIEP 113 (veja aqui o site do CIEP).

Ele também era professor, jornalista, arqueólogo, historiador, escritor, poeta e prosador...; e acho que sobrou pouco tempo pra ser pai como queríamos. Mas ele o foi a sua maneira. É por isso que há 24 anos nós, seus filhos, sentimos demasiado sua falta. É por isso que hoje, quando meu filho me disse que sou um pai pai’dégua, eu acho que meu pai também o foi, e espero que meu filho, quando for pai, ouça o mesmo de seus filhos, e não deixe o espelho se quebrar.

Nas fotos, meus filhos Madaya, Arcthur e Keith, e eu, Lenise e meus enteados, Victor e Amanda.
No TOP BLOG 2011 ficamos entre os 100 melhores da categoria. Pode ser pouco para uns, mas para mim é motivo de orgulho e satisfação.
Sou muito grato a todos que passaram por essa rua que é meu blog e deram seu voto. Cord ad Cord Loquir Tum