sexta-feira, 23 de julho de 2010

História da Matemática e Numerologia - Parte III

Caro leitor, esta é a  3ª postagem sobre esse tema. Se nos acompanhar,  dispa-se de preconceitos academicistas daqui por diante.
 
Os Números: com um fará dez
En tò Pan

Uma abordagem holística em educação exige do educador uma mente aberta. Eis que, ao contrário da prática corrente surgida com os matemáticos gregos, segundo a qual em ciência só podemos aceitar um teorema depois de sua demonstração (ou seja, temos que demonstrar tudo que afirmamos), concordamos com John Fossa quando afirma que “não adianta, portanto, demonstrar tudo. Precisamos de um ponto de partida, um lugar seguro a partir do qual podemos iniciar as nossas demonstrações. Este ponto de partida são os postulados, ou seja, proposições que aceitamos sem qualquer demonstração” (2001, p.100).

O professor de Matemática deve mostrar aos seus aprendizes não somente que a Matemática é uma ciência presente em todas as ações e empreendimentos humanos e em todas as criações da natureza, mas, e fundamentalmente, deve construir com eles os conceitos holísticos que o estudo da Numerologia pode oferecer. 
 
Essa prática irá contribuir para que os estudantes aprendam a desenvolver o olhar que transcende a forma e o conteúdo, o olhar que enxerga o todo pelas suas partes e vice-versa, e assim percebam que as diferenças contribuem para o estabelecimento da igualdade; e tendo uma escola que ensine isso teremos,  certamente, um mundo melhor. É isso que Ubiratan D’Ambrosio almeja ao propor “uma Educação Matemática para a Paz” (2002, p.85). 

É isso que também desejamos ao propor uma  abordagem pedagógica da Numerologia. Segundo J.P. Bayard, "a confraria pitagórica, que se baseava num conhecimento matemático, era uma sociedade secreta muito fechada; sua doutrina baseava-se na Geometria (...). Para os pitagóricos, os Números podiam receber três definições: os números puros ou divinos, gerados pela mística do Número ou Aritmologia, os Números Científicos e, enfim, os Números Concretos, usados nos cálculos e nos negócios" (1976, p. 50). 

O imortal Goethe, conhecedor de princípios herméticos e autor de “Fausto”,  descreveu no diálogo protagonizado pela velha bruxa e Fausto, uma fórmula cujo significado é o mesmo: “Escutha atentamente. Com uno harám diez, y dos separarás y de esto modo harás três, y rico serás; las cuatro dejarás: com cinco y seis, te lo dice la bruja, haz siete y ocho, y todo queda terminado! Y nueve es uno; y diez es nada.”
 
A Cabala ou Kabalah (do verbo kabôl=ensinar), que é um corpo de conhecimentos místicos e esotéricos judaicos, ensina que “Tudo está no Um e que o Um está em Tudo”, ou como diziam os pitagóricos: “En tò Pan”, que significa “O Um é o Todo”. Eis um enigma de fácil decifração, mas que é o repositório de um conhecimento profundo, expresso de forma simples: todas as coisas têm um único centro gerador, uma “Causa Primária”.
 
Todas essas antigas fontes tratam de explicar a criação do Universo com base nos números, porém, como lidamos com uma linguagem de símbolos arquetipais, de uso mais corrente entre místicos e esoteristas, tentarei explicar as analogias apresentadas no poema goethiano, no pensamento dos pitagóricos e na máxima cabalística a partir de uma leitura numerológica.  Mas isso será a partir da próxima postagem. 

Calcula-se que com os 10 algarismos existentes pode-se realizar 2 milhões de combinações distintas.

Referências

*   Bayard, J.P. Os Talismãs. Ed. Pensamento. 1976.
* D’AMBOSIO, Ubiratan. Educação Matemática: da teoria à prática. Campinas, SP: Papirus. 1996 (Coleção Perspectiva em Educação Matemática)
* _________________. Etnomatemática: elo entre as tradições e a modernidade. Belo Horizonte. Autêntica, 2002 (Coleção Tendências em Educação Matemática)
* FOSSA, John A. Ensaios sobre a Educação Matemática. Belém, Pa. EDUEPA, 2001. Série Educação 2. 
* Goethe, Johann W. Fausto. Buenos Aires. Coleção Austral, 1964. 7ª ed.

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