segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Alunos evangélicos se recusam a fazer trabalho sobre a cultura afro-brasileira

A intolerância religiosa é uma das piores pragas da humanidade. É ela que faz com que uns sintam-se melhores e superiores a outros. Um grupo e facção que adota uma determinada religião, ou seita, se considera melhor que outro grupo ou facção, como se o deus (com minúscula mesmo, viu?) dele fosse diferente do deus do outro. A História humana está prenhe dessas estúpidas guerrinhas, movidas por gente que não sabe nem admite a diversidade, que não admite a liberdade de expressão. A Irlanda do Norte é um exemplo dos mais marcantes, mas há muitos outros em regiões do Oriente Médio, Ásia, África.

Foi esse o leitmotifi das Cruzadas e das barbáries gestadas pelas "guerras santas" durante a Idade da Trevas; foi o que levou à fogueira da Santa Inquisição os dito hereges (aqueles que pensavam de maneira diferente da FÉ vigente e imposta); foi esse espírito destrutivo que motivou a ação catequista no Brasil Colônia. E, apenas para concluir este parágrafo - contudo sem encerrar a questão -, foi esse o mesmo espírito que estava por detrás do extermínio de judeus pelo III Reich.   

Agora leia a reportagem abaixo e tire suas conclusões.
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Alunos evangélicos se recusam a fazer trabalho sobre a cultura afro-brasileira

Manaus (AM), 10 de Novembro de 2012
MARIA DERZI

Alunos se negaram a fazer projeto sobre cultura afro-brasileira, alegando 'princípios religiosos', afirmando que o trabalho faz apologia ao 'satanismo e ao homossexualismo'.
Polêmica na escola motivou ida de representantes de Fórum,OAB e MPE (Odair Leal)

O protesto de um grupo de 13 alunos evangélicos do ensino médio da escola estadual Senador João Bosco Ramos de Lima - na avenida Noel Nutels, Cidade Nova, Zona Norte -, que se recusaram a fazer um trabalho sobre a cultura afro-brasileira – gerou polêmica entre os grupos representativos étnicos culturais do Amazonas.


Os estudantes se negaram a defender o projeto interdisciplinar sobre a ‘Preservação da Identidade Étnico-Cultural brasileira’ por entenderem que o trabalho faz apologia ao “satanismo e ao homossexualismo”, proposta que contraria as crenças deles.
Por conta própria e orientados pelos pastores e pais, eles fizeram um projeto sobre as missões evangélicas na África, o que não foi aceito pela escola. Por conta disso, os alunos acamparam na frente da escola, protestando contra o trabalho sobre cultura afro-brasileira, atitude que foi considerada um ato de intolerância étnica e religiosa. “Eles também se recusaram a ler obras como O Guarany, Macunaíma, Casa Grande Senzala, dizendo que os livros falavam sobre homossexualismo”, disse o professor Raimundo Cardoso.
Para os alunos, a questão deve ser encarada pelo lado religioso. “O que tem de errado no projeto são as outras religiões, principalmente o Candomblé e o Espiritismo, e o homossexualismo, que está nas obras literárias. Nós fizemos um projeto baseado na Bíblia”, alegou uma das alunas.
Intolerância gera debate na escola
A polêmica entre os alunos evangélicos e a escola provou a ida de representantes do Fórum Especial de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros do Amazonas, da Ordem dos Advogados do Brasil, secção do Amazonas, e do Ministério Público do Estado.
Para a representante do movimento de entidades de direitos humanos e do Fórum Especial de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros do Amazonas, Rosaly Pinheiro, a problemática ocorrida na escola reflete uma realidade de racismo e intolência à diversidade. “Nós temos dados de que 39% dos gestores e alunos das escolas são homofóbicos. Essa não pode ser encarada como uma oportunidade para se destacar um fato ruim, mas sim uma oportunidade de se discutir, de uma forma mais ampla essas questões com os alunos”,disse.
Para a representante do Ministério Público, Carmem Arruda,a situação também deve ser encarada como uma oportunidade de esclarecer a comunidade.“É uma chance de discutir a diversidade e uma oportunidade de contruirmos uma conscientização junto não apenas aos alunos, mas sim às famílias que serão fazem refletidas junto a comunidade”.
Representante do Fórum pela Diversidade da OAB/AM, Carla Santiago, ressaltou que o episódio não era para ser encarado como um ato que fere os direitos de negros, homossexuais, mas sim um momento de conscientizar os alunos sobre a etnodiversidade. A conversa entre os diversos segmentos envolvidos prometia uma nova rodada, mas até o fechamento desta edição estava mantida a posição da escola de cobrar o trabalho original passado aos alunos pelo professor de História.
FONTE: A CRITICA.COM -  Leia a reportagem AQUI.

8 comentários:

Marcia Mescouto disse...

Profº Franz eu já estava com saudades de suas postagens...
É realmente muito preocupante saber que a intolerância vivenciada dentro das escolas nos distancia de uma sociedade civilizada. Compartilhei a reportagem no meu perfil do Facebook, pois acho muito importante essa reflexão.
Não nos deixe por muito tempo sem suas palavras.
Um abraço,
Marcia Mescouto

Lu Cidreira disse...

è isso que encontramos em nosso imenso país, e a proliferação desse tipo de religiosos que sabem muito bem que de norte a sul de leste a oeste todos os brasileiros são mestiços e que aderem a que religião ou etnia que se acharem adequado a cada um.
Cada um se dê a cor a a religião que mais lhe convier, intolerância, aí sim é crime.
Muito boa sua chamada a conscientização.
Abraço

Prof. Adinalzir disse...

Infelizmente essa é a postura de uma imensa parcela da nossa população. Falta razão e conhecimento nas suas cabeças miúdas!
Abraços,

Jenny Horta disse...

Pois é, amigo! Penso que esta questão vai um pouco além da questão religiosa. A escola virou alvo de todo tipo de crítica, todo mundo tem direito a se rebelar contra ela... Com a desculpa de que ela precisa (e deve!) ser inclusiva e para todos, os indivíduos se acham o direito de determinar o que devem ou não devem fazer dentro dela! Se houvesse um mínimo de respeito desses pais pela instituição em que matricularam seus filhos, eles teriam, ANTES, dialogado com a direção e certamente, juntos encontrariam uma solução. Mas a intenção é mesmo criar polêmica, pois já "satanizam" até o pobre Papai Noel!!

Anônimo disse...

O respeito a cada religião e um princípio de caráter temos q respeita e não ofende-las isso vale para todos! EU SOU CRISTÃ PROTESTANTE E ME ORGULHO DISSO!

Anônimo disse...

O respeito a cada religião e um princípio de caráter temos q respeita e não ofende-las isso vale para todos! EU SOU CRISTÃ PROTESTANTE E ME ORGULHO DISSO!

Anônimo disse...

O respeito a cada religião e um princípio de caráter temos q respeita e não ofende-las isso vale para todos! EU SOU CRISTÃ PROTESTANTE E ME ORGULHO DISSO!

Anônimo disse...

Impor aos alunos um tema que trata de contravalores religiosos e culturais (desvios sexuais e bruxarias - "grande" contribuição africana!) como um dogma cultural não seria uma tirania?

Eles teriam protestado do mesmo jeito se tais temas fossem propostos num contexto de império romano cheio de orgias (branco, portanto).

A "fé vigente imposta" não era a única, assim como o idioma? Essa fé é assim tão ruim? Ou teria sido mais fácil adotar centenas de ritos religiosos, idiomas e dialetos afro-ameríndios? Como ficaria a unidade nacional? Igual aos dos países africanos, cheios de guerrars, rivalidades e desentendimentos? E os "democratas" de plantão, não estão querendo impor a fé deles e atacar a dos outros com um discurso de "tolerância e diversidade"?

Se alguém fizer uma macumbinha para vocês, vocês vão aplaudir?

E se um "homo-afetivo" resolver agarrar um de vocês, vocês vão gostar?

Lembrem-se: respeitar o homossexual e o macumbeiro como pessoas é uma coisa; ser obrigado a gostar de homossexualidade e de macumba é outra!

Quanta hipocrisia! Quanta ignorância de história e política vinda de professores!

Escolas ruins viraram motivo de crítica (e estão piores a cada dia que passa). As pessoas têm mesmo que engolir tudo que vem duma escola? Vocês mesmos não gostam de questionar tudo? Ou os dogmas marxistas são uma exceção?

Caiam na real: "escola inclusiva"? Educação escolar além do ensino primário é para quem quer estudar e para quem dá conta de pensar, não para gente que confunde escola com creche ou orfanato.

Simplesmente há gente que não tem hábitos de estudo e não gosta de estudar. Vão dar diploma para eles também?

Acordem!

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