segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Sua Memória é RAM?


Há poucos momentos meu colega ligou o computador ao lado e a máquina começou a emitir um BIP curto e repetitivo.


O sinal  já nos era conhecido, aliás, o é de quase todos que lidam com um computador: a placa-mãe sinalizava, com aquele apito, que havia problemas na placa de vídeo ou que a memória RAM estava bichada. A geladeira duplex lá de casa também apita assim sempre que a porta fica muito tempo aberta.

Um apito de alerta
 
Muitas coisas apitam com a finalidade de enviar um recado, um aviso. Desde  indicar ao usuário que algo vai indo mal ou que ele cometeu algum erro, até alertar alguém para algo prestes a acontecer, como é o caso dos navios que vão partir, das chaleiras postas no fogo, que apitam para indicar que a água está fervendo, e dos guardas de trânsito quando cometemos uma infração.

Enquanto pensava nisso, nosso técnico de plantão diagnosticou: Isso é problema de memória RAM. Abriu o gabinete, retirou o pente de memória, passou uma borracha, dessas de uso escolar mesmo, nos contatos de metal e espetou a plaquinha de memória de volta em sua baia. Resultado: o computador voltou a funcionar perfeitamente.

A título de piada, disse-lhe: Quer dizer que basta "apagar" as má lembranças para que a máquina volte a funcionar com perfeição? Pode parecer brincadeira ou tolice, mas o fato é que ter esse tipo de memória pode ser o sonho de muita gente. Imagine se fosse possível passar uma borracha e apagar os pesadelos, as recordações indesejáveis, as más lembranças, amarguras e tristezas residentes na memória, que nos trazem sofrimento e que travam a nossa máquina de vez em quando?

Sabemos que só se aprende com os erros. Até mesmo com os animais é assim. E que as lembranças ruins são vestígios de nossas falhas, nossas faltas e erros cometidos, armazenados no inconsciente e disparados sempre que um fato semelhante se aproxima ou tende a se repetir.

Mas, são essas recordações amargas as gestadoras de tormentos, estresses e  depressões, e com elas chegam os pensamentos obsedantes, negativos. Com uma memória do tipo RAM, poderíamos guardar o aprendizado e "apagar" com uma borracha as tormentosas e torturantes lembranças. Daí, tudo seria como um eterno e jovial recomeço.

Uma pílula da felicidade?

Há muito tempo que o homem busca criar uma "pílula da felicidade", uma droga capaz de apagar um determinado evento traumático da memória. Há diversas pesquisas científicas nesse sentido, e acredito que um dia alcançarão esse estágio. Ai, definitivamente, ficaremos iguais ao computador que agora emprego para fazer este post. É Matrix que se aproxima ou já está instalada?

A título de brincadeira, costumo dizer que tenho uma "memória privilegiada", porque esqueço tudo. É claro que isso é um exagero, mas em verdade minha memória é muito ruim, entretanto não há nada nela que eu queira apagar, nada.
* A imagem foi obtida no Blog News Errado (AQUI) e (AQUI)


5 comentários:

Rocio Rodi disse...

Nossa memória nos protege e de repente nos surpreende recombinando e reinventando coisas. Boas intuições criadoras! Somos intensos e aprendemos a relaxar para oxigenar nossos pensamentos. Assim somos felizes, cuidar dos pensamentos e decidir ações, nunca se esquecendo de amar-se, e de buscar compreender o "conhece-te a ti mesmo". Desencucar! Ressignificar-se! Sê cada vez mais assim feliz e autêntico.
Abraços!
Maria do Rocio

Fátima Campilho disse...

Excelente texto.
A minha memória está cada vez pior. Há fatos que me causam tanto sofrimento que gostaria que ela fosse RAM.
Abraços

Franz disse...

Oi, Rodi, que bom recebê-la novamente neste blog.
Pois é, resignificar as lambranças, 'los recuerdos' para oxigená-las é importante e faz bem.
Franz

Franz disse...

Oi, Fátima. Obrigado pelo elogio ao post. Embora tenha sido escrito assim num repente, despretensiosamente, apenas para registrar uma fato corriqueiro e uma piada sobre ele,ficou muito contente por ter gostado.Franz

Rocio Rodi disse...

Olá Franz e Fátima,
Voltei aqui e gostaria de dizer à Fátima que precisamos energizar de bons fluidos essa memória bichada, como diz o Franz, e assim aprendemos que tudo pode ser diferente do gente que a gente sente-pensa-vive. Parece fácil dizer, mas, a gente aprende a se ressignificar, assim nos tornamos cada vez mais pessoas melhores.
Sorria!

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