quinta-feira, 30 de outubro de 2008

O QUE VOU DIZER NUM BLOG?

Eu entendo que toda pessoa tem algo para dizer a outra, algo de si, e um blog pessoal funciona excelentemente bem para isso. Desde que o indivíduo se encontre naquilo que escreve e, principalmente, que escreva sobre algo que goste realmente.

Com essa premissa iniciei, em 2007, a primeira oficina de blogs para professores de salas de Informática de escolas públicas estaduais, posteriormente fiz oficinas iguais para professores da rede municipal (os resultados podem ser vistos no Blog do NTE e no Blog do NIED).

Como blogueiro fui contaminando todos os colegas de trabalho, instigando-os a criarem seus blogs, a espalharem a idéia de usar blogs como poderosas ferramentas para se trabalhar as habilidades auto-expressivas do aluno, contribuindo para criar ou desenvolver novas habilidades reflexivas em leitura, escrita, pesquisa; além de servir para divulgar os trabalhos desenvolvidos na escola. Hoje tenho muita satisfação de ver meus companheiros de NTE e NIED, todos, com seus blogs e ensinando a criar blogs.

Pois foi na turma do Prof. Dilson Aires que uma cursista, a profª Cristina Mácula, fez seu primeiro blog e deu o depoimento abaixo em sua primeira postagem. Gostei tanto que reproduzo aqui:

Nunca entendi de Blogs, nunca vi função nos Blogs que eu nem entendia, nunca tive "saco" para ler um Blog por inteiro, nunca pensei em ter um Blog, nunca tenho tempo... muito menos para ter um Blog...
Até que um dia, meu professor, o Mestre Dilson, disse que todos os alunos deveriam criar um Blog... AAAAAH!! O que vou dizer no Blooooooog??? Pelo amor de Deeeeus!!...
Passado o desespero inicial, lembrei de um antigo sonho: conversar com o mundo sobre os meus filmes prediletos. Pronto!
Nunca usei tanto um 'computer', nunca digitei tanto, nunca tive tanto o que escrever, nunca estive tão empolgada na frente da 'internet' e nunca fui tão feliz!!!
De cinéfilo para cinéfilo, quero compartilhar com você, como nunca o fiz , a minha paixão: filmes.
E... nunca diga nunca.
Felicidades.
* acesse o blog AQUI.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

A MATEMÁTICA DE RIBEIRINHOS AMAZÔNIDAS

Caro leitor, nessa postagem quero lhe falar sobre algo de que gosto bastante: Matemática, ou melhor, Etnomatemática. Ah! Não faça essa cara, e nem se vá para outro blog. Espere! Não vou falar da hermética Matemática acadêmica, ou da mística Matemática Divina (sim, há uma, sabia?). Falarei da Matemática que você emprega, sem se dá conta, nas coisas simples do seu cotidiano; como aquilo que denomino “Matemática de cozinha”. Já observou quantos conhecimentos matemáticos são necessários para preparar um bolo, uma lasanha, um pão caseiro, um Cassoulet ou Ratatouille?
Dia desses provei para a minha empregada, enquanto ela preparava uma caldeirada, o quanto ela sabia de Matemática.
A nossa cozinha sempre esteve rica de Matemática e mal percebemos, talvez porque essa Matemática não seja valorizada pela escola.
O fato é que, para preparar qualquer prato, assim como comprar os ingredientes, é necessário conhecer e empregar algumas unidades de medidas, como o Grama e o Litro. Mas há outras que utilizamos diariamente sem a cerimônia acadêmica dessas duas. São as unidades de medida não convencionais, que fazem parte do que chamamos Matemática Cultural, Matemática Materna ou Etnomatemática. Etnomatemática é um conceito criado pelo eminente matemático brasileiro Ubiratan D’Ambrosio.
Você já deu "uma tragada"? Num cigarro, claro! (Desculpe, eu sou antitabagista, mas é apenas a título de exemplo, certo?). Já tomou "um gole", já usou uma "pitada de sal", um "fio de óleo", "um punhado" de farinha? Já comprou uma “mão de milho”? Pois, então, já empregou essas unidades não convencionais. E se buscar com cuidado, acabará encontrando outras unidades para medir quantidade, massa, volume, área, comprimento, tempo, típicas de sua região para.
É o caso de algumas curiosas unidades de medidas encontradiças nas muitas comunidades ribeirinhas do Pará, tanto em corriqueiras transações comerciais quanto em atividades de plantio, colheita, pesca, fabricação de instrumentos. Quando cheguei aqui achava estranho ouvir alguém dizer, por exemplo, que vendeu dez rasas de açaí; que comprou um frasco - ou um paneiro - de farinha; que comprou um litro de camarão, uma pêra - ou um cofo - de caranguejo, uma mão de milho; que tem uma tarefa para roçar, que plantou uma carreira de eucalipto, que tem “uma linha de arroz para apanhar”, que viu “uma sucuri com 16 palmos de pé”.
Inspirado em Ubiratan D’Ambrosio, este blogueiro concebe “a disciplina matemática como uma estratégia desenvolvida pela espécie humana ao longo de sua história para explicar, para entender, para manejar e conviver com a realidade sensível, perceptível, e com o seu imaginário, naturalmente dentro de um contexto natural e cultural” (1996, p.7). No entanto, é preciso esclarecer o conceito de realidade que estamos empregando: “here we understand reality in its broadest sense (i.e. natural, physical and emotional, into which the individual is immersed) and individual as an element of this reality wich, being part of it, performs inteligent actions, which will reflect upon this reality” (D’AMBROSIO, 1985, p.15).
Nessa teia do fazer cotidiano em que o indivíduo está imerso, e que constrói e reconstrói incessantemente, despontam vez ou outra alguns nós que revelam particularidades na relação do sujeito com o todo circundante, e ao observá-los podemos identificar as ferramentas (cognitivas, dialógicas ou concretas) que ele cria ou se apropria, na tentativa de entender, explicar, problematizar e propor soluções. E as relações entre as práticas sócio-culturais e a matemática oral ou dialógica, seja dos caboclos ribeirinhos, seja dos feirantes no Ver-O-Peso, seja do lavrador, do pedreiro ou da minha empregada, se evidenciam nesses elementos nodais.
Entretanto, a tese que norteia nossa ação pedagógica deve ser a de que o conhecimento matemático resulta das interlocuções estabelecidas pelo homem com os elementos culturais do contexto no qual é produzido. Quando assumido como linguagem, esse conhecimento torna-se um recurso fundamental no exercício de leitura da realidade, voltado à elaboração de soluções dos problemas cotidianos na caminhada pela melhoria da qualidade de vida.

Referencias
D'AMBROSIO, U. Educação Matemática: da teoria à prática. Campinas: Papirus. 1996. ________________. Sócio-cultural bases for a Mathematics education. Campinas: Unicamp. 1985.

sábado, 18 de outubro de 2008

E a cigana analfabeta lendo a mão de Paulo Freire (Beradêro-Chico César)

Eu sempre gostei de ler. Quando menino e adolescente, achava que lendo também estava estudando, ou que só estava estudando se estivesse lendo. Então veio o Ziraldo e disse que "Ler é mais importante do que estudar" (já fiz uma postagem aqui mesmo sobre isso - clique AQUI para ler). Com essa frase ele substituiu o ato obrigatório de estudar pelo prazeroso ato de ler, e libertou a gurizada.

Depois veio Paulo Freire me dizer que ler não é apenas juntar signos linquísticos, mas ter uma apreensão maior da realidade. E aprendo que "A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente" (Paulo Freire).

Então, há diversas linguagens e códigos no mundo, e NÃO EXISTE quem não saiba "ler" pelo menos uma delas. O índio analfabeto sabe ler os sinais da floresta; o pescador analfabeto sabe ler o horizonte; a cigana analfabeta sabe ler a mão do doutor. Descubro que ANALFABETO nada tem a ver com a leitura de que fala Paulo Freire. Analfabeto é, APENAS, uma expressão criada pela sociedade letrada para identificar o indivíduo que ainda não desenvolveu a habilidade de interpretar o significado dos caracteres que compõem um texto impresso.

É por isso que gosto tanto da canção Beradêro, do Chico César. Ela fala da leitura desse mundo não acadêmico. Quem está acostumado com a literatura nordestina de cordel, logo reconhece o estilo. A letra toda é um belo trabalho de rima e metáforas em redondilha de sete pés. Tem cheiro de chão, pó, poeira. Cheiro de nordestino, gente lutadeira. Gente que quase só tem de consolo os sonhos; que sai da miséria no Nordeste e “o olhar vê tons tão sudestes”, nessas léguas tiranas da vida.

Ah, se eu fosse professor de literatura! Empregaria essa poesia num trabalho de leitura com meus alunos. * Foto do autor, tirada durante show no dia 09/10 em Belém

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

INFORMÁTICA & AS BOTAS DE SETE LÉGUAS

Uma ou duas indagações cabulosas, caro leitor, talvez não seja a melhor forma de iniciar este artiguete, mas pensei em fazer-te um desafio. Então, segura: Na sua opinião estamos presenciando uma revolução ou uma reforma no ensino com a chegada dos computadores? A informática promoveu um salto na qualidade da educação brasileira ou um retrocesso no desempenho dos alunos? É possível uma tecnologia educacional progressista ser incorporada a práxis pedagógica de professores conservadores? Enquanto você reflete, sigamos com o texto.

Meu primeiro contato com o computador como ferramenta pedagógica foi em 1990. Soube de um curso que o então Centro de Informática da Educação - CIED, órgão do Departamento de Informática Educativa (DIED/SEDUC) ministraria na Escola Agroindustrial Juscelino Kubitschek-JK, em Benevides. Fiquei curioso e me inscrevi. Segundo me informaram, o laboratório de informática do JK foi o primeiro montado em uma escola pública no Brasil (antes só em universidades). As máquinas eram 486 DLC Ciryx, sistema MS-DOS (e acho que Windows 3.1) em rede Novel. O software trabalhado foi o Logo Writer (em espanhol), que rodava em DOS. Aquilo era para mim algo curioso e interessante mas, confesso meio acabrunhado, naquela época eu não enxergava o potencial pedagógico do computador, mas gostei de comandar a tartaruguinha.

Em 1997 soube que o CIED selecionaria professores para uma especialização em Informática Educativa pela Universidade do Estado do Pará-UEPA, e que estes iriam compor a primeira turma de Multiplicadores do ProInfo. Fiquei curioso e me inscrevi. Bem, a partir dai comecei a considerar a informática como a coisa mais importante no cenário educativo, depois da invenção do livro e do professor. No primeiro momento julguei que os computadores logo promoveriam a ansiada reforma no ensino público, permitindo aos atores do processo (a escola, o aluno e o professor) darem o ansiado salto na qualidade da educação.

E eu tinha uma analogia para os computadores na educação que gostava de pensar: imaginava que essa tecnologia seria algo como a bota de sete léguas, dos contos de Perrault. No conto, o Pequeno Polegar calça as botas de 7 léguas do gigante e elas, por mágica, se ajustam ao seu pé, então ele pode vencer grandes distâncias sem esforço. Eu achava que assim seria quando os professores "calçassem" os computadores. E acho que foi isso que os projetistas palacianos de brasília também pensaram que iria acontecer quando os computadores aterrissassem nas escolas: que os professores dariam gigantescos saltos no seu modus operandi , trazendo a escola do século XVII ou XVIII em que pedagógicamente vivia, para as portas do novo milênio. Com isso os estudantes dariam saltos significativos na qualidade de sua aprendizagem, construiriam conhecimentos com mais facilidade e prazer. Hoje o cenário que vejo me deprime, mas não me desistimula.

Continuo tentando convencer professores a calçarem as botas de 7 léguas do gigante, prometendo que se ajustarão direitinho em seus pés; que com elas podem ir por mares nunca dantes nevegados sem temor. Continuo tentando por asas em seus pés, para que eles possam pô-las nos pés de seus alunos.

Isto posto, espero que você tenha compreendido que o que importa não é responder as indagações feitas, mas se satisfazer com a busca pelas respostas.

sábado, 11 de outubro de 2008

A CENSURA DOS PAIS É ZELO.

Desculpem os tecnobregueiros, funkeiros, pagodeiros, os famigerados “forrozeiros” e duplas country, mas gosto de música de qualidade, que tenha conteúdo, que tenha poesia inteligente, lapidada, e de arranjos bem elaborados. Nessa postagem quero falar dessa onda de músicas de qualidade no mínimo duvidosa (para ser cortês e educado), que teriam seus discos quebrados sumariamente pelo Flávio Cavalcante, se ele ainda estivesse vivo e apresentando seus memoráveis programas.

Eu costumava assistir com meu pai aos programas do jornalista e apresentador Flávio Cavalcante, lá em Nova Iguaçu (RJ) nos meados da década de 1960 e década de 1970. Flávio Cavalcante em seu “Um instante, maestro!”, quebrava os discos que traziam letras maldosas ou de má qualidade. prestou valiosos serviços à música brasileira. Ele faz falta hoje, quando as rádios e TV divulgam tanto lixo sonoro travestido de música, que já formam (ou deformam?) o gosto musical de uma geração.

É admirável que se toque nas rádios e programas de TV de apelo popular, tantas músicas cuja vulgaridade e até mesmo obscenidade chegam a ser um atentado ao pudor. Não falo das besteira de duplo sentido cantadas antigamente pelo Genival Lacerda, Sandro Beker (quem se lembra?) e outros. Estas estavam mais para o humorismo e a brincadeira maliciosa. Falo de músicas inspiradas em bandidos, em drogas, em sexo com letras tão explícitas e melodias tão pobres quanto idiotas, e que se tornam-se hits nacionais mais rapidamente do que catinga de carniça se espalhando ao vento.

Coisas como Créu, Funk das Cachorras e similares, ou preciosidades como “Mas se o dinheiro ta na mão, a calcinha tá no chão”, que não esconde a profissão da personagem, ou “Vamos simbora pra um bar beber, cair, levantar”, ambas do grupo de “forró” Saia Rodada, recheiam a programação musical de muitas rádios brasileiras, e bailes por todos os cantos. Já vi e ouvi, até em festas de colégio, crianças dançando com sensualidade (claro que elas não tem essa consciência nem sabem exatamente o que é isso!), sob o olhar sorridente e mesmo satisfeito dos pais, provavelmente achando lindo a filhinha dançar, empinando a bunda e se rebolando com uma mão na cabeça e outra na cintura. O fato é que os pais, por serem apreciadores dessa categoria de música e de programa de TV, não regulam o que suas crianças assistem e ouvem. Em muitos casos até estimulam a imitação.

Meus filhos ouviam os clássicos da música nacional e internacional, mas também assistiam ao É o Tcham! Minha enteada, com 11 anos, tem a base da boa MPB construída em casa; é fã de Zeca Baleiro, Rita Lee, Cássia Eller (e, claro, da banda RBD), mas de vez em quando também ouve um tecnobrega, que é a moda em Belém.
Não pensem que é falso moralismo, é tão somente mais uma preocupação de um educador que gostaria de ver as crianças tendo a chance de conviver também com a boa música brasileira e poder ter opções de escolha. Em muitos lares só se ouve coisas como “Vai popozuda...”, “Um tapinha não dói...”, “Tchu Tchuca...”; e nas TVs o que se tem é Mulher Melancia, Mulher Trepadeira, Mulher Jaca, mulher isso, mulher aquilo. A mulherada que no passado lutava contra o machismo, contra a idéia da ‘mulher objeto’, hoje se entrega a essa onda sem piar.

Não pensem que o lixo musical a que me refiro é somente produção nacional. Há muito lixo internacional que desaba sobre o nosso patropi. Coisas como “I Wanna Fuck You” (Akon) e “Becouse I got hight” (Afroman), a famosa música do Homem Beringela, são um exemplo.

A música brasileira está cheia de excelentes composições, contudo é vergonhosa e deprimente a contribuição da mídia em propalar uma música de caráter obsceno, apenas porque ela vende. Carlos Rodrigues Brandão, em seu “O que é folclore” (Brasiliense, 1982. p. 46) diz: E, todos sabemos, para a indústria da cultura não há arte, devoção, tradição ou ritual. Há produtos culturais que interessam à indústria pelo seu valor comercial: vendem? São bons!”

Não apoio a censura oficial, mas a censura de pais e responsáveis é zelo, é cuidado e formação. E escola deve promover uma leitura maior dessas músicas popularescas que fazem apologia ao crime, prostituição, drogas, e que explodiram nas periferias e hoje toma conta da mídia, sob pena de ser acusada de falta de compromisso com a boa educação do cidadão.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

OS MALUCOS BELEZA PÓS-MODERNOS

(Ela retirou algumas costelas para ter essa cinturinha)

O que tem de gente 'maluka' neste mundo não tá no gibi (aliás, essa é uma expressão da velha guarda, que os doidos de hoje não conhecem). E a Internet permitiu que todos os malucos do planeta pudessem dar as caras e exibirem suas nóias como se fosse um curriculum vitae digno de orgulho. É cada vez maior o número de gente querendo ficar diferente de gente e se parecendo com bichos ou extraterrestres.

A busca pela marca pessoal começou na década de 1970, chamada "década do EU". Um momento histórico de efervescência cultural e tecnológica mundial. As pessoas usavam figurinos estravagante, vestiam cores berrantes e se exibia mais do que no passado. A educação de antigamente formava o cidadão para ser uma pessoas discreta, sutil, que evitava escândalos e que preferia passar despercebida a ser apontada e identificada com qualquer alcunha que não fosse digna. Isso hoje é identificado como anonimato, mas naquela época era tão somente uma maneira tranquila e educada de se comportar em sociedade.

Evidentemente que sempre houve quem apreciasse se destacar na multidão, nem que para isso fosse estigmatizado, mas ainda há muita gente que prefere passar despercebida, sem chamar a atenção de maneira escandalosa como vemos tantos fazerem hoje. E isso vale tanto para jovens quanto para os maduros, embora com esses últimos os conservadores seja menos tolerantes.

Hoje, na sociedade globalizada, cada vez mais indivíduos querem sair da massa anônima e terem seus 15 minutos de fama, de qualquer jeito. Querem ser apontados como uma criatura exclusiva, única até, e não como uma produção uniforme. Ninguém quer mais passar despercebido, e para isso vale tudo. Não há regras a serem respeitadas, nem pudores a serem contidos, nem privacidade a ser mantida. Hoje vivemos na era do "liberou geral", do "fale bem ou mal mas fale de mim".

Nessa sociedade mundializada, para ser diferente, para se promover e se destacar, não há atitude ridícula nem comportamento vergonhoso. O Ego se nutre da admiração popular, e muita gente é capaz de adotar novos modelos de configuração corporal para atingir esse objetivo.

Mas, por mais doidos que pareçam ser, eles são apenas pessoas que possuem outro padrão de estética e decidiram reescrever seu papel nesta divina comédia humana. Vivem na sua, se curtem numa 'nice' e não prejudicam a ninguém. Que querem ser diferentes sem interferir na vida alheia e sem prejudicar aos demais; que gostam de aparecer, mas evitam proporcionar constrangimento ou transtorno aos outros. São pessoas a quem os olhares de crítica e os risos de escárnio e desaprovação não perturbam nem incomodam.

Este blogueiro vem de público defender o direito dessas pessoas serem como são, até mesmo bizarras. Eu prefiro esses 'malucos' aos que, em nome do Cristo exploram a boa fé das pessoas; aos que em nome de sua fé destroem e matam seus semelhantes. Prefiro esses doidos aos que destroem a juventude com drogas; aos que exploram a força de trabalho de outros e lhes nega qualquer direito; aos ambiciosos pelo poder que sacrificam vidas sem piedade; aos que, por sua força e poder, abusam dos mais fracos; aos que abusam sexualmente de indefessos; aos políticos corruptos e corruptores cuja má conduta amplia a miséria no mundo, e aos administradores públicos que dilapidam o patrimônio comunal e se locupletam com o dinheiro do povo.

É como dizia o velho colunista social Ibrain Sued, levantando os dois dedos em sinal de Paz e Amor: "os cães ladram mas a caravana passa". *Veja mais imagens de pessoas modificadas AQUI.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

ELEIÇÕES OBRIGATÓRIAS É DEMOCRACIA?

Entramos no mês de outubro com as eleições municipais agitando a população. A mídia diz tudo é uma festa da democracia, que o eleitor exerce assim seu direito de cidadania, e quer fazer crer ao indivíduo que aquilo que ele está o-bri-ga-do a fazer é um di-rei-to, e ainda arremata com o reforço de “democrático”.

Nesse cenário de obrigatoriedade, os votos são favas contadas pelos políticos. Basta eles, quando muito, se esforçarem um pouco para abocanhar uma fatia desse bolo. E temos visto que muitos candidatos dizem besteiras ao léu, e ainda assim ganham votos. Entramos no mês de outubro com as eleições municipais agitando a população. A mídia diz tudo é uma festa da democracia, que o eleitor exerce assim seu direito de cidadania, e quer fazer crer ao indivíduo que aquilo que ele está o-bri-ga-do a fazer é um di-rei-to, e ainda arremata com o reforço de “democrático”.

Diante dessa farsa do autoritarismo, me pergunto como pode ser um direito se o cidadão está obrigado a votar, a optar por um ou noutro candidato, e o voto em branco ou nulo são desencorajados? Acho engraçado essa argumentação. Meu falecido pai diria que é um sofisma que a inteligentzia emprega como arremedo de “ato cívico”. O pior é que tem muita gente que acredita!

Se uma pessoa disser que vai votar em branco ou nulo, porque não considera os candidatos apresentados como merecedores de seu voto, logo surge alguém para condenar e criticar ferozmente esse seu direito, dizendo que ele não está fazendo sua parte, que isso que aquilo. E se o coitado decidir não ir votar, tá lascado! Vai sofrer uma série de punições pra deixar de se besta e não querer seguir a manada.

Eu quero escolher meus candidatos não porque a nação me elegeu um eleitor, mas porque eu escolhi ser um cidadão participe do processo, um indivíduo que sabe o valor de seu ato político e que tem no voto seu instrumento para construir um futuro mais promissor para sua comunidade. E isso só chegará quando o voto não for obrigatório. Espero estar vivo até lá.
No TOP BLOG 2011 ficamos entre os 100 melhores da categoria. Pode ser pouco para uns, mas para mim é motivo de orgulho e satisfação.
Sou muito grato a todos que passaram por essa rua que é meu blog e deram seu voto. Cord ad Cord Loquir Tum