sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

ENTÃO É NATAL!...

Então, caro leitor, estamos no Natal.

Então é Natal... E o que você fez?
Deixou que coisas insignificantes e irrelevantes se transformassem em figuras principais de crises e desavenças domésticas e/ou familiares? Deixou que o ano passasse sem se desculpar pela falta cometida no lar ou no trabalho? Deixou que a riqueza e poder fizessem você se achar apenas no próprio umbigo? Irritou-se no trânsito quando aquele imbecil atrás de você buzinou no exato instante em que o sinal abriu? Odiou ao seu vizinho quando ele insistiu em ouvir aquelas músicas breguíssimas que você destesta a todo volume, sem respeitar a lei do silêncio? Desejou que os políticos deste país ardessem no mármore do Inferno? Disse todos os dias do ano para sua mulher que a ama porque essa é uma verdade de sua vida?

O ano termina, e nasce outra vez.
Então, é Natal. E o que você fez?
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É CADA VEZ MAIS COMERCIAL

Passei o Natal com a família de minha mulher e amigos. Num dado momento minha cunhada disse que, atualmente, quase não vemos presépios. O que se vê é a predominância da imagem do velho Noel e seu grande saco (epa!) de presentes, um claro e inequívoco ícone do consumo e do capitalismo. Para ela, o Natal se torna cada vez mais um evento meramente comercial, onde o que importe é comprar, gastar, presentear. A tradição e o ritual de armar o presépio, e toda simbologia que o cerca, está desaparecendo. Mas é isso que faz girar a roda da economia mundial e do progresso das nações, não é?

A modernidade tem dessas coisas: é tradiciofágica (tem essa palavra? Não a encontrei nem no Google!), ou seja, devoradora da tradição. É o que acontece com o ato de mandar cartões de Natal. Com a internet fica mais fácil, mas rápido e barato enviar os votos natalinos envolvidos em modernos cartões digitais multimidias.

Há tempos que não envio nem recebo cartões de Natal pelos Correios e, neste ano, também nem um telefonema votivo recebi. Mas encontro meu Orkut e minha mail box repleta de mensagens natalinas, muitas com anexos em PPT, apresentações típicas da época que nos convidam a refletir no sofrimento, nas lições e palavras do Crucificado; a pensar na máxima espírita de Kardec que "Fora da caridade não há salvação", em "Paz sobre a Terra aos homens de boa vontade" etc.

O Natal no mundo virtual não é melhor que o Natal no mundo real. Pode ser até mais bonitinho com tantos gifs animados, com tantas mensagens lindas em cartões animados ou em imagens magníficas, mas diabos! é tudo tão repetitivo, tão dejá vú, que uma sensação de cansaço me domina.

Mesmo assim, quero desejar para você que me lê de vez em quando ou agora pela primeira vez, e do mais fundo de minha alma, um Feliz Natal e um amazônico 2009, pleno de Paz, Saúde e Prosperidade.

sábado, 20 de dezembro de 2008

FORMAÇÃO DE PROFESSORES & AS TIC

2008/12/19 Luis Cavalcante escreveu-me:
Formar professoras(es) para utilizar pacotes de escritório como editores de textos, programas de apresentação, planilhas ou aplicativos relacionados a programação ou a computação gráfica parece não fazer mais sentido, quando cada vez mais encontramos novas ferramentas com imensas possibilidades de uso educacional na internet.


Caro amigo, você está certíssimo nessa análise e conclusão: chegamos naquilo que Capra denomina "Ponto de Mutação", o momento de transição entre paradigmas, o fim de ciclo e o início de outro que se impõe. Antes do velho paradigma desaparecer surge outro, e num mesmo instante coexistem os dois, criando conflito. E é exatamente isso que marca o ponto de mudanças, a mutação entre um estágio e outro. Na Informática aplicada a educação estamos vivenciando essa mudança.

Eu já disse noutras vezes, em outras palestras e mesmo no meu blog, que em se tratando de comunicação e transmissão de informações, ja' tivemos a Era da Oralidade, quando a informação era transmitida somente de boca à orelha. Era a modalidade one-to-one. Nessa era usáva-se apenas 1 dos sentidos, a audição. Depois veio a Era da Leitura/Escrita, quando a mensagem era transmitida por sinais gráficos impressos em mídia concreta (pedra, argila, papiro, pergaminho, tecido, papel), e também usávamos apenas 1 dos sentidos, qual seja, a visão. A sociedade de então era dominada por essas formas de comunicação unidirecional. E, evidentemente, a escola se fundamentava nelas, cada uma ao seu tempo, naturalmente.

Depois veio a Era do Som, com dois momentos: o primeiro quando a mensagem era transmitida a longas distâncias e por meio da eletricidade (telégrafo e telefone), e o segundo quando surge a mídia eletrônica, na figura da radiodifusão. Essa era pode ser sintetizada na expressão "vozes no céu", do escritor Arthur C. Clarke. Novamente continuamos com a predominância de apenas 1 dos sentidos.

Com o cinema e a televisão entramos na Era do Vídeo, e a informação tem um suporte mais amplo e de potencialidades quase ilimitadas, porque passamos a empregar dois sentidos, onde um praticamente não predomina sobre o outro, mas se ajustam, se casam para formar um único. Assim, som e imagem se unem pela primeira vez numa única plataforma, para criar múltiplas interpretações e subjetividades. Seu impacto na política, na economia e na cultura de massas é praticamente incalculável.

Até então tínhamos duas categorias de indivíduos: os produtores de informação e os consumidores dela; os que emitiam a mensagem e os que recebiam; os que apresentavam e os que assistiam etc. Vivia-se a modalidade one-to-many. Esse modelo tb acontecia no chão da escola.

Mas eis que surge a Era Digital, e a informação encontrou seu mais perfeito meio de transmissão e propagação. Agora o indivíduo emprega três de seus cinco sentidos: a visão, a audição e o tato. Tá certo que o sentido do tato é o mais limitado dos três, mas já existem softwares que conseguem transmitir informações para o usuário por meio de vibrações no controle em suas mãos. E já há estudos para que o computador possa reproduzir cheiros quando mostrar uma determinada imagem.

Com as ferramentas de interação e de criação de comunidades virtuais, a nova mídia permite que todos se tornem produtores, autores e/ou co-autores de conhecimento. Com isso ela acrescenta uma dimensão poderosa ao tradicional processo pedagógico: fez surgir o aluno autor, distribuidor e compartilhador de conhecimentos. Nesse novo paradigma, a palavra de passe é “cooperação”. A nova mídia, da sociedade pós-moderna, refaz a força da cooperação e da solidariedade entre indivíduos, antes abandonada ou relegada a um plano inferior na era anterior. E não importam as distâncias geográficas, as diferenças e anacronismos culturais; o que importa é que os indivíduos agora se juntam em comunidades segundo seus propósitos e interesses. Estamos agora na modalidade many-to-many (essas terminologias encontrei no livro “Cultura da Interface - Como o computador transforma nossa maneira de criar e comunicar”, de Steven Johnson.Zahar. 2001).

É claro que diante da nova mídia e da falta de domínio que temos dela, a escola e os educadores apresentam uma tendência para trabalhar com uma formatação a qual estão acostumados. Eis porque as analogias entre o que fazemos tradicionalmente nas salas de aula e o que fazemos na sala de informática ainda predominam. Mas isso está mudando com as novas possibilidades criadas pelas redes sociais no mundo digital.

E nesse cenário, concordo que já não basta ensinar o professor a trabalhar com um software de criação de desenhos como o Paint, ou com editores de textos, de apresentações ou com planilhas eletrônicas. A formação do professor do terceiro milênio deve ser multimidiática também. Eis porque insisto em trabalhar com as ferramentas de interação e colaboração digitais, como blogs e podcast, como ferramentas de formação tanto do estudante quanto do professor.

Uma nova pedagogia está surgindo e somos nos, os educadores atuais, que a estamos construindo, mas não seremos seus beneficiários. Estamos deixando isso como legado.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

ALMANAQUE EDUCAÇÃO

Caro amigo leitor, essa postagem é para divulgar o Almanaque Educação, um programa da TV Cultura lançado em setembro de 2008, que é um “caleidoscópio informativo e cultural” voltado para estudantes dos ensinos fundamental e médio, cujos quadros são deliciosos de se assistir e podem ser excelentes objetos de aprendizagem. Confiram alguns como Escola mundo afora, Túnel do Tempo, Pílulas do Saber, Ao mestre com carinho e garanto que você também se tornará um fã. Clique AQUI

Em meio a enxurrada de programas de baixa qualidade da TV aberta no Brasil, sou fã de carteirinha da TV Cultura. Somente ela oferece uma programação que mescla informação, entretenimento e educação, agregando valores culturais e prestando um importante serviço ao telespectador. E não apenas tem compromisso com a formação cultural, mas também oferece ferramentas para a complementação do currículo escolar e para o desenvolvimento de conceitos de cidadania.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

PESQUISA SOBRE O IMPACTO DO SOFTWARE PÚBLICO

Caro Leitor, começou uma pesquisa que pretende avaliar e identificar os impactos dos softwares públicos na sociedade brasileira. Considero que nos, educadores que lidamos com soluções Open Source, podemos e devemos colaborar nesta pesquisa. Se deseja colaborar, cadastre-se no Portal do Software Público Brasileiro (me cadastrei em 11/11).

O Portal oferece um conjunto de serviços públicos e promove a integração entre setores e usuários de softwares públicos. Lá você tem oportunidade de conhecer diversas soluções desenvolvidas por setores governamentais ou não, ler artigos, fazer parte de comunidades disponíveis (faço parte de duas:i-Educar e Xemelê), atualizar-se sobre o que andam desenvolvendo em termos de Open Source no setor público federal, e ler sobre a pesquisa supra referida. Abaixo um trecho da mensagem que recebi divulgando a pesquisa:

A pesquisa que trata do impacto do software público na sociedade, anunciada no dia 01 de dezembro, pela professora Christiana Freitas da UNB, durante o Open World Forum em Paris, começa hoje. Será a primeira pesquisa no Brasil a tratar do modelo do software público. A partir de agora já é possível acessar o questionário que será utilizado como base para pesquisa e para as análises.
A coordenação do Portal do Software Público Brasileiro, os parceiros e todas as comunidades apóiam a iniciativa, que vai gerar o retrato do impacto do conceito e do Portal na sociedade.
A pesquisa pode ser acessada pelo endereço CLIQUE AQUI

Acreditamos que o software público permitirá novas configurações de redes sociais, políticas e econômicas favoráveis ao desenvolvimento do Brasil. O impacto será significativo, não só no País, mas em todas as nações que perceberem a importância da iniciativa.
A sua participação será fundamental para o sucesso da pesquisa!

Para conhecer um pouco mais sobre os objetivos da pesquisa basta acessar a entrevista realizada com a professora Christiana Freitas, responsável pela elaboração da estrutura da pesquisa. Clique AQUI:

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

A TECNOLOGIA, A EDUCAÇÃO E A FÉ

Caro leitor, a reflexão abaixo é por conta de um reclame, um comercial, que passa na TV aqui em Belém e que, diga-se de passagem, é muito criativo. Fala de coisas bem paraenses, do folclore local, mas a mensagem é válida para urbe et orbe. Assista ao vídeo e leia o texto, depois.


A onde nos leva a Tecnologia, a Educação e a Fé?

Colocados assim, parece que Tecnologia Educação e Fé formam o tripé do progresso e evolução da sociedade e do indivíduo. E bem que poderia ser, mas a verdade é bem outra.

Os últimos 50 anos tem sido os mais fantásticos da história humana. Descobertas e invenções jamais imaginadas promoveram um desenvolvimento tecnológico de tal magnitude que a sociedade contemporânea ficou conhecida como "sociedade pós-moderna". A sociedade navega pelo hiperespaço. A tecnologia nos tem levado aonde homem algum sonhou ir. Seja no mundo micro quanto no macrocosmo; no mar, na Terra ou fora dela. E o que ainda não foi alcançado é só uma questão de tempo.

Nesse mesmo tempo a Escola, que por dever de ofício deveria acompanhar pari-passu a tecnologia, incorporá-la, se embebedar dela, viajava à tração animal como no século anterior. E percebeu que não conseguiu nos levar para muito além do nosso jardim ou quintal. Nesse cenário os educadores tentam, se não recuperar o espaço perdido, pelo menos diminuir a distância entre a Educação e a Sociedade Tecnológica onde a escola está imersa.

Mas, com tanta ciência remodelando nossa sociedade, com tecnologia circundando o indivíduo, é cada vez maior o número de pessoas que recorrem a bolas de cristal, a cartomantes, a videntes e toda sorte de artifícios para enganar o destino. A milenar filosofia árabe adverte que "tudo está escrito"; o que é resumido na expressão "Maktub" (e tem muita gente que pensa que isso é coisa do mago Paulo Coelho). Ciência, educação e fé são como líquidos de densidades diferentes em um mesmo frasco. São como aqueles óleos trifásicos de "O Boticário", ou aqueles drinques sofisticados de três cores: em repouso são distintos, mas só funcionam quando agitados, pois espera-se que no fim tudo se misture.

Mas, o homem moderno traz o espírito de outra época, a da idade média. Em meio a avançada tecnologia mantém seus medos, seus temores, suas crenças mais primitivas e ancestrais. Levante a mão quem não conhecem alguém que carrega um patuá, um santinho na carteira ou um crucifixo pendurado no espelho interno do carro? Quem não conhece alguém que acredita em tabus, nas benzeções, nos feitiços, nas rezas brabas, no Livro de São Cipriano, no olho gordo dos Zecas Pimenteira, na sorte ou no azar? O piloto brasileiro Felipe Massa, por exemplo, vive rodeado do que há de mais moderno em tecnologia, mas não esconde uma crença atávica em seu patuá, seu amuleto: sua cueca da sorte.

Se a tecnologia, a educação e a fé não estão sendo suficientes para formar o cidadão do terceiro milênio, o que será?
No TOP BLOG 2011 ficamos entre os 100 melhores da categoria. Pode ser pouco para uns, mas para mim é motivo de orgulho e satisfação.
Sou muito grato a todos que passaram por essa rua que é meu blog e deram seu voto. Cord ad Cord Loquir Tum