segunda-feira, 17 de novembro de 2008

ATUALIZAR O BLOG É KARMA DE BLOGUEIRO

Caríssimo leitor, quero começar esta postagem me desculpando. Se você é um dos que percorre essa rua com frequência, deve ter observado que há duas semanas nada mudou, não apresentei nenhuma nova postagem, nenhum elemento novo na página. É que tenho andado sem tempo para me entregar ao prazer que é manter esse blog atualizado, e isso tem me incomodado, porque não lhe ofereci nada novo e nem dei o melhor de mim.

Não! Não sou daquelas pessoas que recebem visitas em casa e dizem "Desculpe a bagunça" ou "Não repare a desarrumação". Isso fica parecendo que só arrumamos a casa para receber visitas. O blogueiro deve manter atualizado seu blog para satisfazer a si próprio, e não porque alguém virá visitar, eventualmente. É, na verdade, uma obrigação que ele assume no instante que decide ser blogueiro.

Ao criarmos um blog e conquistarmos visitantes e seguidores, criamos também laços de afetividade e de compromisso que, diria a raposa de Antoine de Saint-Exupéry, nos tornam responsáveis por aquilo que cativamos. É o mesmo que acontece com o escritor consagrado: com seus livros ele conquista afetos de corações e mentes. Com seus livros ele não somente ajuda a criar uma rede de amigos, mas se constrói e reconstrói nela e por ela. Assim é com o blogueiro e seu compromisso de escrever. Não importa se escreve para si ou para outros, importa escrever. Escrever é como navegar: é preciso. É esse espírito dos antigos navegantes que deve mover os que escrevem, sejam eles grandes romancistas, poetas ou um humilde blogueiro. Eis o que está no cabeçalho desse blog.

Ao contrário da imagem do navegante, que é escravo de seu barco, de sua bússola e de um destino certo para um porto seguro, o blogueiro não deve ser visto como um prisioneiro do escrever, mas de um compromisso tácito. Então tenho um compromisso contigo, e tu o tens comigo. Compromisso é responsabilidade, é o dever que adquirimos para com o outro, para conconosco e para com o Cósmico. E responsabilidade é Karma!

Manter um Blog sempre atualizado é como ter uma casa e mantê-la sempre arrumada, mas não porque recebemos frequentes visitas, mas porque nos faz bem ter e manter um ambiente agradável, harmônico, que nos conforta e nos traz satisfação e prazer. Satisfação e prazer que compartilhamos com as visitas. Assim, visitar um blog que se mantém sem nenhuma postagem nova por longo tempo, é como caminhar por uma rua cujas vitrines apresentem sempre o mesmo espetáculo: depois de certo tempo você pode até passar pela calçada, mas não olhará mais para ela.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

VENCEDORES DO CONCURSO DE BLOGS 2008

Certos projetos despretensiosos, ou mesmo ações simples, que fazemos em nossa caminhada profissional, ainda que de início não tenha a acolhida esperada, muitas vezes, ao fim e ao cabo, nos enchem de satisfação e regozijo. Este é o caso dos projetos de blogs educacionais de escolas públicas das redes estadual e municipal de Belém, que criei no Núcleo de Tecnologia Educacional-NTE e Núcleo de Informática Educativa-NIED, respectivamente.

Dentro desse projeto, foi criado o 1º Concurso de Blogs de Escolas Públicas Estaduais de Belém (leia mais AQUI), para estimular o emprego de blogs como instrumento de interação entre as escolas da rede, entre alunos e professores, e de divulgação das ações desenvolvidas na/pela escolas.

Nas oficinas de Blog que realizei em 2007 e 2008, todos os participantes eram professores lotados em Salas de Informática (SI), mas nem todos criaram blogs para suas escolas. Outros apenas criaram. Não deram continuidade, não fizeram postagens. Uns alegam que falta apoio e interesse da direção da escola ou que falta a colaboração de outros professores; outros que falta internet na escola. Curiosamente, a escola que teve o blog escolhido como melhor, a Escola de Outeiro, não tem internet na sala de informática. E isso nos mostra o que já sabemos de longe, que algumas escolas, e alguns professores, não sabem aproveitar os recursos que possuem, enquanto outras/outros superam suas dificuldades e limitações na busca por fazer/dar o melhor de si, pois esses compreendem que é essa sua missão; é o compromisso que assumiram com o Cósmico.

E há, ainda, o fato de escolas que ainda não possuem Sala de Informática, mas alguns de seus professores participando dos Cursos de Introdução a Educação Digital que ministramos no NTE, aprenderam a construir blogs e ao perceberem o potencial pedagógico dos Blogs, decidiram criar e manter um Blog para a escola. É o caso da Escola Estadual Waldemar Ribeiro, que não tem SI nem computadores, mas um professor decidiu criar um blog para divulgar os trabalhos na/da escola. E participaram do concurso!

Nesta postagem quero, primeiramente, agradecer aos professores que aderiram ao projeto e acreditaram que a Internet é a via de progresso, crescimento e evolução da educação. Que acreditam que o blog pode contribuir para a interação entre Escola e Comunidade, e que é preciso oferecer ao estudante mais do que o que está contido entre o chão, teto, paredes e carteiras de uma sala de aula, ou seja, que é necessário ampliar a Cosmovisão dos alunos e torná-los cidadãos globais. E os blogs educativos servem pra isso!

Quero agradecer aos colegas que colaboraram comigo e informar que no Blog do NTE já divulgamos a relação dos 10 melhores, os vencedores desta 1ª edição. Mas, abaixo, estou divulgando essa relação. (Clique na imagem para aumentar)

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

BLOG SERVE PRA ISSO!

Antigamente, até a época do descobrimento do Brasil, vivía-se a Era da Oralidade. Apenas ouvíamos. A produção de informação era centrada em poucos indivíduos, e transmitidas oralmente. Aos demais cabia OUVIR e confiar na memória para garantir uma transmissão fidedigna. Depois, com a prensa de Gutemberg, veio o advento da imprensa escrita e o acesso a informação tornou-se possível a todos que soubessem ler. Entramos assim na Era da Leitura. Mas a produção da informação continuava restrita a poucos.

Cerca de 400 anos depois entramos na Era do Rádio. As notícias se espalham mais rapidamente, entretanto continuamos como ouvintes, e sem ter acesso a produção e propagação de informação. Na década de 1960 conhecemos a televisão, e inaugura-se uma nova era: a Era do Vídeo. Já não ficamos somente ouvindo as notícias. Agora queremos "ouvir com os olhos". A partir daí as coisas se aceleram e apenas 30 anos mais tarde os computadores pessoais abrem um novo mundo à informação e comunicação. Entramos na Era da Multimídia. Deixamos de ser apenas receptores. Enfim podemos produzir, editar, publicar e compartilhar a informação.

E os Blogs servem pra isso! Num texto escrito para a apostila do Curso de Formação de Professores em Linux Educacional, realizado pelo NIED-Semec/Belém, escrevi: "Nesse cenário, a criança convive com um mundo formatado pelas Tecnologias da Informação e Comunicação-TIC; cresce e se desenvolve onde impera o computador, a mídia televisiva, as imagens frenéticas e coloridas, um universo imersivo, multivisual e multisonoro. (...)
Em contrapartida, a escola atual lhe oferece um mundo estático em preto e branco e espera que ela tenha reações de euforia e contentamento.
"(Para ler o texto completo, clique AQUI.)

O estudante da era da comunicação digital e imersiva já existe. E esse número aumenta exponencialmente a cada ano. Somente o espaço pedagógico tradicional se mantém o mesmo. Uma nova educação, uma nova escola, um novo educador tornam-se obrigatórios e urgentes. Nessa era nem o professor nem o aluno estão mais dispostos a, somente, LER, VER, OUVIR. E os Blogs servem pra isso!

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

A REDE MOCORONGA & O JOOMLA!

Encerra-se hoje a 7ª Oficina de Inclusão Digital-OID. O número de participantes excedeu em muito os 3 mil, e descontando a desorganização visível desde o primeiro dia, posso dizer que o evento foi satisfatório quanto a proposta de apresentar os projetos de Inclusão Sócio-Digital regionais e nacionais, com foco em telecentros. A expectativa final do encontro é elaborar a Carta de Belém, um documento que contenha as reinvidicações e as diretrizes sobre políticas públicas para a inclusão digital e social brasileira.

Embora ocupado com o curso Tecnologia na Educação: ensinando e aprendendo com as TIC (100 h), que começou uma nova turma na segunda-feira passada (03/11)no NTE Belém, assisti a alguns debates, palestras, plenárias, apresentação de casos e oficinas (veja mais na postagem abaixo).

REDE MOCORONGA
Um dos projetos que achei mais interessantes está sendo desenvolvido em Santarém, município do Pará. Trata-se da Rede Mocoronga de Comunicação Popular, uma ação educomunicativa da Ong Saúde e Alegria, um projeto que nasceu em 1987 e "atende cerca de 150 comunidades com programas de desenvolvimento comunitário integrado nas áreas de saúde, organização comunitária, economia da floresta, educação, cultura e comunicação. A arte, o circo e a comunicação são os principais intrumentos de educação e mobilização da proposta."

JOOMLA!
Outra oficina que considerei interessante foi a de criação e gerenciamento de sites com o JOOMLA!

A oficina foi ministrada pelo Thiago Cardoso, do GNUSP. O Joomla é um software livre e possui uma comunidade espalhada pelo mundo. Seu nome é de origem africana e significa "todos juntos", semelhante a filosofia conceitual do Ubuntu. Oferece uma ampla gama de ferramentas para a criação e administração de sites que dispensa o conhecimento de programação.

O Joomla permite modificar layouts com muita facilidade e criar cadastros on line sem o conhecimento de PHP, HTML etc. Tudo pode ser feito com um simples clique de botões, mas também satisfaz quem domina essas linguagens de programação.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

7ª Oficina para Inclusão Digital-Belém 2008

Começa hoje (Terça-feira,4/11) no auditório principal do Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, a cerimônia de Abertura da 7ª Oficina para Inclusão Digital. O encerramento acontece dia 7/11. Estaremos lá trazendo alguns informes para esse espaço. Veja os temas dos debates:

1. A inserção do tema Inclusão Digital junto ao Fórum Social Mundial
2. Inclusão digital na perspectiva dos territórios
3. Debate sobre crimes digitais e liberdade de ação na internet
4. Debate de construção da Carta de Belém

AS OFICINAS PRÁTICAS
1-Recondicionamento de computadores
2. Desmanche, reciclagem e disposição final de resíduos tecnológicos
3. Metareciclagem e Robótica Livre
4. Formação a distância e presencial
5. Acessibilidade
6. Software livre e telecentros: soluções e potencialidades
7. Educação previdenciária e campanha pelo Registro Civil de Nascimento
8. Elaboração e gestão de projetos
9. Comunicação comunitária e publicação web
10. Oficina de conectividade
11. Como montar cooperativas tecnológicasv
12. Telecentros de Informação e Negócios: compartilhamento de experiências
13. Joomla! Construção e gerenciamento de conteúdos coolaborativos

AS OFICINAS PARALELAS
1. Oficinas que serão realizadas pelo Ministério da Educação:
1.1 Instalação do Conteúdo Livre do Linux Educacional
1.2 Portal Domínio Público
2. Oficina WebRadio
3. Oficina de Vídeo
4. Elaboração e Gestão de Projetos Culturais
5. Teatro do Oprimido sob a ótica da Inclusão Digital
OFICINAS GESAC sobre tecnologias livres de informação e comunicação Centro Multimídia GESAC

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

O QUE VOU DIZER NUM BLOG?

Eu entendo que toda pessoa tem algo para dizer a outra, algo de si, e um blog pessoal funciona excelentemente bem para isso. Desde que o indivíduo se encontre naquilo que escreve e, principalmente, que escreva sobre algo que goste realmente.

Com essa premissa iniciei, em 2007, a primeira oficina de blogs para professores de salas de Informática de escolas públicas estaduais, posteriormente fiz oficinas iguais para professores da rede municipal (os resultados podem ser vistos no Blog do NTE e no Blog do NIED).

Como blogueiro fui contaminando todos os colegas de trabalho, instigando-os a criarem seus blogs, a espalharem a idéia de usar blogs como poderosas ferramentas para se trabalhar as habilidades auto-expressivas do aluno, contribuindo para criar ou desenvolver novas habilidades reflexivas em leitura, escrita, pesquisa; além de servir para divulgar os trabalhos desenvolvidos na escola. Hoje tenho muita satisfação de ver meus companheiros de NTE e NIED, todos, com seus blogs e ensinando a criar blogs.

Pois foi na turma do Prof. Dilson Aires que uma cursista, a profª Cristina Mácula, fez seu primeiro blog e deu o depoimento abaixo em sua primeira postagem. Gostei tanto que reproduzo aqui:

Nunca entendi de Blogs, nunca vi função nos Blogs que eu nem entendia, nunca tive "saco" para ler um Blog por inteiro, nunca pensei em ter um Blog, nunca tenho tempo... muito menos para ter um Blog...
Até que um dia, meu professor, o Mestre Dilson, disse que todos os alunos deveriam criar um Blog... AAAAAH!! O que vou dizer no Blooooooog??? Pelo amor de Deeeeus!!...
Passado o desespero inicial, lembrei de um antigo sonho: conversar com o mundo sobre os meus filmes prediletos. Pronto!
Nunca usei tanto um 'computer', nunca digitei tanto, nunca tive tanto o que escrever, nunca estive tão empolgada na frente da 'internet' e nunca fui tão feliz!!!
De cinéfilo para cinéfilo, quero compartilhar com você, como nunca o fiz , a minha paixão: filmes.
E... nunca diga nunca.
Felicidades.
* acesse o blog AQUI.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

A MATEMÁTICA DE RIBEIRINHOS AMAZÔNIDAS

Caro leitor, nessa postagem quero lhe falar sobre algo de que gosto bastante: Matemática, ou melhor, Etnomatemática. Ah! Não faça essa cara, e nem se vá para outro blog. Espere! Não vou falar da hermética Matemática acadêmica, ou da mística Matemática Divina (sim, há uma, sabia?). Falarei da Matemática que você emprega, sem se dá conta, nas coisas simples do seu cotidiano; como aquilo que denomino “Matemática de cozinha”. Já observou quantos conhecimentos matemáticos são necessários para preparar um bolo, uma lasanha, um pão caseiro, um Cassoulet ou Ratatouille?
Dia desses provei para a minha empregada, enquanto ela preparava uma caldeirada, o quanto ela sabia de Matemática.
A nossa cozinha sempre esteve rica de Matemática e mal percebemos, talvez porque essa Matemática não seja valorizada pela escola.
O fato é que, para preparar qualquer prato, assim como comprar os ingredientes, é necessário conhecer e empregar algumas unidades de medidas, como o Grama e o Litro. Mas há outras que utilizamos diariamente sem a cerimônia acadêmica dessas duas. São as unidades de medida não convencionais, que fazem parte do que chamamos Matemática Cultural, Matemática Materna ou Etnomatemática. Etnomatemática é um conceito criado pelo eminente matemático brasileiro Ubiratan D’Ambrosio.
Você já deu "uma tragada"? Num cigarro, claro! (Desculpe, eu sou antitabagista, mas é apenas a título de exemplo, certo?). Já tomou "um gole", já usou uma "pitada de sal", um "fio de óleo", "um punhado" de farinha? Já comprou uma “mão de milho”? Pois, então, já empregou essas unidades não convencionais. E se buscar com cuidado, acabará encontrando outras unidades para medir quantidade, massa, volume, área, comprimento, tempo, típicas de sua região para.
É o caso de algumas curiosas unidades de medidas encontradiças nas muitas comunidades ribeirinhas do Pará, tanto em corriqueiras transações comerciais quanto em atividades de plantio, colheita, pesca, fabricação de instrumentos. Quando cheguei aqui achava estranho ouvir alguém dizer, por exemplo, que vendeu dez rasas de açaí; que comprou um frasco - ou um paneiro - de farinha; que comprou um litro de camarão, uma pêra - ou um cofo - de caranguejo, uma mão de milho; que tem uma tarefa para roçar, que plantou uma carreira de eucalipto, que tem “uma linha de arroz para apanhar”, que viu “uma sucuri com 16 palmos de pé”.
Inspirado em Ubiratan D’Ambrosio, este blogueiro concebe “a disciplina matemática como uma estratégia desenvolvida pela espécie humana ao longo de sua história para explicar, para entender, para manejar e conviver com a realidade sensível, perceptível, e com o seu imaginário, naturalmente dentro de um contexto natural e cultural” (1996, p.7). No entanto, é preciso esclarecer o conceito de realidade que estamos empregando: “here we understand reality in its broadest sense (i.e. natural, physical and emotional, into which the individual is immersed) and individual as an element of this reality wich, being part of it, performs inteligent actions, which will reflect upon this reality” (D’AMBROSIO, 1985, p.15).
Nessa teia do fazer cotidiano em que o indivíduo está imerso, e que constrói e reconstrói incessantemente, despontam vez ou outra alguns nós que revelam particularidades na relação do sujeito com o todo circundante, e ao observá-los podemos identificar as ferramentas (cognitivas, dialógicas ou concretas) que ele cria ou se apropria, na tentativa de entender, explicar, problematizar e propor soluções. E as relações entre as práticas sócio-culturais e a matemática oral ou dialógica, seja dos caboclos ribeirinhos, seja dos feirantes no Ver-O-Peso, seja do lavrador, do pedreiro ou da minha empregada, se evidenciam nesses elementos nodais.
Entretanto, a tese que norteia nossa ação pedagógica deve ser a de que o conhecimento matemático resulta das interlocuções estabelecidas pelo homem com os elementos culturais do contexto no qual é produzido. Quando assumido como linguagem, esse conhecimento torna-se um recurso fundamental no exercício de leitura da realidade, voltado à elaboração de soluções dos problemas cotidianos na caminhada pela melhoria da qualidade de vida.

Referencias
D'AMBROSIO, U. Educação Matemática: da teoria à prática. Campinas: Papirus. 1996. ________________. Sócio-cultural bases for a Mathematics education. Campinas: Unicamp. 1985.

sábado, 18 de outubro de 2008

E a cigana analfabeta lendo a mão de Paulo Freire (Beradêro-Chico César)

Eu sempre gostei de ler. Quando menino e adolescente, achava que lendo também estava estudando, ou que só estava estudando se estivesse lendo. Então veio o Ziraldo e disse que "Ler é mais importante do que estudar" (já fiz uma postagem aqui mesmo sobre isso - clique AQUI para ler). Com essa frase ele substituiu o ato obrigatório de estudar pelo prazeroso ato de ler, e libertou a gurizada.

Depois veio Paulo Freire me dizer que ler não é apenas juntar signos linquísticos, mas ter uma apreensão maior da realidade. E aprendo que "A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente" (Paulo Freire).

Então, há diversas linguagens e códigos no mundo, e NÃO EXISTE quem não saiba "ler" pelo menos uma delas. O índio analfabeto sabe ler os sinais da floresta; o pescador analfabeto sabe ler o horizonte; a cigana analfabeta sabe ler a mão do doutor. Descubro que ANALFABETO nada tem a ver com a leitura de que fala Paulo Freire. Analfabeto é, APENAS, uma expressão criada pela sociedade letrada para identificar o indivíduo que ainda não desenvolveu a habilidade de interpretar o significado dos caracteres que compõem um texto impresso.

É por isso que gosto tanto da canção Beradêro, do Chico César. Ela fala da leitura desse mundo não acadêmico. Quem está acostumado com a literatura nordestina de cordel, logo reconhece o estilo. A letra toda é um belo trabalho de rima e metáforas em redondilha de sete pés. Tem cheiro de chão, pó, poeira. Cheiro de nordestino, gente lutadeira. Gente que quase só tem de consolo os sonhos; que sai da miséria no Nordeste e “o olhar vê tons tão sudestes”, nessas léguas tiranas da vida.

Ah, se eu fosse professor de literatura! Empregaria essa poesia num trabalho de leitura com meus alunos. * Foto do autor, tirada durante show no dia 09/10 em Belém

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

INFORMÁTICA & AS BOTAS DE SETE LÉGUAS

Uma ou duas indagações cabulosas, caro leitor, talvez não seja a melhor forma de iniciar este artiguete, mas pensei em fazer-te um desafio. Então, segura: Na sua opinião estamos presenciando uma revolução ou uma reforma no ensino com a chegada dos computadores? A informática promoveu um salto na qualidade da educação brasileira ou um retrocesso no desempenho dos alunos? É possível uma tecnologia educacional progressista ser incorporada a práxis pedagógica de professores conservadores? Enquanto você reflete, sigamos com o texto.

Meu primeiro contato com o computador como ferramenta pedagógica foi em 1990. Soube de um curso que o então Centro de Informática da Educação - CIED, órgão do Departamento de Informática Educativa (DIED/SEDUC) ministraria na Escola Agroindustrial Juscelino Kubitschek-JK, em Benevides. Fiquei curioso e me inscrevi. Segundo me informaram, o laboratório de informática do JK foi o primeiro montado em uma escola pública no Brasil (antes só em universidades). As máquinas eram 486 DLC Ciryx, sistema MS-DOS (e acho que Windows 3.1) em rede Novel. O software trabalhado foi o Logo Writer (em espanhol), que rodava em DOS. Aquilo era para mim algo curioso e interessante mas, confesso meio acabrunhado, naquela época eu não enxergava o potencial pedagógico do computador, mas gostei de comandar a tartaruguinha.

Em 1997 soube que o CIED selecionaria professores para uma especialização em Informática Educativa pela Universidade do Estado do Pará-UEPA, e que estes iriam compor a primeira turma de Multiplicadores do ProInfo. Fiquei curioso e me inscrevi. Bem, a partir dai comecei a considerar a informática como a coisa mais importante no cenário educativo, depois da invenção do livro e do professor. No primeiro momento julguei que os computadores logo promoveriam a ansiada reforma no ensino público, permitindo aos atores do processo (a escola, o aluno e o professor) darem o ansiado salto na qualidade da educação.

E eu tinha uma analogia para os computadores na educação que gostava de pensar: imaginava que essa tecnologia seria algo como a bota de sete léguas, dos contos de Perrault. No conto, o Pequeno Polegar calça as botas de 7 léguas do gigante e elas, por mágica, se ajustam ao seu pé, então ele pode vencer grandes distâncias sem esforço. Eu achava que assim seria quando os professores "calçassem" os computadores. E acho que foi isso que os projetistas palacianos de brasília também pensaram que iria acontecer quando os computadores aterrissassem nas escolas: que os professores dariam gigantescos saltos no seu modus operandi , trazendo a escola do século XVII ou XVIII em que pedagógicamente vivia, para as portas do novo milênio. Com isso os estudantes dariam saltos significativos na qualidade de sua aprendizagem, construiriam conhecimentos com mais facilidade e prazer. Hoje o cenário que vejo me deprime, mas não me desistimula.

Continuo tentando convencer professores a calçarem as botas de 7 léguas do gigante, prometendo que se ajustarão direitinho em seus pés; que com elas podem ir por mares nunca dantes nevegados sem temor. Continuo tentando por asas em seus pés, para que eles possam pô-las nos pés de seus alunos.

Isto posto, espero que você tenha compreendido que o que importa não é responder as indagações feitas, mas se satisfazer com a busca pelas respostas.

sábado, 11 de outubro de 2008

A CENSURA DOS PAIS É ZELO.

Desculpem os tecnobregueiros, funkeiros, pagodeiros, os famigerados “forrozeiros” e duplas country, mas gosto de música de qualidade, que tenha conteúdo, que tenha poesia inteligente, lapidada, e de arranjos bem elaborados. Nessa postagem quero falar dessa onda de músicas de qualidade no mínimo duvidosa (para ser cortês e educado), que teriam seus discos quebrados sumariamente pelo Flávio Cavalcante, se ele ainda estivesse vivo e apresentando seus memoráveis programas.

Eu costumava assistir com meu pai aos programas do jornalista e apresentador Flávio Cavalcante, lá em Nova Iguaçu (RJ) nos meados da década de 1960 e década de 1970. Flávio Cavalcante em seu “Um instante, maestro!”, quebrava os discos que traziam letras maldosas ou de má qualidade. prestou valiosos serviços à música brasileira. Ele faz falta hoje, quando as rádios e TV divulgam tanto lixo sonoro travestido de música, que já formam (ou deformam?) o gosto musical de uma geração.

É admirável que se toque nas rádios e programas de TV de apelo popular, tantas músicas cuja vulgaridade e até mesmo obscenidade chegam a ser um atentado ao pudor. Não falo das besteira de duplo sentido cantadas antigamente pelo Genival Lacerda, Sandro Beker (quem se lembra?) e outros. Estas estavam mais para o humorismo e a brincadeira maliciosa. Falo de músicas inspiradas em bandidos, em drogas, em sexo com letras tão explícitas e melodias tão pobres quanto idiotas, e que se tornam-se hits nacionais mais rapidamente do que catinga de carniça se espalhando ao vento.

Coisas como Créu, Funk das Cachorras e similares, ou preciosidades como “Mas se o dinheiro ta na mão, a calcinha tá no chão”, que não esconde a profissão da personagem, ou “Vamos simbora pra um bar beber, cair, levantar”, ambas do grupo de “forró” Saia Rodada, recheiam a programação musical de muitas rádios brasileiras, e bailes por todos os cantos. Já vi e ouvi, até em festas de colégio, crianças dançando com sensualidade (claro que elas não tem essa consciência nem sabem exatamente o que é isso!), sob o olhar sorridente e mesmo satisfeito dos pais, provavelmente achando lindo a filhinha dançar, empinando a bunda e se rebolando com uma mão na cabeça e outra na cintura. O fato é que os pais, por serem apreciadores dessa categoria de música e de programa de TV, não regulam o que suas crianças assistem e ouvem. Em muitos casos até estimulam a imitação.

Meus filhos ouviam os clássicos da música nacional e internacional, mas também assistiam ao É o Tcham! Minha enteada, com 11 anos, tem a base da boa MPB construída em casa; é fã de Zeca Baleiro, Rita Lee, Cássia Eller (e, claro, da banda RBD), mas de vez em quando também ouve um tecnobrega, que é a moda em Belém.
Não pensem que é falso moralismo, é tão somente mais uma preocupação de um educador que gostaria de ver as crianças tendo a chance de conviver também com a boa música brasileira e poder ter opções de escolha. Em muitos lares só se ouve coisas como “Vai popozuda...”, “Um tapinha não dói...”, “Tchu Tchuca...”; e nas TVs o que se tem é Mulher Melancia, Mulher Trepadeira, Mulher Jaca, mulher isso, mulher aquilo. A mulherada que no passado lutava contra o machismo, contra a idéia da ‘mulher objeto’, hoje se entrega a essa onda sem piar.

Não pensem que o lixo musical a que me refiro é somente produção nacional. Há muito lixo internacional que desaba sobre o nosso patropi. Coisas como “I Wanna Fuck You” (Akon) e “Becouse I got hight” (Afroman), a famosa música do Homem Beringela, são um exemplo.

A música brasileira está cheia de excelentes composições, contudo é vergonhosa e deprimente a contribuição da mídia em propalar uma música de caráter obsceno, apenas porque ela vende. Carlos Rodrigues Brandão, em seu “O que é folclore” (Brasiliense, 1982. p. 46) diz: E, todos sabemos, para a indústria da cultura não há arte, devoção, tradição ou ritual. Há produtos culturais que interessam à indústria pelo seu valor comercial: vendem? São bons!”

Não apoio a censura oficial, mas a censura de pais e responsáveis é zelo, é cuidado e formação. E escola deve promover uma leitura maior dessas músicas popularescas que fazem apologia ao crime, prostituição, drogas, e que explodiram nas periferias e hoje toma conta da mídia, sob pena de ser acusada de falta de compromisso com a boa educação do cidadão.
No TOP BLOG 2011 ficamos entre os 100 melhores da categoria. Pode ser pouco para uns, mas para mim é motivo de orgulho e satisfação.
Sou muito grato a todos que passaram por essa rua que é meu blog e deram seu voto. Cord ad Cord Loquir Tum

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