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terça-feira, 27 de julho de 2010

História da Matemática e a Numerologia - Parte IV

Começo aqui a apresentar uma leitura da origem dos números, e da própria criação, à luz da Numerologia. Embora pareça fantasioso, devo dizer que a maioria dos  ensinamentos mais importantes foram/são transmitidos de maneira fantasiosa. Isso ajuda a fixar o conhecimento.

Be-Rasit/No início

No 1 temos o início dos números...
Modo Comentário ON: Sabemos que o Zero, como número e numeral para a ausência de quantidade, só apareceu muito depois, na Idade Média, por volta do Séc. VI ou VII.(veja artigo sobre  a evolução do conceito de Zero AQUI).
Modo Comentário OFF 
    A mônada ou Nous, é a Unidade, o princípio de todas as coisas. Porém, a Unidade por si só não pode gerar coisa alguma: é estéril! Entretanto, guarda em si o princípio do hermafroditismo. Assim, é necessário que se oponha a si mesma, bipartindo-se e se fecundando, sendo ao mesmo tempo imagem e reflexo. Isso aparece na Bíblia, no Gênesis (2-26), quando lemos: “Façamos o homem a nossa imagem e semelhança.”
    Quando a Unidade (1) se biparte  faz surgir a Díade, o Dois (2), e com ele toda a classe de oposto. O 2 é a Lei da Polaridade expressa no mundo dos números. Em Geometria temos a imagem do Ponto que se desloca formando a Reta.
    Considerando o algarismo 1 como o Ser e o algarismo 10 como o Universo, produzido e criado pelo “Princípio Único” (1) do “Relativo Nada” (0), temos os dois pólos entre os quais tudo se manifesta.
Modo Comentário ON:  Na Numerologia o 1 é associado a Divindade Suprema, ao Sol e a Luz; enquanto o 2 é correlatado com a Lua, com as Trevas, as Sombras. 
Enquanto o 1 é divino, posto que a Unidade é atributo do Incriado, o plano humano é representado pelos “muitos”, nesse caso os números compostos (as dezenas). Porém o Um torna-se Muitos e os Muitos unem-se para formar o Um.
Modo Comments OFF.

      A representação simbólica para o exposto acima pode ser obtida construindo-se um círculo com um ponto no centro. O ponto representa o Um e a circunferência o Nada relativo (o Nada absoluto não existe), o Ovo Cósmico (e numerológico). A união de ambos, conforme foi expressa, representa a Década e simboliza o Criador e a Criação, Deus e o Universo.
Modo Comentário ON: Como todos sabemos pela geometria euclidiana, o ponto é admensional; não tem espaço dentro de si; não significa nada e pode representar tudo: todas as coisas vistas à distância aparecem como um ponto, seja um homem ou um planeta.
Modo Comentário OFF:
 
     Ao se deslocar, o Ponto (1) dá origem a uma linha ou Reta (2). A reta, tendo fixado um ponto numa das extremidades, desloca-se originando uma figura de três lados, gerando a primeira figura geométrica fechada (3); e surge a Tríade. Nesse ponto a Consciência toma forma, contudo ainda não é a forma em si, mas o seu significado.
Modo Comentário ON: O Três é obtido pela união do Um (a energia criadora) com o Dois, seu reflexo e complementar. A Unidade é o ativo,  a Dualidade o passivo. A junção de duas forças opostas apresenta no seu cruzamento ou intersecção, uma terceira, a neutra. Eis a tradução do símbolo representado pela Cruz.
Modo Comentário OFF:

O Ponto e a Circunferência
Deus é uma esfera cujo centro acha-se em toda 
parte e a circunferência em lugar nenhum - B. Pascal

     Mas, ao nível de Universo manifestado, até esse momento ainda não temos o surgimento da matéria nem do Homem. Estamos apenas no estágio da preparação. O Espírito Criador está estático e só; a Consciência permanece adormecida no interior do Grande Ovo Cósmico. Ainda não há nada, apenas o Cosmo, a Ordem Suprema, a imobilidade absoluta.
    De repente, o Espírito se moveu. E esse movimento desequilibrou a ordem estabelecida. Com a desordem surgiu a agitação e instaurou-se o Caos. Inicialmente de forma tímida, até atingir um nível de agitação capaz de produzir um SOM (OM ou AUM). O som despertou a Consciência e esta percebeu que o movimento, a vibração e o som deram origem a uns agrupamentos singulares de partículas extraídas de sua própria substância constituinte, durante a fase anterior. 
    Então a Consciência se viu multiplicada nesses agrupamentos. Eles eram a existência potencial que daria origem à matéria condensada e que viria a constituir o mundo no qual surgiria o Homem primitivo (Adão). 
Outras leituras similares para o parágrafo acima:
 
1 - No início a Divindade repousava no Caos do Universo até o momento da Criação. O Ser dormia no interior do Ovo Cósmico. Então a Divindade manifestou um pensamento que vibrou, e vibrando converteu-se em ação. E pela Sua vontade (1) e imaginação (2), criou (3) o mundo objetivo (4) através da multiplicidade (10) de si mesma. E do relativo nada (0) surgiu o todo completo (10) e a graça perfeita (12).

NOTA: A vontade é o poder masculino e a imaginação o poder feminino.

2 – No princípio as Trevas cobriam a face da Natureza. E o éter pairava sobre a superfície do Caos. Quando a Grande Luz brilhou no firmamento, e o abismo fugiu diante da Luz. (Sepher Ietzirah).

3 – As trevas cobriam o Abismo, e o Espírito de Deus se moviam sobre as águas primordiais. E Deus disse: Fiat lux, e a luz se fez. (Gênesis)

4 – Tudo era Trevas antes de surgir a Luz. A luz, porém, não veio das trevas, pois as trevas são a ausência da luz. (texto RosaCruz)

Pelo exposto podemos começar a entender o sistema numerológico apresentado pela bruxa ao amigo de Mefistofeles. De forma análoga podemos compreender também o pensamento dos discípulos de Pitágoras em relação aos números (da unidade a multiplicidade, do divino ao mundano).

Quanto a Cabala hebraica, na parte referente aos sistemas numerológicos (Gematria, Temurah e Notaricon), a análise apresentada oferece uma pálida introdução, suficiente apenas para o leitor obter um entendimento que cada número (do 1 ao 10) representa uma emanação do Criador. Eles são os protótipos de todas as coisas, sejam espirituais ou materiais, existentes nos quatro planos de existência, e estão sintetizadas na Árvore Sephirotal.

Na próxima postagem, a última da série, o simbolismo dos Números 

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Quando o professor está pronto o aluno aparece?

O Guru 
Meu falecido pai (que descanse em Paz Profunda),entre outras ocupações, também dedicava-se ao misticismo. Sempre que eu lhe pedia para me iniciar em certas práticas e segredos, invariavelmente respondia com um aforisma esotérico muito conhecido e verdadeiro: "Quando o chela está pronto o Guru aparece", ou "quando o aluno está pronto o professor aparece".  E me explicava que esse mestre pode vir na figura de uma pessoa, um animal, um livro, ou qualquer coisa material ou abstrata que suscite reflexões e desperte o indivíduo para um aprendizado.

Vivi esperando esse ser iluminado, mágico até, dotado de sabedoria extrema, de paciência, de compreensão da vida, sabedor dos sinais e mistérios da natureza... e que me ensinasse tudo. É óbvio! Esperava um mestre que me dissesse: 'Gafanhoto', o que buscas nessa estrada empoeirada que não termina quando chega a noite?... O caminho é por ali! Ele me afastaria da escuridão e me conduziria pela trilha da luz.

Muito, mas muito mais tarde descobri que a figura que mais se aproxima desse ideal é a do professor. Etmologicamente, guru quer dizer professor, em sânscrito (Índia, Indonésia). Mas também pode ser chamado de lama,(Tibet - um conceito  budista para monge, mas ainda assim com o sentido prático de professor), mulá (Turquia - veja as Histórias de Nasrudin) ou maestro/mestre (Espanha, México, Argentina), rabi/rabino (Oriente Médio - tem uma conotação religiosa, mas dentro do judaísmo significa professor).

O professor e o Guru 
Guru, lama, mulá, rabi, mestre, são conceitos milenares e soam com reverência. Estão carregados de um respeito que advém não somente da bagagem de conhecimentos que esse indivíduo detém e do conteúdo de suas vivências, mas de seu extrato espiritual.

O que os diferencia do atual conceito de professor? Os objetivos, a prática e a maneira de ensinar, a contemporaneidade? Não. O que faz a diferença é a família onde o aluno moderno recebe suas primeiras lições de educação básica, de moral, de ética, de bons costumes. Os pais já não controlam seus filhos, não lhes transmite responsabilidade, não sabe impor limites... E o aluno que não apresenta respeito, consideração e reverência pelos pais não irá demonstrá-los por seus professores.

Todas as dificuldades das etapas formativas do indivíduo, que deveriam ser tratadas no seio doméstico, familiar (veja Quem Ama, Educa! de Icami Tiba), são agora transferidas para os ombros do professor. E isso se agrava na escola pública. Temos a educação como um produto, a escola como prestadora de um serviço e o professor um escravo das conjunturas educativas.

O paidagogo
Na Grécia antiga chamavam de paidagogos (ou pedagogos) os escravos encarregados de ensinar aos filhos de seus amos. Era um trabalho às vezes muito difícil e desenvolvido por escravos que já não tinham muita produtividade. Cabia-lhes, entre outras coisas, ensinar ao pupilo normas de conduta e prepará-lo para a vida na sociedade. Há pouca diferença entre eles e os professores atuais.

Se é verdade que quando o aluno está pronto o professor aparece, é verdade, também, que quando o professor está pronto o aluno aparece? Mas que professor é capaz de saber-se "pronto" ou reconhecer quando o aluno está "pronto"? Que universidade ou curso de formação inicial desenvolve essas habilidades e competencias no futuro professor?

Trabalhando com formação de professores há bastante tempo, vejo que nem o professor nem o aluno chegam na escola prontos para aprender. Não falo daquele velho conceito de prontidão tão conhecido dos educadores, mas de uma prontidão que nada tem a ver com currículo e conteúdos disciplinares tradicionais, oficiais.

Maktub!
Embora nunca pensasse em ser professor acredito que, talvez, tenha sido a partir daqueles momentos com meu pai que a semente do que viria a ser meu Eu profissional foi plantada. Mas se como aluno já me sinto pronto, como professor sei que não estou, e talvez jamais esteja. Contudo sei também que ninguém foge de suas tendências. Essa certeza me traz a esperança de um dia ver e reconhecer meu Aluno.
* Credito: imagem obtida em http://letrasimples.blogs.sapo.pt/arquivo/luz.jpg 
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