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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

MUSEU DA INFORMÁTICA EDUCATIVA DE BELÉM-PARÁ

Caro leitor, provavelmente você não sabe, mas se tem uma coisa que gosto é de velharias e antiguidades. Gosto de LP, de ouvir velhas canções e velhas histórias, de objetos e livros antigos, de escutar os comerciais do rádio e da TV de antigamente. Mas, enquanto meu pai era um historiador e arqueólogo, eu não passo de um mero saudosista. Pelo menos herdei do velho Waldick o gosto pela pesquisa, e não sofro de nenhum tipo de alergia.

Daí que, desde o início desta semana, iniciei um projeto pessoal de montar a "memória" da minha relação com a tecnologia digital, com Informática Educativa e, em paralelo, criar uma espécie de Museu da Informática Educativa no Estado do Pará.

Aqui em Belém, o uso de computadores na Educação começou com o antigo Proninfe, há 20 anos (em 1988), quando se criou o Departamento de Informática Educativa-DIED e a E.E. Centro de Informática da Educação-CIED. O Proninfe virou o Programa Nacional de Informática Educativa-Proinfo (MEC/SEED), que em 1997 realizou, em caráter nacional, sua 1ª especialização em Informática Educativa. No ano seguinte esses especialistas fundaram, por todo Brasil, os Núcleo de Tecnologia Educacional-NTE. Assim, aqui em Belém, foi fundado o NTE da SEDUC e da SEMEC.

( Cartuchos do MSX (Logo) e fita K7 do HotBit)

Resgatar essa memória para ulteriores pesquisas é um projeto antigo (acho que apresentei a idéia em 1999, mas você há de convir que em se tratando de Informática 10 anos é um século). Aliás, ainda temos alguns aqui alguns desses precussores. São professores que dizemos, carinhosamente, pertencer ao período jurássico da dita Informática Educativa; de quando o MSX (saiba a história do computador MSX AQUI) era um dos computadores mais vendidos e os programas educacionais não vinham em CD, mas em fitas K7 ou, pasmem, em cartuchos! Lembra dos jogos do Atari (sim, eu já tive um)? Pois é, os cartuchos do MSX eram igualzinhos.

Assim, estou me divertindo em meio a poeira, ácaros fundos e cupins que empestam os livros e documentos da antiga biblioteca de apoio do CIED, e outros materiais diversos, como os cartuchos do LogoWriter (que rodava em DOS), fitas K7s do velho HotBit, disquetes (inclusive os de 5 1/4", da Nashuatec), hardwares antigos. Todo esse material veio do velho prédio para cá com a mudança e agora estão atirados no chão do nosso auditório, enquanto não encontramos lugar para colocá-los.

Penso que seria muito interessante ter uma exposição permanente dos recursos tecnológicos computacionais empregados no processo educativo da rede pública estadual em Belém, durante os últimos 20 anos. Essa exposição poderia contribuir para suscitar reflexões sobre o computador na Educação, e ajudaria a traçar um paralelo entre a evolução dos computadores no processo educativo e os avanços no/do processo de ensino-aprendizagem; entre as evoluções na construção e socialização de conhecimentos e as melhorias na transmissão de conteúdos disciplinares; entre as modernas ferramentas educomputacionais e o seu emprego em sala de aula, e finalmente entre o aprendiz de ontem e o de hoje.

Infelizmente, muito da história do DIED se perdeu. Arquivos guardados nos computadores foram deletados, alguns dos veteranos saíram do mundo real e do virtual, e agora estão no mundo imaterial, e os velhos computadores já não mais existem. Estou tentando reunir o que ainda existe dessa história e seus protagonistas, porque só a reflexão sobre o passado nos garante a confiança no futuro.
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