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domingo, 28 de junho de 2009

Tributo a Revista Nosso Patrimônio

Devo essa postagem ao meu amigo Fernando Antônio de Oliveira, o Fernandão do Grupo Blogs Educativos.

Fernandão mantém os blogs Bloguetando Educação , o Paralisia Cerebral e o blog da Revista Nosso Patrimônio (Veja AQUI).
Além de bom blogueiro e bom professor de História em Muriaé-MG, Fernandão ainda arruma tempo para ser o editor de uma excelente revista voltada para a valorização e resgate da cultura muriaéense, a Revista NOSSO PATRIMÔNIO.
Tive a satisfação de receber seu número de lançamento, totalmente dedicada a homenagear o grande compositor Alcyr Pires Vermelho, um dos mais ilustres filhos de Muriaé. Em suas 32 páginas ricamente ilustrada em papel couché, a história, a bibliografia e o talento de Alcyr Pires Vermelho desfilam como se fosse uma de suas composições, uma de suas melodias tão apreciadas, que agora ouço e me inspira nessa postagem (nesse exato momento eclode a voz inconfundível de Maysa, cantando 'Bronzes e Cristais', da trilha sonora da minisérie global "MAYSA".
O trabalho de garimpagem das fotos e ilustrações, todas de ótima qualidade, bem como a coleta dos depoimentos, entrevistas e "causos" pitorescos da vida do músico e compositor, atestam o talento de Fernandão para a árdua tarefa de editar uma revista cultural numa terra onde, se a publicação não mostrar imagens 'fotoshopadas' de alguma artista em poses sensuais, ou peitões e bundas de popozudas siliconada saídas do BBB, dificilmente consegue apoio e patrocínio.
Eis porque as Leis de incentivo à arte e à Cultura, como a Prefeitura de Muriaé/FUNDARTE, são tão bem recebidas e necessárias para permitir que projetos como esse do Fernandão, de trazer para a nova geração, para novos ouvidos, as canções e a música de Alcyr Pires Vermelho. Mas mesmo com o amparo da Lei de incentivo à publicação, a revista NOSSO PATRIMÔNIO necessita de todo nosso apoio
Apesar das dificuldades enfrentadas, sei que editar essa revista deve ter proprocionado um grande prazer e satisfação ao Fernando, pois sentimos isso ao apreciar o produto final de seu esforço: a diagramação cuidadosa, os textos bem construídos, as imagens de qualidade, ainda que a maioria seja de arquivos pessoais (como de soe acontecer numa pesquisa histórica) e as informações interessantes e bem fundamentadas no tempo e no espaço.
Parabéns ao blogueiro, ao professor, ao historiador e, agora, ao editor Fernandão, que com tanto esforço e dificuldade defende o NOSSO PATRIMÔNIO.

sábado, 11 de outubro de 2008

A CENSURA DOS PAIS É ZELO.

Desculpem os tecnobregueiros, funkeiros, pagodeiros, os famigerados “forrozeiros” e duplas country, mas gosto de música de qualidade, que tenha conteúdo, que tenha poesia inteligente, lapidada, e de arranjos bem elaborados. Nessa postagem quero falar dessa onda de músicas de qualidade no mínimo duvidosa (para ser cortês e educado), que teriam seus discos quebrados sumariamente pelo Flávio Cavalcante, se ele ainda estivesse vivo e apresentando seus memoráveis programas.

Eu costumava assistir com meu pai aos programas do jornalista e apresentador Flávio Cavalcante, lá em Nova Iguaçu (RJ) nos meados da década de 1960 e década de 1970. Flávio Cavalcante em seu “Um instante, maestro!”, quebrava os discos que traziam letras maldosas ou de má qualidade. prestou valiosos serviços à música brasileira. Ele faz falta hoje, quando as rádios e TV divulgam tanto lixo sonoro travestido de música, que já formam (ou deformam?) o gosto musical de uma geração.

É admirável que se toque nas rádios e programas de TV de apelo popular, tantas músicas cuja vulgaridade e até mesmo obscenidade chegam a ser um atentado ao pudor. Não falo das besteira de duplo sentido cantadas antigamente pelo Genival Lacerda, Sandro Beker (quem se lembra?) e outros. Estas estavam mais para o humorismo e a brincadeira maliciosa. Falo de músicas inspiradas em bandidos, em drogas, em sexo com letras tão explícitas e melodias tão pobres quanto idiotas, e que se tornam-se hits nacionais mais rapidamente do que catinga de carniça se espalhando ao vento.

Coisas como Créu, Funk das Cachorras e similares, ou preciosidades como “Mas se o dinheiro ta na mão, a calcinha tá no chão”, que não esconde a profissão da personagem, ou “Vamos simbora pra um bar beber, cair, levantar”, ambas do grupo de “forró” Saia Rodada, recheiam a programação musical de muitas rádios brasileiras, e bailes por todos os cantos. Já vi e ouvi, até em festas de colégio, crianças dançando com sensualidade (claro que elas não tem essa consciência nem sabem exatamente o que é isso!), sob o olhar sorridente e mesmo satisfeito dos pais, provavelmente achando lindo a filhinha dançar, empinando a bunda e se rebolando com uma mão na cabeça e outra na cintura. O fato é que os pais, por serem apreciadores dessa categoria de música e de programa de TV, não regulam o que suas crianças assistem e ouvem. Em muitos casos até estimulam a imitação.

Meus filhos ouviam os clássicos da música nacional e internacional, mas também assistiam ao É o Tcham! Minha enteada, com 11 anos, tem a base da boa MPB construída em casa; é fã de Zeca Baleiro, Rita Lee, Cássia Eller (e, claro, da banda RBD), mas de vez em quando também ouve um tecnobrega, que é a moda em Belém.
Não pensem que é falso moralismo, é tão somente mais uma preocupação de um educador que gostaria de ver as crianças tendo a chance de conviver também com a boa música brasileira e poder ter opções de escolha. Em muitos lares só se ouve coisas como “Vai popozuda...”, “Um tapinha não dói...”, “Tchu Tchuca...”; e nas TVs o que se tem é Mulher Melancia, Mulher Trepadeira, Mulher Jaca, mulher isso, mulher aquilo. A mulherada que no passado lutava contra o machismo, contra a idéia da ‘mulher objeto’, hoje se entrega a essa onda sem piar.

Não pensem que o lixo musical a que me refiro é somente produção nacional. Há muito lixo internacional que desaba sobre o nosso patropi. Coisas como “I Wanna Fuck You” (Akon) e “Becouse I got hight” (Afroman), a famosa música do Homem Beringela, são um exemplo.

A música brasileira está cheia de excelentes composições, contudo é vergonhosa e deprimente a contribuição da mídia em propalar uma música de caráter obsceno, apenas porque ela vende. Carlos Rodrigues Brandão, em seu “O que é folclore” (Brasiliense, 1982. p. 46) diz: E, todos sabemos, para a indústria da cultura não há arte, devoção, tradição ou ritual. Há produtos culturais que interessam à indústria pelo seu valor comercial: vendem? São bons!”

Não apoio a censura oficial, mas a censura de pais e responsáveis é zelo, é cuidado e formação. E escola deve promover uma leitura maior dessas músicas popularescas que fazem apologia ao crime, prostituição, drogas, e que explodiram nas periferias e hoje toma conta da mídia, sob pena de ser acusada de falta de compromisso com a boa educação do cidadão.
No TOP BLOG 2011 ficamos entre os 100 melhores da categoria. Pode ser pouco para uns, mas para mim é motivo de orgulho e satisfação.
Sou muito grato a todos que passaram por essa rua que é meu blog e deram seu voto. Cord ad Cord Loquir Tum

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