Eu mal entendo de futebol mas vou arriscar-me nessa postagem. Não vou falar da participação do Kaká (não jogou nada, mas arrastou a marcação toda para ele), nem do fracasso da seleção da África do Sul, da zebra da Suíça ou daquele técnico argentino que gosta de aparecer. Vou falar do fracasso da Jabulani, a bola criada pela Adidas exclusivamente para essa Copa.
Quando assisto a um jogo, independente de quem está em campo, sempre torço para que toda e qualquer boa jogada acabe em gol, afinal não é esse o objetivo do jogo: ambos os lados fazerem gols? É, mas nessa Copa do Mundo parece que não é bem assim. A média de gols é a menor de todas as copas!...
Então, fazer gols é difícil? Tecnicamente não é. Vamos considerar dois times e um gramado ideal. Para fazer um gol basta ir chutando a bola em direção a rede oposta, desviar-se dos adversários que tentam barrar seu caminho e tomar-lhe a bola, e finalizar chutando a pelota de tal forma que o goleiro não defenda.
Mas o jogador deve contar com três condições básicas: habilidade, condicionamento físico e sorte. A habilidade se desenvolve em treinos árduos e confere técnica no chute, no drible etc; o preparo físico garante a energia para executar o planejado, e a sorte é obra do acaso. Mas é justamente o acaso quem confere emoção ao jogo, como no 1º gol do Brasil na Copa: o lateral Maicon bateu sem ângulo e Jabulani fez uma curva inesperada em direção ao gol. Contudo o fator "sorte" parece estar com os dias contados. As bolas estão incorporando cada vez mais tecnologia, e isso está exigindo jogadas técnicas em detrimento da beleza de lances criativos.
Para seus criadores, a bola da Copa é tecnicamente perfeita e oferecer uma precisão nunca alcançada, mas segundo seus críticos ela foi feita para enganar goleiros e permitir uma Copa mais ofensiva, com mais gols numa partida. Os pequenos traços, como linhas curvas pontilhadas, em toda superfície da bola, criam uma área de sustentação aerodinâmica que torna a bola mais veloz, em compensação mais instável em sua trajetória. Para mim isso é como se tentassem sacanear o goleiro com uma bola que pode desviar dele.
Quer dizer: por mais que o atleta se esforce já não basta sua habilidade e preparo técnico para garantir a defesa do gol, pois desenvolveram um anabolizante para a bola. É ou não uma grande sacanagem com o goleiro? Pelo sim pelo não, parece que o chute da Adidas saiu pela lateral: Jabulani não está ajudando a fazer mais gols, além de deixar insatisfeitos artilheiros, goleiros, técnicos e torcedores. Até agora, finda a primeira rodada, a média de gols foi de 1,5 enquanto em copas anteriores foi de 2,5.
Quem ganha com isso? A Adidas por certo não é. E ainda pode acabar sendo a culpada pelo maior fracasso em termos de gols na história das Copas.
Imagem obtida no Google

