Lanço nesta postagem uma provocação: você é daqueles que prima pela escrita escorreita do Português? Eu sou (pelo menos tento. Rsss). Você é daqueles professores que exige que seus alunos escrevam corretamente? Eu sou. Você é daqueles que acha absurdo alguém com nível superior comunicar-se gramatica e ortograficamente errado no seu idioma? Eu também. Para finalizar, você acha que vale a pena exigir do estudante o cumprimento de tantas regras e normas no escrever, quando o que importa é se fazer entender? Eu começo a crer que não.
Agora, convido-o a ler os pequenos textos abaixo e, depois, refletir comigo sobre a seguinte questão: Escrever corretamente é besteira?
O nosso cérebro é doido !!!
De aorcdo com uma peqsiusa de uma uinrvesriddae ignlsea,
não ipomtra em qaul odrem as Lteras de uma plravaa etãso,
a úncia csioa iprotmatne é que a piremria e útmlia Lteras etejasm no lgaur crteo. O rseto pdoe ser uma bçguana ttaol, que vcoê nida pdoe ler sem pobrlmea.
Itso é poqrue nós não lmeos cdaa Ltera isladoa, mas a plravaa cmoo um tdoo.
Gsotu? Não é Sohw de bloa?
Agora, fixe seus olhos no texto abaixo e deixe que a sua mente leia corretamente o que está escrito.
35T3 P3QU3N0 T3XTO 53RV3 4P3N45 P4R4 M05TR4R COMO NO554 C4B3Ç4 CONS3GU3 F4Z3R CO1545 1MPR3551ON4ANT35! R3P4R3 N155O! NO COM3ÇO 35T4V4 M310 COMPL1C4DO, M45 N3ST4 L1NH4 SU4 M3NT3 V41 D3C1FR4NDO O CÓD1GO QU453 4UTOM4T1C4M3NT3, S3M PR3C1S4R P3N54 R MU1TO, C3RTO? POD3 F1C4R B3M ORGULHO5O D155O! SU4 C4P4C1D4D3 M3R3C3! P4R4BÉN5!
Bem, muito provavelmente você já deve ter lido esses textos antes, posto que correm pela Web faz algum tempo. E também pode peceber que, apesar de subverterem completamente as regras da gramática normativa, foram lidos com relativa facilidade. Assim, refletindo sobre isso com minha mulher, chegamos a algumas conclusões que começaram a mudar certas concepções minhas quanto a nossa maneira de escrever corretamente, e que talvez devessem ser objetos de atenção dos estudiosos de plantão. Senão vejamos:
1 - Esses dois textos mostram que as regras gramaticais, principalmente as ortográficas, são uma grande besteira no contexto discursivo da comunicação escrita. Elas tornam a aprendizagem e o domínio da nossa língua escrita um trabalho cansativo, enfadonho e desinteressante;
2 - O poder criativo e interpretativo da mensagem independe da forma como as palavras foram escritas (ortografia), mas de conceitos pré-estabelecidos que são acionados no exato instante em que a imaginação se antecipa a razão e pressupõe a existência da palavra escrita onde ela não existe;
3 - A nossa nova ortografia é tão útil quanto um pinguim de geladeira, logo toda essa discussão a respeito das novas regras é uma inutilidade que só agrada aos teóricos da área, mais preocupados com o aspecto formal do que o funcional da língua nos gêneros textuais;
4 - A Academia, e muita gente intelectualizada e culta, dá mais valor as regras com as quais o discurso científico é descrito do que o conteúdo do mesmo;
5 - Essa "forma de ler" nos mostra que tendemos a tomar o reflexo pela imagem real, o semelhante pelo igual, aquilo que aparente ser pelo que É . Por conseguinte, nossa maneira de agir como ensinante e aprendente, como indivíduos sociais, como educadores, deve privilegiar também esses aspectos da 'realidade'. Ou seja, devemos estar cientes que aquilo que temos como real pode ser mera criação do cérebro.Mas isso já é outra história e papo para outras postagens.
Agora tomemos como outro exemplo a seguinte frase, escrita num diálogo via MSN: VC TBM FK BLZ, BB!
Se você também foi capaz de traduzir essa sequência de consoantes aparentemente sem sentido, é capaz de aprender a ler hebraico. Você sabia que nessa língua as vogais não são escritas, e por isso é considerada a língua sagrada?
Mas o fato é que escrever de forma abreviada é mais difícil que escrever por extenso. A habilidade para isso só é possível para aqueles que já dominam as estruturas da escrita normativa e da semântica, pois sabem quando e onde devem fazer as abreviações.
Agora o que você faria se numa prova seu aluno responde como se estivesse no MSN? Embora a resposta estivesse correta, seria certo lhe dar ZERO?
Como educador começo a refletir se o que interessa mais é a forma ou o conteúdo da mensagem. E quanto a qualidade da mensagem fico na dúvida se deve estar na forma, no conteúdo ou em ambas.
Não pense que estou condenando a educação formal da língua escrita. Ela é fundamental para que o indivíduo possa ser capaz de "ler" textos como esses acima e outros mais, principalmente agora com a revolução possibilitada pela comunicação mediada por computadores em rede. Entretanto, as cobranças e a ênfase que se dá a certos aspectos da comunicação baseada no texto impresso me parecem ganhar outras dimensões diante das novas formas de interação social e de comunicação via Web. Aliás, onde há comunicação há entendimento entre o emissor e o receptor, off curse! E isso é o que importa, não é?.
E você, o que acha?

