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quarta-feira, 23 de junho de 2010

Quer ver o bom de uma leitura?

Essa é para meus colegas professores de Língua Portuguesa e Literatura, para os que cuidam de Salas de Leitura e Bibiotecas, e para todos que gostam de rir. Se é seu caso, aqui vai uma sugestão de boa leitura.

Mas você sabe o que é uma boa leitura? É uma leitura daquelas que desopilam o fígado, leitura que deixa a alma leve, lavada, enxaguada e posta a quarar no Sol da satisfação; que faz brilhar os olhos com o colírio da emoção e fica fazendo cócegas na nossa imaginação.

Leitura boa é aquela que quando você abre o livro e vira a página parece que abriu a porteira de um pasto imenso e a boiada das letras corre pela passagem e a gente só consegue fechá-la quando toda boiada passa deixando aquele rastro na terra pisoteada e marcada de liberdade no curral do coração.  Ou quando as palavras encarrilhadas são como bois 'empareados' que vão puxando um carro de boi cantadô, gemente, lamentoso, que te leva por caminhos de terra de gente e bicho, e que nesse conversar de madeira te segreda coisas do estradar. 

Leitura boa é como águas de cachoeira: nunca vêm só, como rio que corre em paciência e silêncio ou lago que na mansuetude esconde mistérios. Águas de cachoeira só tem valor quando bate nas pedras, que não são obstáculos no seu caminho mas adornos.

Leitura boa como águas de cachoeira é aquela que bate e rebate por dentro, faz barulho, redemoinha emoções. Como a cachoeira ela também traz alegria pros olhos,  é gostosa de se ouvir, prazerosa de estar dentro e de se banhar.

É isso que sinto lendo Bandeira Nordestina, o novo livro do poeta paraibano Jessier Quirino (www.jessierquirino.com), que me chegou pelo correio ontem à noite, e no qual estou grudado feito craca em casco de navio velho ou ostra em pé de ponte, desde então.
 
Jessier Quirino é um arquiteto que faz poesia popular no jeito rústico do matuto, na linha do cordel, mas feita  para divertir.  Ele faz uma poesia sertaneja de forma bem mais criativa, onde as ricas expressões populares do homem do interior do nordeste são expostas com tamanha naturalidade, humor, leveza, simplicidade e beleza cabôcla que não há quem fique indiferente às magníficas imagens que ele cria no linguajar personalissimo do tabaréu.  No google você pode encontrar várias referência e cópias de seus trabalhos, de suas apresentações.
 
Penso que seria muito interessante trabalhar essas ricas e originais expressões regionais em atividades  de sala de aula. Fica ai a sugestão, ou sugestões,

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

De Iquitos à Belém: a jangada de Júlio Verne

Estou lendo...
Por volta dos meus 10/11 anos conheci os escritores que influenciaram sobremaneira meu gosto pela literatura, pelo romance de aventura em especial, bem como impactaram bastante minhas preferências pelas coisas do povo, pelo folclore. Primeiro foram dois estrangeiros, o americano Mark Twain (1835-1910) e o francês Júlio Verne (1828-1905), ambos estavam na mesma ordem de influência e importância; e, finalmente, mas não menos importante, o brasileiro Monteiro Lobato (1882-1948).
Twain e Verne li-os da estante de meu pai, enquanto Lobato eu só travaria um contato mais profundo com a coleção da biblioteca do Colégio Afrânio Peixoto (Nova Iguaçu/RJ), onde meu pai era o secretário. No CAP estudávamos eu e meus irmãos, e lá fiz apenas a primeira e a segunda série ginasial. Mas nesse intervalo li os 15 volumes do Sítio do PicaPau Amarelo.
Lembro-me bem de ter lido Tom Sawyer e Huck Finn antes de Pedrinho e Narizinho. Depois de Twain, vieram os clássicos “Viagem ao Centro da Terra” e “A Volta ao Mundo em 80 Dias” (não lembro qual o primeiro, mas isso não importa). Júlio Verne me fez ver a importância de uma boa e cuidadosa pesquisa.

E a troco de que essa postagem?
Bem, estou lendo um dos livros que comprei na XIII Feira Pan-Azônica do Livro, ocorrida em novembro passado aqui em Belém. É o primeiro livro de Júlio Verne a retratar uma aventura fluvial de Iquitos até Belém, sobre o rio Amazonas.

Trata-se de A Jangada-800 léguas pelo Amazonas (Editora Planeta, SP. 2003), que comprei pela bagatela de R$ 15,00. Uma merreca, se considerarmos  que o livro é novo, o papel é de boa qualidade e os quase 40 desenhos de Benett ilustram magistralmente a publicação. Afora que o Posfácio enriquece o leitor de informações históricas complementares, tanto sobre o romancista quanto sobre o romance em si.

Como se sabe, Verne nunca veio ao Brasil, muito menos á Amazônia, onde é ambientada sua história, e acredito até que nunca tenha visto uma jangada nordestina de perto. Mas esse romance, publicado originalmente em 1881, ele descreve uma imensa jangada onde instalaram a casa do dono (com varanda e jardim), alojamentos para seus empregados, uma igrejinha, mercearia e outras construções. Na verdade é mais uma pequena ilha flutuante que uma embarcação.

A Jangada conta a história de uma viagem empreendida pela família de um próspero fazendeiro instalada em Iquitos. O objetivo confesso: ir a Belém para casar Minha, a filha, com um colega de estudos do irmão. Mas João Garral tem também suas razões secretas: conseguir, correndo o risco da sua efetiva execução, a revisão da sentença que o condenou injustamente à morte pelo caso de um roubo de diamante vinte e seis anos antes, enquanto ele trabalhava, sob a sua verdadeira identidade de Dacosta, nas minas imperialistas brasileiras. Com o objetivo de se deslocar, visto que o projeto era familiar, o herói não imagina outro meio senão construir uma gigantesca aldeia flutuante que se deixará levar pela correnteza do rio... (da orelha do livro).
Leia mais sobre A Jangada AQUI:
Baixe alguns livros de J.Verne AQUI:
No TOP BLOG 2011 ficamos entre os 100 melhores da categoria. Pode ser pouco para uns, mas para mim é motivo de orgulho e satisfação.
Sou muito grato a todos que passaram por essa rua que é meu blog e deram seu voto. Cord ad Cord Loquir Tum

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