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segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

A TECNOLOGIA, A EDUCAÇÃO E A FÉ

Caro leitor, a reflexão abaixo é por conta de um reclame, um comercial, que passa na TV aqui em Belém e que, diga-se de passagem, é muito criativo. Fala de coisas bem paraenses, do folclore local, mas a mensagem é válida para urbe et orbe. Assista ao vídeo e leia o texto, depois.


A onde nos leva a Tecnologia, a Educação e a Fé?

Colocados assim, parece que Tecnologia Educação e Fé formam o tripé do progresso e evolução da sociedade e do indivíduo. E bem que poderia ser, mas a verdade é bem outra.

Os últimos 50 anos tem sido os mais fantásticos da história humana. Descobertas e invenções jamais imaginadas promoveram um desenvolvimento tecnológico de tal magnitude que a sociedade contemporânea ficou conhecida como "sociedade pós-moderna". A sociedade navega pelo hiperespaço. A tecnologia nos tem levado aonde homem algum sonhou ir. Seja no mundo micro quanto no macrocosmo; no mar, na Terra ou fora dela. E o que ainda não foi alcançado é só uma questão de tempo.

Nesse mesmo tempo a Escola, que por dever de ofício deveria acompanhar pari-passu a tecnologia, incorporá-la, se embebedar dela, viajava à tração animal como no século anterior. E percebeu que não conseguiu nos levar para muito além do nosso jardim ou quintal. Nesse cenário os educadores tentam, se não recuperar o espaço perdido, pelo menos diminuir a distância entre a Educação e a Sociedade Tecnológica onde a escola está imersa.

Mas, com tanta ciência remodelando nossa sociedade, com tecnologia circundando o indivíduo, é cada vez maior o número de pessoas que recorrem a bolas de cristal, a cartomantes, a videntes e toda sorte de artifícios para enganar o destino. A milenar filosofia árabe adverte que "tudo está escrito"; o que é resumido na expressão "Maktub" (e tem muita gente que pensa que isso é coisa do mago Paulo Coelho). Ciência, educação e fé são como líquidos de densidades diferentes em um mesmo frasco. São como aqueles óleos trifásicos de "O Boticário", ou aqueles drinques sofisticados de três cores: em repouso são distintos, mas só funcionam quando agitados, pois espera-se que no fim tudo se misture.

Mas, o homem moderno traz o espírito de outra época, a da idade média. Em meio a avançada tecnologia mantém seus medos, seus temores, suas crenças mais primitivas e ancestrais. Levante a mão quem não conhecem alguém que carrega um patuá, um santinho na carteira ou um crucifixo pendurado no espelho interno do carro? Quem não conhece alguém que acredita em tabus, nas benzeções, nos feitiços, nas rezas brabas, no Livro de São Cipriano, no olho gordo dos Zecas Pimenteira, na sorte ou no azar? O piloto brasileiro Felipe Massa, por exemplo, vive rodeado do que há de mais moderno em tecnologia, mas não esconde uma crença atávica em seu patuá, seu amuleto: sua cueca da sorte.

Se a tecnologia, a educação e a fé não estão sendo suficientes para formar o cidadão do terceiro milênio, o que será?
No TOP BLOG 2011 ficamos entre os 100 melhores da categoria. Pode ser pouco para uns, mas para mim é motivo de orgulho e satisfação.
Sou muito grato a todos que passaram por essa rua que é meu blog e deram seu voto. Cord ad Cord Loquir Tum

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