A pornochanchada foi uma manifestação cultural genuínamente brasileira, um tanto oportunista, é bem verdade, contudo era um gênero de filmes de costumes, ou seja, nada que exigisse da platéia um esforço de inteligência e intelectualidade. Seu objetivo era exclusivamente comercial, exatamente como o BBB.
Surgida em São Paulo na década de 1970, numa época de grande censura nos veículos de comunicação de massa, explodiu em todo Brasil porque explorava a nudez e o erotismo, com doses de humor e alguns palavrões, isto é: insinuava a sacanagem. E quem não gosta de uma boa sacanagem?
As pornochanchadas não tratavam de política, papo-cabeça, cultura undergroud e outras libações intelectuais, só de sacanagem. Mas era aquela sacanagem que não apresentava cenas de sexo explícito. Os produtores do BBB editam as cenas que vão para o ar acreditando que sacanagem é coisa que todo brasileiro gosta. Meu Deus, será que eles têm razão? Será que estamos em
Um país que perdeu a identidade
Sepultou o idioma português
Aprendeu a falar pornofonês
Aderindo à global vulgaridade
(O Meu País - Livardo Alves, Orlando Tejo e Gilvan Chaves. Canta Zé Ramalho)
Não, não! Esse pode ser o país de qualquer um, mas não é com certeza o meu país.
Nos anos 80, com a tolerância da censura e a permissividade dos cinemas a pornochanchada perdeu feio para os filmes pôrnos. Hoje aqueles filmes populares com rótulo de “pornochanchada” nos deixaram saudades, coisa que o BBB jamais fará. Muito pelo contrário.
Coitado do brasileiro! Este começo de ano trouxe-lhe duas pragas: as fortes chuvas e o BBB.
Embora não possamos impedir que as chuvas caiam, podemos minimizar seus efeitos. Então, talvez não seja apropriado dizer que elas são uma praga, ainda que provoquem avalanches, transformem córregos em rios amazônicos, alaguem ruas e casas, inundem cidades, tragam destruição ao patrimônio material, afoguem homens e bichos, indistintamente.
Mas o BBB, este sim, seguramente, é uma praga!

