Mostrando postagens com marcador Aniversário de Belém. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Aniversário de Belém. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

BELÉM QUASE QUATROCENTONA

Bembelelém, Viva Belém! Nortista gostosa, eu te quero bem” (M.Bandeira)
Bela Belém EU te quero bem... Bela Belém, TEU povo não te quer bem.


Começo essa postagem de homenagem à Belém com um trecho da poesia de Manoel Bandeira dedicada à essa mangueirosa cidade. Depois, em contraponto, segue um verso meu para expressar a tristeza que sinto ao contemplar o estado em que se encontra essa cidade que me adotou/adotei há 30 anos. 
Depósito de lixo ao lado do CESEP- Jan/2011

Hoje, dia 12 de janeiro, Belém comemora 395 anos. Faltam  apenas 5 para ela ser uma cidade quatrocentona, mas tem pouco do que se orgulhar.

Para começar, Belém é a 3ª cidade mais suja do Brasil e com um custo de vida alto. Segundo o IBGE, ela fechou o ano de 2010 como a capital brasileira com o maior índice de inflação.

Belém tem a maior frota de carros novos do país, no entanto seu um trânsito é dos mais desorganizados, e o índice de violência aumenta assustadoramente.

Bela Belém, pobre Belém, TEU povo não te quer bem...

Mas apesar disso tudo eu continuo seduzido por ti, Belém e canto com Chico Sena: "Belém, Belém, acordou a feira que é bem na beira do Guajará. Belém, Belém, menina morena vem ver o peso do meu cantar. Belém, Belém, és minha bandeira, és a flor que cheira do Grão Pará".  (Chico Sena)

Leia a excelente entrevista do arquiteto Flávio Nassar sobre os problemas de Belém clicando AQUI.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Belém: 30 em 394

Em fins de fevereiro de 1980, ou seja, há praticamente 30 anos, embarquei num avião no aeroporto do Galeão - ou Aeroporto Antonio Carlos Jobim, mas naquela época Tom Jobim ainda estava bem vivo -, e desci no aeroporto de Val-de-Cãns, em Belém. Era noite. Para variar, chovia. E eu planejava passar de dois a cinco anos, no máximo!...

Quando desci não havia ninguém me esperando. Pior, eu não conhecia ninguém nem coisa alguma da cidade. Parecia Caetano, em Sampa."É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi...". Aí, bateu aquela paura: - O quéqui tô fazendo aqui, mermão? - pensei. Desejei voltar na hora, mas tal como Nilson Chaves em "Não vou sair", "eu fui que fui ficando".

Belém não tinha outdoors enfeiando a cidade. Não tinha tanta violência e assaltos. Não havia gangs fazendo arrastão, nem cheira-colas por todo lado, nem flanelinhas em todo lugar onde se estacione um carro, nem tantos camelôs ocupando as calçadas e até mesmo a rua.

Quando o sinal fechava, você parava o carro e ninguém ficava na frente com malabares ou engolindo fogo, para depois passar o chapéu; nem lhe vinham oferecer frutas, refrigerente, água mineral, CD/DVD pirata e mil outras bugingangas. Também ninguém entrava nos ônibus para distribuir pedaços de papel com um pequeno texto (manuscrito ou digitado) pedindo ajuda, ou com aquela ladainha monocórdia e decorada: "Eu podia estar roubando...mas estou aqui pedindo...".

Embora as ruas asfaltadas não fossem das melhores, andar de carro ou ônibus era tranquilo. Não havia os engarrafamentos de final de tarde na Almirante Barroso. Não havia essa mania idiota de certos sujeitos de equiparem seus carros com poderosos sistemas de som, e depois dirigir pela cidade no volume máximo, ou estacionar nalgum canto e desrespeitar o sossego alheio a qualquer hora, com um som acima de 100 db e uma música de pésima qualidade.

Também mudei nesses 30 anos. Perdi um pouco de cabelo e os que ficaram se agrisalham lentamente. Ganhei algumas gordurinhas localizadas, rugas, cicatrizes. Belém também ganhou as suas, nesses 394 anos completados hoje, 12 de janeiro de 2010.

Quando cheguei era solteiro e meio que perdidaço, aventurando sonhos. Trazia de meu apenas uma mala de roupas, uma maleta com livros didáticos e um violão velho, no qual tocava não mais que duas dezenas de músicas. Hoje, esqueci as músicas que sabia, tenho 3 filhos (Madaya, Arcthur e Keith) e dois enteados (Victor e Amanda, que é minha caçulinha querida), e encontrei, no terceiro casamento, Lenise, a mulher das minhas vidas (passadas e futuras).

Já escrevi um livro, plantei árvores, tive filhos. Pouco acrescentei ao meu patrimônio material original, mas em compensação me sinto realizado e feliz.

Belém envelheceu, enfeiou? Não, apenas mudou. Nos seus 394 ela  me deu, até agora, seus melhores 30 anos. O que me reservará nos próximos?

Eu te saúdo, Cidade das Mangueiras! Te parabenizo, Bela Belém! E te agradeço, por me acolher e me permitir encontrar-me e ser feliz nessas tuas ruas.
No TOP BLOG 2011 ficamos entre os 100 melhores da categoria. Pode ser pouco para uns, mas para mim é motivo de orgulho e satisfação.
Sou muito grato a todos que passaram por essa rua que é meu blog e deram seu voto. Cord ad Cord Loquir Tum

Powered By Blogger
Petição por uma Internet Democrática