domingo, 30 de outubro de 2011

Outra de Wilson Simonal

Madaya, minha filha, foi assistir ao show do Tears for Fears em São Paulo, e me trouxe de presente de aniversário (que foi no dia 15 passado - por sinal Dia do Professor), o livro SIMONAL - Quem não tem swing morre com a boca cheia de formiga: Wilson Simonal e os limites de uma memória tropical, do Gustavo Alonso. Ela, que no Natal passado já havia me dado o livro "Nem Vem Que Não Tem" - A vida e o veneno de Wilson Simonal (Ed.Globo), do Ricardo Alexandre.

O livro do Gustavo Alonso é o resultado de sua dissertação de mestrado em História, na Universidade Federal Fluminense (UFF, 2007). Foi publicado em agosto passado, no Rio de Janeiro, pela Record.
 
Quem me conhece sabe que sou fã incondicional de Wilson Simonal (que só espalhava ALEGRIA, ALEGRIA), que para mim é o astro maior da verdadeira Música Popular Brasileira (tendo por popular aquilo que é do GOSTO DE TODOS), pois não havia quem não se rendesse ao swing do negão, fosse quando estava ele cantando ao vivo num palco, fosse nos discos. 
 
Mas, se foi um artista excepcional, Simonal foi também inigualável (ninguém jamais passou pelo que ele passou) como vítima da inveja e do preconceito. Na história da MPB não há maior demonstração de falso julgamento e de condenação sem provas do que a que ele foi submetido por seus pares do meio artístico e pela imprensa, e, consequentemente, pela população.  

 Por isso, é que com a alma em festa que recebo e leio mais essa obra sobre a vida do meu ídolo, que passou os últimos 30 anos de sua vida exilado em sua própria terra, tentando provar que era inocente.

Por que Simonal não foi para outro país? Era ídolo na Argentina, por exemplo, e certamente seria nos EUA se para lá fosse (talvez topasse com um Sergio Mendes enciumado do seu sucesso? Talvez). Mas, não! O negão escolheu lutar e provar que o que falavam dele era pura calúnia e difamação. Preferiu ser enterrado vivo a aceitar a pecha do que nunca foi: dedo-duro.

Agora, passados mais de 10 anos de sua morte, o artista reaparece em filmes, documentários, programas especiais e livros. Será que na fogueira de vaidades em que vive o meio artístico e na abissal falta de escúpulos e humildade da mídia de outrora (?), o peso da barbaridade cometida já se tornou insuportável de ncarregar?

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

PAI D'ÉGUA: Patrimônio imaterial paraense


Essa postagem vai a propósito da mensagem que me mandou  o confrade Rufino Almeida, sobre o projeto do Dep. Manoel Pioneiro (PSDB-PA).

O projeto, que foi sancionado pela Assembléia Legislativa-ALEPA, trata da proteção e preservação do patrimônio imaterial paraense no tocante às expressões típicas do falar paraense, contudo não tem nada de original, que me desculpe o parlamentar.

O que o projeto DIZ defender já foi sobejamente, e tonitroantemente, defendido pelo Comendador Raimundo Mário Sobral, na sua imortal obra "Dicionário Papachibé", como muito bem me lembrou o confrade Rufino em sua mensagem.

Se o nobre deputado realmente estivesse preocupado com essa parte da cultura paraônica, bem que poderia comprar uns quantos Dicionário Papachibé e mandar distribuir nas salas de leitura ou biblioteca de cada escola pública.

Ou, quem sabe, poderia apresentar projetos que permitisse a ALEPA a  compra e doação de publicações de escritores paraenses, como os confrades Walcyr Monteiro, Antonio Juraci Siqueira,  Alfredo Garcia e tantos outros excelentes autores.

Ou, ainda, poderia o deputado elaborar projetos para que a ALEPA, ao invés de gastar milhões em pagamento de funcionários fantasmas e outras  cositas,  viesse apoiar e promover concursos literários, artísticos ou musicais de artistas da terra. Pelo sim pelo não, fica aqui a sugestão.

Ah, sumano! quase que esquecia de publicar  o projeto do Dep. Pioneiro, que tratei ao longo dessa postagem. Confira abaixo.

Diário Oficial Nº. 32008 de 28/09/2011

ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO

LEI N° 7.548, DE 12 DE SETEMBRO DE 2011


Declara como integrante do patrimônio cultural de natureza imaterial do Estado do Pará, a linguagem regional.
ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO PARÁ estatui e seu Presidente, nos termos do § 7º do art. 108 da Constituição do Estado do Pará promulga a seguinte Lei:
Art. 1° Fica reconhecido como patrimônio cultural de natureza imaterial para o Estado do Pará a linguagem regional, nos termos do art. 286, da Constituição do Estado do Pará.
Art. 2° Integra-se ao patrimônio cultural imaterial do Estado do Pará a linguagem regional com as seguintes palavras:
I – pai d’ égua - (excelente);
II – égua – (vírgula do paraense, demonstra a emoção de cada intenção da frase);
III -  “é-gu-a” – (poxa vida);
IV – levou o farelo – (se deu mal);
V -  pitiú – (cheiro de característica do peixe);
VI – só-te-digo-vai! – (expressão usada pelas mães pra chamar atenção dos filhos, quando não às obedecem);
VII – te acoca – (te abaixa);
VIII – tuíra – (pele ressecada);
IX – mas-como-então? – (explique-me);
X – bora logo! – (se apresse).
Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
                       PALÁCIO CABANAGEM, GABINETE DA PRESIDÊNCIA DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO PARÁ, EM 12 DE SETEMBRO DE 2011.
                          DEPUTADO MANOEL PIONEIRO
                           Presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Pará

terça-feira, 11 de outubro de 2011

CONCURSO DE BLOGUES EDUCATIVOS NO NTE DE MARABÁ

Foi com um misto de satisfação e tristeza que recebi o convite para fazer parte da comissão julgadora do  3º Concurso de Blogues Educativos do Núcleo de Tecnologia Educacional de Marabá (clique AQUI para ler mais). 
Explico a tristeza: Para quem fez as primeiras oficinas de criação de blogues de escolas públicas paraenses e criou o projeto dos primeiros concursos  de blogues educativos do estado (no NTE Washington Lopes),  ver agora um concurso que no governo passado mobilizou todos os NTE do estado e  várias dezenas de escolas, neste ano ser realizado por um único NTE é ou não motivo de tristeza?...
 
No blog do NTE de Marabá deixei o comentário abaixo, que foi replicado também no blog Mídias, Educação e Meio Ambiente, do amigo Marcelo Carvalho.
Parabéns ao pessoal do NTE de Marabá por manter acessa a chama dos Blogues Educacionais no estado.

É lamentável que os outros NTE, inclusive o NTE Washington Lopes, onde comecei com esse projeto de blogues não tenha realizado seu concurso neste ano, e mais lamentável ainda é o fato de o CTAE ter abandonado o concurso estadual de blogues, desestimulando a continuidade de um projeto que estava realizando uma verdadeira renovação na relação entre aluno-professor-escola-comunidade.

Tenho esperanças que o CTAE e os demais NTE despertem e retomem os concursos interrompidos ou criem novos, que estimulem o uso pedagógico e educativo de blogues como promotores de melhorias no processo de letramento dos alunos da rede pública. 
LER é a mais importante das ferramentas de cidadania. Tudo começa e advém da leitura. E os blogues contribuem de forma decisiva para despertar as competências e habilidades necessárias para a leitura e escrita, além da pesquisa, do desenvolvimento do senso crítico e seletivo da informação.

Mas se isso não acontecer, ou seja, se a SEDUC não retomar os concursos de Blogues Educativos da rede pública estadual, se não continuar apoiando e estimulando essa ação educativa (como foi feito no governo passado), fico muito contente em saber que o NTE de Marabá não abandonará essa proposta.

Paraônicamente,
Franz

terça-feira, 27 de setembro de 2011

ESTADOS UNIDOS DO BRASIL ou BRASIL DOS ESTADOS UNIDOS?

Particularmente, detesto usar alguma peça de roupa estampada com palavras em inglês. Nada contra a língua inglesa, que aprecio por sua enorme praticidade e funcionalidade, mas não suporto servir de outdoor ambulante e contribuir para a aculturação de nosso povo. Infelizmente, é isso o que mais se vê, principalmente quando é roupa de jovens.
Acho necessário que o brasileiro domine outro idioma (espanhol, inglês), mas considero um abuso que deve ser combatido o fato de nos impingirem, via vestuário, a língua dos norte-americanos.
Neste fim de semana fomos, eu e Leca,  a uma grande loja  de departamentos comprar uma roupinha para o filho de um amigo que completou 2 anos. Na sessão infantil havia uma profusão de conjuntinhos, blusinhas, camisas e calças iguais as de gente grande. As roupas  infantis de hoje são cópias miniaturizadas das dos adultos ou adolescentes. Parece que acabaram com aquela idéia que roupa de bebê tem de ser fofinha e em tons suaves.

Quase desistindo e decididos a ir procurar noutra loja, descobri um conjuntinho, ainda que com uma frase em português: "Plante árvores." Se é pra criança carregar uma idéia no peito das camisas que seja algo útil... Comprei-o.

Em tempo: o Brasil é o maior país da América do Sul e o 5º maior do mundo em área territorial (47% do território sul-americano) e população, com mais de 192 milhões de habitantes. É o único país falante da língua portuguesa nas Américas e o maior país lusófono do mundo, além de ser uma das nações mais multiculturais e etnicamente diversas do planeta. Sua economia é a maior da América Latina e do Hemisfério Sul e a 7ª maior do mundo por PIB nominal e a 8ª maior por paridade de poder de compra (Fonte: Wikipédia). Quando vai parar com essa mania de valorizar a cultura norte-americana?

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

O que motivou o 11 de setembro

Neste 11 de setembro de 2011 comemorou-se os 10 anos do atentado que destruiu o Word Trade Center e a prepotência, a auto-confiança, a arrogância e o orgulho do Tio Sam.
Minha saudosa mãe sempre dizia que "quem aqui faz, aqui paga". Naquela manhã de 2001, ao ver ao vivo e a cores o choque dos aviões e acompanhar a tragédia, disse com meus botões: "Eles estão colhendo o que semearam". Mas como todos, fiquei chocado e entristecido pela cena e pelas vítimas.

Conhecendo a ganância desenfreada e o espírito belicoso do governo dos EUA, algumas teorias da conspiração se alastram feito catinga ao vento e deixam a impressão de serem verdades. Há, inclusive, quem considere o suposto atentado terrorista às torres gêmeas uma farsa norte-americana (a esse respeito leia uma excelente provocação AQUI).

Mais tarde, no mesmo dia, na lista de discussões EDUTEC (Educação e Tecnologia - ver mais AQUI), fundada em 1998 pelo professor Eduardo Chaves (da qual fiz parte por uns 2 anos) aconteceu outra consequência daquele ataque terrorista: insatisfeito com certas considerações expressas por alguns listeiros, eu inclusive, o coordenador e fundador da lista, num ato de censura, decidiu encerrá-la, apesar do protesto geral.

Hoje, recebo por e-mail um texto de Leonardo Boff que me estimulou a fazer essa postagem e reminiscências. Não é prática desse blogueiro apresentar textos alheios, mas ás vezes é imperioso fazê-lo. Convido-o, pois, a ler o texto abaixo com a mente e alma dessarmada de preconceitos.

O que motivou o 11 de setembro
por Leonardo Boff

Alguém precisa ser desumano para não condenar os ataques de 11 de setembro contra as Torres Gêmeas e o Pentágono por parte da Al-Qaeda e cruel ao não mostrar solidariedade para com as mais de três mil vítimas do ato terrorista.

Dito isto, precisamos ir mais fundo na questão e nos perguntar: por que aconteceu este atentado minuciosamente premeditado? As coisas não acontecem simplesmente porque alguns tresloucados se enchem de ódio e cometem tais crimes contra seus desafetos políticos. Deve haver causas mais profundas que a persistir continuarão alimentar o terrorismo.

Se olharmos a história de mais de um século, nos damos conta de que o Ocidente como um todo e particularmente os EUA humilharam os países muçulmanos do Oriente Médio. Controlaram os governos, tomaram-lhe o petróleo e montaram imensas bases militares. Deixaram atrás de si muita amargura e raiva, caldo cultural para a vingança e o terrorismo.

O terrível do terrorismo é que ele ocupa as mentes. Nas guerras e guerrilhas precisa-se ocupar o espaço físico para efetivamente triunfar. No terror não. Basta ocupar as mentes, distorcer o imaginário e introjetar medo. Os norte-americanos ocuparam fisicamente o Afeganistão dos talibãs e o Iraque. Mas os talibãs ocuparam psicologicamente as mentes dos norte-americanos. Infelizmente se realizou a profecia de Bin Laden, feita a 8 de outubro de 2002: “os EUA nunca mais terão segurança, nunca mais terão paz”. Hoje o país é refém do medo difuso.

Para não deixar a impressão de que seja anti-norteamericano, transcrevo aqui parte da advertência do bispo de Melbourne Beach na Florida, Robert Bowman, que antes fora piloto de caças militares e realizara 101 missões de combate na guerra no Vietnã. Endereçou uma carta aberta ao então presidente Bill Clinton que ordenara o bombardeio de Nairobi e Dar es-Salam onde as embaixadas norte-americanas haviam sido atacadas pelo terrorismo. Seu conteúdo se aplica também a Bush que levou a guerra ao Afeganistão e ao Iraque e continuada por Obama. A carta ainda atual foi publicada no católico National Catholic Reporter de 2 de outubro de l998 sob o título: “Por que os EUA são odiados?” (Why the US is hated?) tem esse teor: 

O Senhor disse que somos alvos de ataques porque defendemos a democracia, a liberdade e os direitos humanos. Um absurdo! Somos alvo de terroristas porque, em boa parte no mundo, nosso Governo defende a ditadura, a escravidão e a exploração humana. Somos alvos de terroristas porque nos odeiam. E nos odeiam porque nosso Governo faz coisas odiosas. Em quantos países agentes de nosso Governo destituíram líderes escolhidos pelo povo trocando-os por ditaduras militares fantoches, que queriam vender seu povo para sociedades multinacionais norte-americanas!

Fizemos isso no Irã, no Chile e no Vietnã, na Nicarágua e no resto das repúblicas “das bananas” da América Latina. País após país, nosso Governo se opôs à democracia, sufocou a liberdade e violou os direitos do ser humano. Essa é a causa pela qual nos odeiam em todo o mundo. Essa é a razão de sermos alvos dos terroristas.

Em vez de enviar nossos filhos e filhas pelo mundo inteiro para matar árabes e, assim, termos o petróleo que há sob sua terra, deveríamos enviá-los para reconstruir sua infra-estrutura, beneficiá-los com água potável e alimentar as crianças em perigo de morrer de fome. Essa é a verdade, senhor Presidente. Isso é o que o povo norte-americano deve compreender”.

A resposta acertada, não foi combater terror com terror à la Bush, mas com solidariedade. Membros das vítimas das Torres Gêmeas foram ao Afeganistão para fundar associações de ajuda e permitir que o povo saísse da miséria. É por essa humanidade que se anulam as causas que levam ao terrorismo.

Leonardo Boff é autor de "Fundamentalismo,Terrorismo, Religião e Paz", Ed. Vozes, Petrópolis 2009

Crédito da imagem: http://usurpadores.blogspot.com

terça-feira, 13 de setembro de 2011

CENAS DE BELÉM 11

CENAS DE BELÉM é uma série de postagens que faço desde o ano passado, sempre ao final de cada mês. Entretanto, nos últimos três meses deixei de fazê-las por falta de algo que valesse a pena. Até que dia desses vi esse deficiente mendigando bem no meio do cruzamento de duas avenidas movimentadas de Belém.

Note a tranquilidade do cabra. Carros e motos  passam ao seu lado e ele nem... A fleuma britânica, a pachorra ou estupidez do pedinte é digna de ser registrada como uma das mais interessantes cenas de Belém que já vi e postei aqui. Confiram.

Ah! Não o vi mais no meio da rua, nem nas imediações...

A outra cena fica por conta de uma placa que anuncia a venda de um freezer, ou "frizer" apenas a quem realmente está precisando. É curiosa essa preocupação do vendedor. Veja abaixo.

As últimas POSTAGENS RELACIONADAS
Cenas de Belém 10
Cenas de Belém 9
Cenas de Belém 8

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A escola de antigamente era excludente?

Na Lista Blogs Educativos, da qual já falei na postagem anterior, rola uma discussão cujo tema foi "MEC vai distribuir tablets para alunos da escola pública em 2012" (veja mais AQUI). Dei minha contribuição com um texto que postei aqui ontem (veja postagem anterior). Um companheiro listeiro respondeu com as considerações apresentadas nos trechos negritados abaixo. Eu retruquei lá, mas faço nova postagem aqui, com igual teor, por considerar essa discussão interessante. E você, concorda ou discorda? 


"A escola de antigamente era um território de violentissima exclusão social. A escola de antigamente era uma escola proibida para pelo menos metade da população brasileira em idade escolar.
O problema desse argumento, que chamo de "argumento da vovó" (ah, no meu tempo...) esquece simplesmente isto. Esquece simplesmente esta base histórica, social e econômica de fortíssima, violenta exclusao social da escola de antigamente."

A escola de antigamente era excludente? Não sei se ele estudou em escola pública, mas eu sim. 


Nesse "tempo da vovó" não havia tantas escolas particulares, e mesmo em alguns municípios só existiam escolas públicas. Não havia essa pedagogia que engessa, não havia merenda escolar, nem bolsas disso ou daquilo (não estou condenando essas ações sociais, viu?), nem tantas drogas, nem tanto desrespeito ao professor e ao outro, nem bulling (que naquela época chamávamos simplesmente de "encarnação"), e ninguém era promovido sem estudar. Havia mais respeito e consideração em geral.

Era um tempo em que os pais se preocupavam mais com o estudo dos filhos sim. Os professores eram rígidos e às vezes injustos, é verdade, mas muitos eram excelentes e só sei que eu aprendia. E pelo que me lembro, meus colegas também. E havia Zero às pencas. 

Ah, sim! Era decoreba, né? Decorar é uma ação que julgamos ser relativa ao cérebro, ou seja: decorar é guardar na memória, mas em verdade não é. Decorar vem do latim "Cord" = coração -(cord ad cord loquir tum= o coração ao coração fala). Decorar é, pois, trazer no coração. É por isso que quem viveu nesse tempo sente saudades 

As coisas eram simples como soe acontecer nas coisas essenciais. As desigualdades sociais não eram tão gritantes e imorais, e pobre ou rico, todos tinham chance de mostrar seu valor através dos estudos.

Ah! Em tempo. Entre 1967 e 1969 eu fui com minha mãe e irmãos para Maceió, para um bairro paupérrimo chamado Vergel do Lago, na Vila São José, perto da Lagoa Mundaú. Era uma rua sem saída, sem saneamento e nossa casa nem água encanada tinha. Lá fiz meu curso ginasial  numa escola pública municipal. Nem havia escola particular no bairro. E fui concluir o ginásio no Colégio Guido de Fontgalland, que era um colégio marista, mas o turno da noite era cedido para o ensino público. E olha que eu já trabalhava de dia e estudava à noite. 

"Esta e' a base histórica, social e economica do suposto 'sucesso' da escola de antigamente." 

Suposto? Suposição a partir de que, de números? Naquela época havia menos estudante que hoje? É por aí que se mede o SUCESSO da educação, pelos números? Onde alguns enxergam apenas números eu vejo pessoas. 

E o que vejo só me entristece e me dá uma puta saudade da educação do tempo da vovó.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Não há pedras no caminho, as pedras SÃO o caminho

Essa postagem vai a propósito de uma discussão que estamos realizando na lista Blogs Educativos, (grupo de discussão criado no Yahoo há 5 anos e que reúne quase 1000 professores blogueiros) sobre o projeto do MEC de doar Tablets aos estudantes da rede pública em 2012, e que já tratei aqui numa postagem bem recente (Clique AQUI para ler). Um listeiro disse que "a escola deve aprender a fazer o feijão com arroz". O que se segue é a minha contribuição à essa discussão na lista, que socializo aqui.


Fazer o feijão com arroz? Sim, concordo plenamente, mas porque não com um tempero das TDIC? Com Sazon, com "amor" (para remeter a uma propaganda conhecida)? Para mim esse feijão com arroz é exatamente o Português (letramento) e as operações básicas da Matemática (Matematização). Isso é o que a escola de antigamente fazia, e parece que o fazia bem, a julgar por todos os testemunhos e por minha própria experiência. Antigamente um estudante não passava de ano nem saía da escola sem ler e escrever, and now...

Certo é que a modernidade trouxe as TDIC, com toda a gama de mídias que enriquecem a comunicação, a interação, a socialização, a auto-expressão. Nunca habilidades de falar e escrever suas impressões, suas reflexões sobre um assunto esteve tão em evidência e foi tão exigida do indivíduo. Em contrapartida as competências para isso não foram desenvolvidas na mesma proporção. E cabe à escola esse papel.

Será que as TDIC aplicadas no chão da escola vieram tornar mais difícil esse trabalho? Porque, apesar de o país contabilizar quase uma geração inteira com a informática na educação os resultados são tão pífios, senão ridículos, risíveis?

Há muita discussão, muitas reflexões, muitos trabalhos acadêmicos, e tão pouco resultado prático no contexto da educaçao pública nacional... E ainda não sabemos onde está o fulcro da questão, se no professor resistente aos códigos da modernidade, se no aluno carente de formação familiar e doméstica, se na escola despreparada para seu papel na construção da cidadania, se num governo cada vez mais corrupto e incapaz de olhar para o social com o devido respeito, se...

Certa vez, numa palestra minha, uma professora me perguntou porque havia tantas pedras no caminho do professor, e eu respondi que não há pedras no caminha... as pedras são o caminho

Crédito da imagem: http://www.tablets.com/uncategorized/auburn-maine-school-district-proposes-to-bring-ipad-2s-into-classrooms/

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Blogs Educativos na XV Feira Pan-Amazônica do Livro

Este blogueiro foi convidado para participar do Seminário Leitura e Escrita na Era da Internet, que aconteceu ontem, domingo, no Auditório Dulcinéa Paraense, durante a XV FEIRA PAN-AMAZÔNICA DO LIVRO.
MInha breve palestra teve como tema "Blogs: um desafio ao desenvolvimento da leitura e escrita", onde busquei apresentar os blogs educativos e seu papel no desenvolvimento de habilidades e competências no ensino do Letramento nas escolas da rede pública.

Tomaram parte junto comigo da mesa redonda a Profª. Drª Lília Silvestre Chaves (UFPA) -que coordenou a mesa- e Jéssica Souza, autora do Blog Repórter de Sandália, que tratou do tema "Blog: uma nova literatura?"
 
Foto: Lenise Oliveira

sábado, 3 de setembro de 2011

TABLETS PARA ALUNOS DA ESCOLA PÚBLICA EM 2012

Leio a notícia que o Ministro da Educação, Fernando Haddad, durante palestra a editores de livros escolares, na 15ª Bienal do Livro, anunciou que o MEC vai distribuir tablets – computadores pessoais portáteis do tipo prancheta, da espessura de um livro –  para alunos de escolas públicas a partir de 2012. O objetivo, segundo o ministro, é universalizar o acesso dos alunos à tecnologia. Leia na Íntegra AQUI

Na minha opinião, os resultados que todos esses investimentos em material tecnológico, alem da criação de repositórios de material didático digital etc, não tem causado o que esperamos na melhoria da educação nacional.

Não deprecio nem condeno esses esforços governamentais para melhorar o aparato tecnológico das escolas, equipar os estudantes e facilitar que tenham acesso às Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação-TDIC, mas condeno esse olhar caolho que o governo tem sobre a educação pública, de que basta dar a ferramente certa que o cara vai conseguir executar a tarefa corretamente e da melhor forma possível.

Eu chamo isso de "Síndrome do Compasso", ou seja, o governo acredita que se der um compasso para o indivíduo ele deve instantaneamente, necessariamente e obrigatóriamente ser capaz de traçar uma circunferência de círculo perfeita.

O que quero dizer é que o problema da educação não será resolvido dando Laptops para alunos (e agora tablets), dando computadores para escolas e professores, instalando projetor multimidia Arthur e lousa digital nas salas de aula etc. É preciso que se ataque o fulcro da quetão, que é o letramento e a matematização, que deveria acontecer no ensino básico e simplesmente NÃO OCORRE! Até parece que a escola tornou o processo de leitura e matematização um castigo para o aluno...

Urge rever uma série de conceitos que engessam a ação educativa e pedagógica, tais como uma presença mais participativa de pais e responsáveis no chão da escola; melhor formação inicial de professores (papel das Universidades) e de gestores escolares, para que a formação continuada, que muitas vezes exige tempo e $ do profissional, não seja tão cobrada dele; respeito maior pelas necessidades de aprendizado do aluno, e não impingir uma grade de conteúdos curriculares tão abarrotada de conhecimentos que ele pouco ou nunca usará.

E, fundamentalmente, melhorar a auto-estima de professores e agentes de educação (incluíndo aqui os pais e responsáveis). Isso não siginifica, necessariamente, dar um salário de parlamentar ao professor (o que seria mais do que justo), mas não permitir que parlamentares semi-analfabetos ou não, ganhem num mês o que um professor leva 1 ano para ganhar. Nem que outros servidores, muitas vezes sem formação superior, mas ligados às casas do poder legislativo e judiciário, recebam salários dignos de professores com doutorado e até pós-doutorado, de cientistas renomados, de pesquisadores que produzem ciência e conhecimento; estes sim é que fazem este país crescer e ser respeitado.
No TOP BLOG 2011 ficamos entre os 100 melhores da categoria. Pode ser pouco para uns, mas para mim é motivo de orgulho e satisfação.
Sou muito grato a todos que passaram por essa rua que é meu blog e deram seu voto. Cord ad Cord Loquir Tum

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