Hoje é nosso último dia aqui em Uruguai. Amanhã, eu e Leca retornamos ao calorzinho gostoso de Belém do Pará. Mas antes deixo aqui uma breve descrição de nossa passagem por destas plagas da República Oriental do Uruguai. Confira!
Quem vier (melhor dizendo, for) a B. Aires deve reservar um tempo para visitar Colônia de Sacramento, no
Uruguai, do outro lado do magestoso e gigantesco Rio da Prata. Fica apenas a 1 hora de barco. Em linha reta, de margem à margem, Colônia está a cerca de 54 km de B. Aires. Em dia claro se pode ver o contorno dos prédios de B. Aires.
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| Ruínas da Plaza de Toros de Colônia |
Colônia é pequena, com cerca de 22 mil habitantes. É agradável, tranquila, sem poluição, sem violência e sem muitas opções de emprego e renda, pois cerca de 70% da cidade vive turismo. Ali você pode ver uma autêntica “Plaza de Toros”, construída em 1911 mas que teve apenas 8 corridas. Hoje é uma velha e abandonada construção.
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| O garçon, seus chapéus e Leca |
Uma visita à parte velha da cidade, ou como chamam aqui “el casco viejo”, é obrigatória. É o centro histórico e guarda os vestígios da
ocupação e colonização espanhola e portuguesa muito bem conservados. Almoçamos em um agradável restaurante onde um dos garçons é, talvez, a principal atração da casa, por conta da sua
exótica coleção de chapéus. Ele os trocava a cada instante, além de cantar de vez em quando. Contei 12 chapéus diferentes - e cada um mais maluco que o outro- enquanto almoçávamos. Ao saírmos nos brindou com um sucesso de Zeca Pagodinho: “Descobri que te amo demais...”
De Sacramento a Montevidéu gasta-se cerca de 2,5 horas de ônibus, através de uma excelente estrada, ladeada de fazendas ou ranchos até onde a vista alcança. Todas as casas que vi tinham pequenas chaminés, provavelmente de suas lareiras. Gostei de ver que na zona rural as
casas não possuem muros, o que revela uma tranquila e fraterna vizinhança.
Montevidéu nos recebeu com um Sol alegre e uma temperatura de cerca de 23 graus. A cidade é toda
voltada para o Rio da Prata, e recebe esse nome, ao que parece, devido a uma má interpretação de uma anotação numa antiga carta marítima, onde o cartógrafo anotara o 6º monte avistado a
Oeste do Rio da Prata assim: “Monte VI de O”. (Há! Essas gostosuras que nos traz a História!...)
Me decepcionei um pouco com a questão de limpeza das ruas do centro, mas é uma cidade muito
arborizada, com predominância de plátanos, árvore símbolo do Canadá (para quem não sabe, na bandeira do Canadá há uma folha dessa árvore). Também tem boas e amplas praças. Um detalhe são as calçadas da cidade. Todas elas são feitas de um ladrilho de cimento quadriculado, e niveladas. Pagando 20 dólares por um citytour você conhece toda costa de Montevidéu e pontos turísticos em pouco mais de 2 horas. E você pode ver o Estádio Centenário, onde aconteceu a
primeira Copa do Mundo, em 1938.
Nos enrolamos no início com
o preço das coisas, até descobrirmos que bastava dividir por 10 para ter o valor em reais: 10 pesos uruguaios vale 1 real. Um simples cafézinho custa 35 pesos e um prato de frango e batatas fritas (ou pollo y papa fritas) sai por 280 pesos, ou 28 reais. Aqui, como na Argentina, uma refeição é composta do prato principal (carne, frango ou peixe) e, quase sempre,
batatas (ou papas), fritas ou purê. Só! Mas se come bem.
O mercado de artesanato (ou artesania) nos pareceu melhor que o da Argentina, que é
mais de suvenires. Contudo, não há uma miscigenação dos aspectos indígenas, afro e europeu evidenciada na cultura local. Há 7% de cultura afro no Uruguai, mas aqui todos os índios foram
exterminados. Dos índios só restou um monumento aos Charruas, numa das praças da cidade.
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| Casapueblo e hotel de mesmo estilo e nome |
Por mais 38 dólares você faz uma agradável viagem, orientada por um guía, a Punta de Leste, que fica a 140 km de Montevidéu. No caminho deve-se fazer uma parada para conhecer a
Casapueblo, do famoso artista Carlos Páez Vilaró, em Punta Ballena (Baleia). Seguramente é sua maior e mais
bela escultura. Descrever Casapueblo é difícil, basta dizer que nosso poeta Vinícius de Moraes lhe dedicou um poema musicado que começa assim: “Era uma casa muito engraçada...”
Punta del Leste, onde as águas do oceano se encontram com as do rio, nos lembrou a Ilha do
Marajó. A cidade tem cerca de 8 mil habitantes, mas no verão, que vai de dezembro a maio, sua população chega a mais de 400 mil. Agora é uma cidade fantasma, com magníficas casas e prédios
totalmente fechados. Particularmente, eu prefiro assim, apesar do frio e do vento cortante... Se você vier, em qualquer época do ano, certamente vai gostar.