quinta-feira, 30 de julho de 2009

Tá Beleza? Tá na Matemática!

Recentemente, durante as férias de julho, eu e Leca estivemos passeando por lugares extremamente belos do litoral nordestino. Vimos a beleza explodindo nas mais diversas formas. Havia a beleza na formosura do corpo de homens e mulheres, no rosto das crianças, em peças de arte, em bichos. Vimos a devastadora beleza das coisas feitas pelo Criador e a beleza forçada das coisas criadas pela mão do homem.
Olhando tudo isso, considerei que algo é belo quando traz uma espécie de serenidade ao observador; que a beleza é algo efémero, momentâneo, como a sensação de felicidade - e creio que ambas devem se manter assim: como um ideal a ser permanentemente buscado. Mas o que é beleza?
Manoel Bandeira dizia que o belo é tudo aquilo que nos agrada, mas há coisas que não nos agradam e contudo guardam uma beleza estonteante, com a erupção de um vulcão ou uma tempestade cheia de raios. Já as formas do corpo humano são extremamente sedutoras em sua beleza nua. E os fotográfos - J. R. Duram que o diga - e publicitários sabem explorar bem isso.

Oh, Beleza! Onde está tua verdade?
Mas, o que é a beleza senão coisas miúdas que em conjunto fazem um todo harmônico, equilibrado e matematicamente bem distribuído? O que é a beleza, senão a sequência de pequenas coisas que obedecem a uma frequência constante? Será que a beleza está na superficialidade ou no interior das coisas? Oh, beleza! Onde está tua verdade? indagava Shakespeare.
Enquanto ele procurava, os filósofos já haviam encontrado a beleza na Verdade. Mas para mim ela está na Matemática! E eu não sou matemático, apenas aprecio os números, suas correlações, sua mágica. Sim, definitivamente, a beleza é uma questão matemática.
Os pitagóricos acreditavam que tudo se resume a números e que as formas geométricas não passavam de números, representados no plano bidimensional ou tridimensional. Pela observação da natureza e suas relações de proporção, os antigos descobriram a Proporção Áurea ou Número de Ouro (Phi= 1,618) (veja mais AQUI) e o Retângulo Mágico, e com eles criaram suas mais belas obras.
Arquitetos, pintores e escultores antigos, desde os tempos das pirâmides ao Renascimento, todos sabiam que a beleza se resume na distribuição uniforme dos elementos constitutivos de um objeto ou figura. Mas foi Fibonacci que demonstraria, matematicamente, a existência dessa proporção (1,618) em todas as coisas da natureza.
Durante anos empreguei o desenho animado Donald no País da Matemática, da Walt Disney, am minhas aulas. E depois, com auxílio de uma fita métrica, aplicava a proporção áurea neles com o propósito de descobrir quem eram os mais bonitos(as) da turma, mas isso era um artifício metodológico (Veja parte do desenho animado abaixo).
Também usei os desenhos de Picasso e de Escher para trabalhar os conceitos de beleza e feiúra, com base nos eixos de simetria. Mais tarde, em 2002, criei uma atividade muito interessante no Paint Brush, que trabalha eixos de simetria e a beleza presente nas coisas da natureza e nas feitas pelo homem, a partir de noções matemáticas.

Saiba se você é bonito(a?
Numa pessoa a beleza - num sentido estético - está nos pequenos detalhes distribuídos harmonicamente pelo seu rosto e corpo. Alguns são bem sutis, outros nem tanto, mas é a simetria dessas pequenas coisas ou sinais, que forma um conjunto agradável aos sentidos da visão e estimulam o cérebro a descobrir a ordem presente naquele objeto ou criatura. Assim, beleza e fealdade não passam de uma questão matemática, uma questão de equilíbrio ou de desequilibrio entre esses pequenos elementos, que no final se resume a meros números.
Quer saber se você é matemáticamente belo/bela ? Então, meça sua altura e depois divida pela altura do seu umbigo até o chão. Se o resultado for exatamente 1,618.., parabéns! Ah, lembre-se que os instrumentos de medida que empregamos no lar não são exatemente precisos. Então, se o resultado de sua medida não for 1,618 não esquenta. Afinal, quem ao feio ama, bonito lhe parece. Heheheee...

terça-feira, 28 de julho de 2009

Um Baobá no Nordeste.

Caro leitor, ainda da série "Cenas de ruas", trago um pouco do que vi nas ruas do Rio Grande do Norte. Dessa vez falarei de um ser que nos impresionou sobremaneira nessa viagem: um Baobá.

Você sabe o que é um baobá? Eu e Leca, pelo menos, só o conhecíamos através do Pequeno Príncipe, o livro de Saint-Exupéry. Por sinal, no livro os baobás são apresentados como uma ameaça, um perigo terrível e assustador. Aliás, a primeira vez que li sobre ele e vi um desenho seu foi na página 25 deste livrinho. Eu já era um adolescente, mas fiquei tremendamente impressionado.
Imagine, então, nossa surpresa quando topamos com um verdadeiro baobá a poucos quilometros de Natal, no Rio Grande do Norte. Foi assim:
Saímos de Ponta Negra, em Natal, pela Rota do Sol e fomos em direção ao litoral Sul. Nosso destino: a Praia de Pipa, em Timbau do Sul. No caminho passamos por diversas praias, cada uma mais bonita que a outra, como por exemplo as Praias do Cotovelo, de Pirangi - onde mais uma vez fui admirar o maior cajueiro do mundo - e de Búzios.
Mas foi no município de Nísia Floresta que, de repente, topamos com o danado do Baobá, ao lado da Pizaria Baobá. Seu nome científico é Adansonia Digitata , seu tronco pode atingir 20 metros de diâmetro e sua idade pode chegar aos surpreendentes 6 milênios!!...
O Baobá é uma das árvores mais antigas da terra. No Brasil existem apenas 20 espécimes. 16 em Pernambuco, 3 no Rio Grande do Norte, 1 no Ceará e 1 no Rio de Janeiro.
Segundo dizem, foi no Rio Grande do Norte que Saint-Exupéry pousou seu avião e, tal como nós, viu pela primeira vez um baobá. Ficou tão impresionado que fez dele um dos personagens de seu mais famoso livro e um dos piores temores do Pequeno Príncipe. Uma árvore como a que vimos em Nísia Floresta me pareceu ter um tronco de uns 10 metros de diâmetro, e pode ter cerca de 4 mil anos de idade. Imagine encontrar um ser que testemunhou tantos anos de história e que irá permanecer aqui por alguns milênios mais. É emocionante!
Ele pode, até, ser capaz de observar a estupidez do homem tornar esse planeta um ambiente impróprio para a vida humana ou, ao contrário, vê-lo superar sua própria e natural tendência à destruição.
No livro, o Pequeno Príncipe teme que as sementes adormecidas no solo de seu planetinha, se transformem em árvores robustas e acabem por destruir o planeta. Mas esse baobá me fez temer a semente má do homem, espalhada pelo planeta Terra.

sábado, 25 de julho de 2009

Visual Class nas Escolas do Pará

Recebi do meu amigo Celso Tatizana, criador do Visual Class e diretor da Caltech Ltda, a informação de que a Secretaria de Estado de Educação do Pará/SEDUC está interessada no Visual Class.
Caso essa parceria se concretize, acredito que nossas escolas irão receber uma das ferramentas mais poderosas para o desenvolvimento de projetos de ensino e aprendizagem, que aliada a outras iniciativas de reforço pedagógico com suporte tecnológico, como os Blog Educativos, os Podcast educacionais, o projeto Aluno Repórter, as rádio-escolas (analógica) e outros, certamente promoverá melhorias no ensino público paraense.
O Visual Class é o mais premiado software de autoria genuinamente brasileiro, sendo um software de autoria que dispensa comentários entre os educadores. Tem características adequadas ao trabalho pedagógico, como facilidade de uso, interface amigável e possui muitos recursos e efeitos de nível profissional. Tem excelente integração com a Internet, gerando animações e projetos executáveis. O VC Java 2.0 é compatível com Unix, Linux e Windows, sendo o primeiro software de autoria do mercado compatível com o sistema operacional Linux.
NOTA: O Visual Class é um dos prêmios do 2º Concurso de Blogs de Escolas Públicas Estaduais de Belém, que coordeno no NTE Belém/SEDUC.
Abaixo o email que recebi dia 15/07 e o cartaz do evento mencionado por Tatizana. .
Caro Franz, A semana passada o nosso parceiro de Manaus, Edmilson Bruno, jantou com a Secretária de Educação do Pará, Profa Iracy Galo, para conversar a respeito da implantação do Visual Class no estado. Nesta ocasião ela pediu referências de multiplicadores do estado que conhecem o Visual Class e citei o seu nome. Talvez a Iracy irá procurá-lo para conversar a respeito.
Em anexo, envio um cartaz do nosso evento em outubro (I Encontro de Tecnologia Educacional do Oeste Paulista) que será realizado na nossa cidade. Organizamos um mesa redonda com a presença do Demerval Bruzzi do MEC, que irá também abrir os Concursos Visual Class.
O evento será transmitido ao vivo via internet. E os ganhadores dos Concursos Visual Class vão receber um ClassMate da Intel e uma lousa digital da Tes.
Recentemente também realizamos um Concurso Professor Multimídia Visual Class na cidade de Pirassununga e o projeto campeão ganhou um netbook. Veja que legal o projeto desenvolvido pela professora, entrando em http://www.classinformatica.com.br/3pjdvc10_1.htm
[]s
Celso Tatizana.
www.class.com.br.
0xx18 3222-4512


* Adaptação da postagem homônima no blog do NTE Belém

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Cenas de Maceió

Caro amigo e leitor, conforme prometi na postagem anterior, eis-me aqui com algumas cenas de ruas de Maceió, capital de Alagoas.

Eu nascido aqui, na Praia de Pajuçara, mas com poucos meses fui levado para Nova Iguaçu, no Estado do Rio de Janeiro. Contudo retornei algumas vezes a passeio, e cheguei a morar aqui em dois momento, em 1960 e de 1967 a 1969. Olhando a cidade hoje, me parece que Maceió não mudou. Ou se mudou foi para pior. Mas talvez meu olhar seja, atualmente, mais exigente, mais percuciente, mais crítico e intolerante com o descaso de administradores públicos e com os mau hábitos da população, seja ela alagoana, paraense, iguaçuana ou de qualquer estado e país.

A impressão que tenho nessa visita, é que saindo dos principais bairros da orla marítima, onde se localizam as praias de Pajuçara, Ponta Verde, Jatiúca, Jacarecica, Cruz das Almas, tanto o governo municipal quanto o estadual fazem muito pouco pela cidade. Ainda que algumas pessoas tenham dito que o atual prefeito é o que mais tem feito pela cidade, o que meus olhos vêem desmente isso. Vejo uma cidade que continua pobre, embora com um turismo vigoroso e bons hotéis na Avenida da Paz (que margeia as praias citadas) e imediações.

Há muitos prédios, mas apenas nas imediações das praias. Para o interior não se vê prédios de apartamentos e são poucas as construções civis. O trânsito é tumultuado por conta de trajetos sinuosos por suas ruas estreitas e de mão dupla, na maioria mal cuidadas. O centro comercial é pequeno e mantém o mesmo aspecto buliçoso, desordenado, de quando eu andava aqui no final de 1960. E, como em muitas cidades, estão repletas de ambulantes, tendo algumas calçadas obstruídas por mercadorias ou placas. Vi várias placas com um desenho de dentaduras, o que me leva a supor que o serviço de protético é, ainda, bem concorrido.

A feira em volta da linha do trem, e mesmo sobre ela, ainda persiste. É interessante ver os vendedores correrem para tirar suas coisas e tabuleiros quando o trem apita, e vê-los retornar após a passagem da composição.



Os ônibus, ao menos nos que embarquei, apresentam-se gastos e barulhentos. Embora não se veja pixações como em Belém, não sinto uma preocupação considerável com a preservação do patrimônio artístico e arquitetônico da cidade. O subúrbio de Maceió se mantém, com raras modificações, do mesmo jeito que o deixei ao sair, em meados de 1969. De melhoria vê-se, nalguns casos, apenas o calçamento de paralelepípedos ou asfalto. As fachadas das casas também apresentam poucas mudanças, mas nada de alto padrão, com belos acabamentos, sofisticação, luxo. O interior da maioria das residências mantém o mesmo padrão. Em compensação, em nenhum outro lugar vi o espírito de fraternidade entre visinhos ser tão grande, uma gente cordata, amigável, solícita e receptiva.

Se achas que estou sendo injusto com a cidade, com seu governo e povo, saiba que ontem, 14 de junho, o Presidente Lula "inaugurou" a reurbanização de um trecho da orla marítima alagoana, e conclamou a união dos dois poderes em prol da melhoria da cidade, logo não são apenas meus olhos de turista.

domingo, 5 de julho de 2009

"Números", de Trissula

Estive dando uma vista d'olhos por Filosofando: Introdução à Filosofia (Maria Lúcia de Arruda ARANHA & Maria Helena Pires MARTINS- Moderna, 1994. 2ª Ed)e encontrei esses versos de Carlos Alberto Salustri ou Trissula, poeta italiano e amigo de Mussolini.

Trissula era um vate, um bardo que esgrimia palavras como um espadachim habilidoso, um D'Artagnan ou Cyrano de Bergerac, este último tão bom com a espada quanto com as palavras. Mas Trissula era conhecido por sua crítia mordaz, ácida e penetrante ao regime, inclusive ao seu amigo Mussolini, o ditador. Veja esses versos e reflita:

Eu valho muito pouco, sou sincero.
Dizia o Um ao Zero,
no entanto quanto vales tu? Na prática
és tão vazio e inconcludente
quanto na Matemática.
Ao passo que eu, se me coloco à frente
de cinco zeros bem iguais
a ti, sabes acaso quanto fico?
Cem mil, meu caro, nem um tico
a menos nem um tico a mais.
Questão de números. Aliás é aquilo
que sucede com todo ditador
que cresce em importância e em valor
quanto mais são os zeros a segui-lo.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Ah! Il dolce far niente... Férias!

Enfim, as férias!
Hoje entrei no primeiro dos 30 dias de minhas mui merecidas férias de julho. Para todo trabalhador as férias representam uma quebra de rotina, o que por si só já traz benefícios pelo redimensionamento do espaço e do tempo que dedicamos à profissão; e sendo uma fuga das obrigações as férias desestressam, trazem sossego, paz e tranquilidade. Ah! Il dolce far niente!
Nessa época, quando garotos lá em Nova Iguaçu (RJ), eu, meu irmão Kisnat e toda garotada entravámos no "tempo das pipas e bolas de gude". Aqui no Pará nossa pipa tem vários nomes, dependendo do modelo: 'papagaio'; 'rabiola'; 'cangula'; 'curica'. Já as gudes são chamadas de 'peteca'. Eu conhecia "peteca" como aquele brinquedo com penas, e de origem indígena, que a gente joga dando tapas com a palma da mão. Acha chamá-las de 'peteca' esquisito? Pior é lá em Maceió, onde bolas de gude são chamadas de "chimbra". E chimbra eu nem faço idéia de onde vem.

Bem, férias é tempo de viajar com a família, rever parentes distantes. É o que pretende fazer este blogueiro, sua Leca e Amanda, a caçula. Estaremos curtindo as praias de Maceió e Natal a partir da próxima semana, e "Este Blog..." estará inaugurando a seção "CENAS DE RUA", trazendo imagens em foto, prosa e verso do cotidiano de algumas ruas dessas cidades. AGUARDEM!

Créditos das imagens deste post:
Pipas = http://www.overmundo.com.br/banco/
Bolas de gudes = http://criandocriancas.blogspot.com/

domingo, 28 de junho de 2009

Tributo a Revista Nosso Patrimônio

Devo essa postagem ao meu amigo Fernando Antônio de Oliveira, o Fernandão do Grupo Blogs Educativos.

Fernandão mantém os blogs Bloguetando Educação , o Paralisia Cerebral e o blog da Revista Nosso Patrimônio (Veja AQUI).
Além de bom blogueiro e bom professor de História em Muriaé-MG, Fernandão ainda arruma tempo para ser o editor de uma excelente revista voltada para a valorização e resgate da cultura muriaéense, a Revista NOSSO PATRIMÔNIO.
Tive a satisfação de receber seu número de lançamento, totalmente dedicada a homenagear o grande compositor Alcyr Pires Vermelho, um dos mais ilustres filhos de Muriaé. Em suas 32 páginas ricamente ilustrada em papel couché, a história, a bibliografia e o talento de Alcyr Pires Vermelho desfilam como se fosse uma de suas composições, uma de suas melodias tão apreciadas, que agora ouço e me inspira nessa postagem (nesse exato momento eclode a voz inconfundível de Maysa, cantando 'Bronzes e Cristais', da trilha sonora da minisérie global "MAYSA".
O trabalho de garimpagem das fotos e ilustrações, todas de ótima qualidade, bem como a coleta dos depoimentos, entrevistas e "causos" pitorescos da vida do músico e compositor, atestam o talento de Fernandão para a árdua tarefa de editar uma revista cultural numa terra onde, se a publicação não mostrar imagens 'fotoshopadas' de alguma artista em poses sensuais, ou peitões e bundas de popozudas siliconada saídas do BBB, dificilmente consegue apoio e patrocínio.
Eis porque as Leis de incentivo à arte e à Cultura, como a Prefeitura de Muriaé/FUNDARTE, são tão bem recebidas e necessárias para permitir que projetos como esse do Fernandão, de trazer para a nova geração, para novos ouvidos, as canções e a música de Alcyr Pires Vermelho. Mas mesmo com o amparo da Lei de incentivo à publicação, a revista NOSSO PATRIMÔNIO necessita de todo nosso apoio
Apesar das dificuldades enfrentadas, sei que editar essa revista deve ter proprocionado um grande prazer e satisfação ao Fernando, pois sentimos isso ao apreciar o produto final de seu esforço: a diagramação cuidadosa, os textos bem construídos, as imagens de qualidade, ainda que a maioria seja de arquivos pessoais (como de soe acontecer numa pesquisa histórica) e as informações interessantes e bem fundamentadas no tempo e no espaço.
Parabéns ao blogueiro, ao professor, ao historiador e, agora, ao editor Fernandão, que com tanto esforço e dificuldade defende o NOSSO PATRIMÔNIO.

sábado, 27 de junho de 2009

Minhas mãos, meu blog & Greve de Professores no Brasil e Portugal

Caro leitor,
Como estou um pouquinho atrasado na atualização do blog, inicio aqui uma Promoção 2 em 1. Nessa promoção você dá 1 clique e lê 2 post, uma economia que pode reduzir seus riscos de uma Lesão por Esforço Repetitivo.
Minhas mãos, meu blog
As mãos são nossas ferramentas mais valiosas e preciosas. Foi em homenagem às suas mãos que o grande músico Waldir Azevedo compôs o clássico "Minhas Mãos Meu Cavaquinho" (LP de 1976), depois de ter sofrido a amputação de um de seus dedos acidentalmente em 1971.
Nas mãos reside um dos sentidos capaz, inclusive, de "substituir" a visão nos portadores de deficiência visual: o tato. E é comum dizer-se que uma pessoa que não sabe tratar com outras possui "falta de tato". Agora imagine um indivíduo cego, surdo e mudo que ainda por cima não sabe como tratar as pessoas: você diria que é um sujeito sem tato?
Se 85% do contato do homem com o mundo circundante se dá através dos olhos, suas experiências perceptivas mais relevantes acontecem através de suas mãos.
Manifestamos nossas idéias, nossos sentimentos, nossa aprovação ou desaprovação pelas mãos. Também com elas efetuamos nossa defesa ou nosso ataque. Através das mãos curamos ou destruímos, exploramos o desconhecido ou nos desnudamos perante o outro. É através dela que nos expressamos e damos forma as mais variadas idéias, seja gesticulando. desenhando, escrevendo, pintando, esculpindo, modelando, tocando um instrumento, apertando, acarinhando...
Por que essa postagem trata de mãos? Porque o excesso de trabalho e mais o esforço desprendido no Paint para fazer minha carica (que ilustra essa postagem) agravaram a tendinite braba que carrego há algum tempo. Eis que ando com uma 'baita' LER no pulso direito que me obriga a usar, quase totalmente, a mão esquerda. Isso implica em digitar menos, além de usar um dispositivo com uma tala e velcro que envolve a mão e todo punho, imobilizando-o. Mas como tudo tem um lado bom, agora minha mão ficou na posição ideal para segurar a lata de cerveja... O chato é a medicação que me impede de bebê-la.

Greve de Professores no Brasil e Trás-os-Montes
Na postagem sobre a situação da greve dos professores do Estado do Pará (leia AQUI) e na lista Blogs Educativos, onde levantei a discussão, recebi diversos comentários, dando conta dos resultados de graves semelhantes em diversos estados brasileiros. Todos eles tem traços comuns. Vejamos:

* Prof. Wilson Azevedo: Desconheço nos últimos 15 anos caso de greve na educação que tenha levado a mais do que isto: não desconto dos dias parados e não punição aos grevistas. Ou seja nenhuma conquista. Ate' acredito que tenha algum caso isolado em algum lugar em que uma greve tenha arrancado alguma coisa em termos de ganhos salários ou melhores condições de trabalho. Mas no geral mesmo greve resulta nisto: nada. E, claro, aulas no meio do período de férias, no alto verão, reposição de mentirinha etc.
* Prof. Roberto Carlos: Aqui em SE fizemos uma greve de 3 semanas aproximadamento e a partir deste mês iremos receber o piso salarial para toda a categoria (professores com formação médio e superior). Lutamos e chegamos a um acordo em que a regência seria reduzida de 70 para 40% e os 30 restantes incorporados ao vencimento base. O salário bruto de quem está iniciando na rede será de R$ 1085,41 (formação nível médio) e R$ 1519,57 (formação nível superior). A previsão desses valores para Janeiro de 2010 será de R$ 1463,00 e R$ 2048,20, respectivamente. Não foi bem o que queríamos, mas já é um começo.
* Profª. Joaninha: Aqui em Hortolândia-SP a greve já dura 22 dias e parece que estamos a passos de uma negociação. Aqui todos os setores da prefeitura estão em greve, mais ou menos 60% do funcionalismo da cidade.
* Profª. Jaqueline: Aqui em Porto Alegre, os municipários estão com agenda de mobilização, atos e paralisações em determinados dias, além de caminhadas e protesto em frente às secretarias e senão tivéssemos feito a greve em 2007, não teríamos a reposição (que é claro, ficou abaixo do que queríamos), mas sem o enfrentamento não teríamos nem conseguido o mínimo!
* Profª. Marcilene Leão: Aqui em Rondônia ainda tem um agravante: a cada falta você perde um mes de gratificação. Aqui tb não faço mais greve, não se tem ganho nada, pelo contrario só se perde. Aqui as greves são geralmente antes das eleições e sempre as mesmas reivindicações. Se duvidar somos os menores salários do Brasil. E ainda dizem que ensinamos os alunos a defender seus direitos.

Mas o último comentário que recebi é uma prova de como a categoria é igualmente tratada aqui como alhures, em além mar. Por isso faço questão de publicá-la:

* Rolando PalmaVisite AQUI: Não resisti a deixar aqui um modesto comentário, na minha interpretação da luta que os professores têm entre mãos...
Aqui em Portugal, os professores ( e eu já levo 25 anos de carreira ) têm sido, ao longo dos anos, a classe mais desunida de todas quantas se manifestam e protestam. Temos sindicatos de professores do norte, do centro, do sul, sindicato de professores licenciados, de técnicos... e como diz o ditado – dividir para reinar – neste momento até a lei dividiu os professores em duas classes; os professores titulares... e os professores “normais”.
No ano passado, os professores levaram para as ruas manifestações que atingiram os 140.000 individuos, de todos os quadrantes, na primeira mostra de união jamais vista no país. Mas quando se fala em formas de luta... todos têm a sua opinião. Por um lado, é obrigatório garantir certos serviços mínimos, o que impede as greves em certas alturas, como nos exames nacionais. Em segundo lugar, o desconto no salário por cada dia de greve é enorme. Em terceiro lugar, muitos professores estão deslocados das suas residências, e qualquer oportunidade para estar com a família... vem sempre em primeiro lugar, e com razão.
Conheço mal a realidade brasileira na educação e gostava de conhecer melhor. Aqui, em Portugal, sei que vigora um descontentamento enorme, porque todos sentimos que andamos em perpétua mudança, sempre experimentando novas teorias, nunca dando nada como certo... e publicando constantemente novas leis, criando uma confusão legislativa que baralha a mais santa das almas.
Portanto... aceite por favor um abraço de solidariedade.


E no próximo ano, durante as eleições, lá vão esses professores votar nos mesmos candidatos que os sacanearam antes. Até quando a categoria se deixará levar, como massa de manobra, tanto por sindicalistas quanto por politiqueiros de plantão? Quosque tandem abutere patientia nostra??

domingo, 21 de junho de 2009

Utopie Calabresi

Este Blog ganha mais um sêlo, o Premio Premio Internazionale UTOPIE CALABRESI.
"O Premio Internazionale UTOPIE CALABRESI inspira-se nos valores do Humanismo, entendendo-se por isso “tudo o que é digno do homem e o torna civilizado, elevando-o acima da barbárie”. Este “selo” foi criado com o objetivo de premiar os blogs que promovem conhecimento livre, cultura e arte, tolerância e aceitação da diferença, amizade e solidariedade entre os povos.

Quem recebe o Premio Internazionale UTOPIE CALABRESI e o aceita deve:
- visitar o blog UTOPIE CALABRESI, clicar na imagem do prêmio colocada na homepage e deixar um comentário sobre o Humanismo;
- escolher 5 outros blogs a quem entregar o prêmio;
- linkar o blog pelo qual o recebeu;
- exibir a distinta imagem.
* Texto retirado do blog

NOSSOS AGRADECIMENTOS
Agradecemos ao blog Marcos do Tempo, pela indicação, pelo carinho e pela consideração sempre demonstrada para com esse blog.Agora, meus 5 indicados:
* Som Baratinho - Blog do Márcio Proença, dedicado a Boa Música Brasileira;
* Blogosfera da Marli Fiorentini, um espaço rico de informação, educação e tecnologia;
* Blog do Haroldo Baleixe - professor e artista plástico paraense dos mais prestigiados;
* Lápis de Memória - Blog do J.Bosco, premiadíssimo cartunista paraense;
* 5ª Emenda - Blog de mídia, política e cultura.Utopie Calabresi,

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Pará, Terra de (a torto e a) Direitos

A greve dos professores do Estado do Pará, que reivindicava 30% de reajuste salarial, vale-alimentação de R$ 400, combate à violência nas escolas e outras melhorias na educação, foi iniciada no dia 24/04 e encerrada nesta segunda-feira (15/06) sem que nenhum dos itens da pauta de reinvidicações fosse atendido pelo governo. A Seduc fechou proposta de reajuste salarial em 12% para professores de nível fundamental, 10% para os de nível médio e 6% a 7,5% para os de nível superior.
Li no Notapajos.com que "a greve chegou ao fim, porque o governo recuou na afirmação de descontar os dias parados" ( Leia na íntegra aqui), disse a coordenadora do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará (Sintepp), Conceição Holanda. “Eles iriam descontar o período que ficamos em greve e só iríamos receber depois que fizéssemos a reposição das aulas, mas a gente sabe que isso é inviável. Como a secretária aceitou a proposta de reposição sem desconto, nós demos por fim o nosso movimento de greve”, complementou ela.
Após ler essa honrosa e nobre justificativa para finalizar uma greve, fiquei sem saber se achava graça pelo ridículo da razão, ou se chorava por ter escolhido uma profissão em que a atitude mais inteligente do seu sindicato é comandar uma greve de 40 dias e depois sair satisfeito porque não sofreu descontos dos dias parados. Após 40 dias de paralização a categoria retorna às suas salas de aula e às mesmas e decantadas dificuldades. Vai continuar com as mesmas reclamações e na mesmice do cotidiano de educador da rede pública, e agora com mais uma greve no currículo, mas na qual não somente saiu derrotada como também mais desgastada, mais cansada e desiludida, porém acreditando que sacudiu os políticos locais, colocou a SEDUC em cheque e desmascarou um governo dito popular, cujo dístico de sua bandeira é "Pará, terra de direitos".
Assim, os grevistas retornam ao trabalho até que o sindicato conclame para nova manifestação paredista e os coloque, novamente, em confronto com o governo e com as forças repressoras que garantem suas decisões. E nas próximas eleições, como nas anteriores, lá estarão eles brigando por seus candidatos, confiando nas promessas por vezes tantas descumpridas e acreditando que tudo se resolve com uma nova greve. Eu sei, eu já pensei assim.
Mas o que funciou muito bem no passado já não tem os mesmos resultados no presente e persisitir na velha fórmula é tolice. Por isso pergunto: será que esse sindicato ainda não percebeu que seu velho mecanismo de greve enferrujou e emperrou? Que uma greve que não mobiliza toda categoria tem seus resultados tão rizíveis quanto os dessa última?
Será que não percebem o quão ridículo é ter brigado por 40 dias e depois se contentar com NADA e, o que é pior, aceitar trabalhar mais para repor os dias parados? Se pelo menos concordassem em ter os dias descontados e NÃO repor as aulas perdidas, aí teríamos alguma coisa nova e digna, com uma repercussão mais significativa. Mas que pai ou mãe aceitaria ficar sem o salário e sem atender as necessidades de sua família, para ser manter fiel às suas convicções e princípios?Para enfrentar sacrifícios é preciso ter mais que coragem, é preciso convicção na causa, porque uma, duas ou mais derrotas não podem abalar uma boa causa.
Não sei se essa reflexão é fruto da idade ou dos meus 30 anos de magistério, a maioria dos quais participando das principais greves e passeatas da categoria, inclusive da primeira greve de professores da rede privada, capitaneada pelo Colégio Nazaré, que na época contava com colegas como Ciro Pimenta, Vatrim, Armando e outros grande professores, mais tarde demitidos. Eis porque, hoje, não participo mais de greves tão inóquas, estéreis e humilhantes. Tenho outra forma de manifestar minha indignação, de rebelar-me contra os políticos que "transformam o país inteiro num puteiro" (grande Cazuza) e se locupletam no caos social que criam. É no instante de votar que faço valer meu direito de grevar: greve de voto.

* A imagem recebi por email. É o modelo da camisa de protesto/greve, que está a venda em Ananindeua, no Conjunto Estélio Maroja - WE 01 (Rua Principal).
No TOP BLOG 2011 ficamos entre os 100 melhores da categoria. Pode ser pouco para uns, mas para mim é motivo de orgulho e satisfação.
Sou muito grato a todos que passaram por essa rua que é meu blog e deram seu voto. Cord ad Cord Loquir Tum

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