domingo, 30 de outubro de 2011

Outra de Wilson Simonal

Madaya, minha filha, foi assistir ao show do Tears for Fears em São Paulo, e me trouxe de presente de aniversário (que foi no dia 15 passado - por sinal Dia do Professor), o livro SIMONAL - Quem não tem swing morre com a boca cheia de formiga: Wilson Simonal e os limites de uma memória tropical, do Gustavo Alonso. Ela, que no Natal passado já havia me dado o livro "Nem Vem Que Não Tem" - A vida e o veneno de Wilson Simonal (Ed.Globo), do Ricardo Alexandre.

O livro do Gustavo Alonso é o resultado de sua dissertação de mestrado em História, na Universidade Federal Fluminense (UFF, 2007). Foi publicado em agosto passado, no Rio de Janeiro, pela Record.
 
Quem me conhece sabe que sou fã incondicional de Wilson Simonal (que só espalhava ALEGRIA, ALEGRIA), que para mim é o astro maior da verdadeira Música Popular Brasileira (tendo por popular aquilo que é do GOSTO DE TODOS), pois não havia quem não se rendesse ao swing do negão, fosse quando estava ele cantando ao vivo num palco, fosse nos discos. 
 
Mas, se foi um artista excepcional, Simonal foi também inigualável (ninguém jamais passou pelo que ele passou) como vítima da inveja e do preconceito. Na história da MPB não há maior demonstração de falso julgamento e de condenação sem provas do que a que ele foi submetido por seus pares do meio artístico e pela imprensa, e, consequentemente, pela população.  

 Por isso, é que com a alma em festa que recebo e leio mais essa obra sobre a vida do meu ídolo, que passou os últimos 30 anos de sua vida exilado em sua própria terra, tentando provar que era inocente.

Por que Simonal não foi para outro país? Era ídolo na Argentina, por exemplo, e certamente seria nos EUA se para lá fosse (talvez topasse com um Sergio Mendes enciumado do seu sucesso? Talvez). Mas, não! O negão escolheu lutar e provar que o que falavam dele era pura calúnia e difamação. Preferiu ser enterrado vivo a aceitar a pecha do que nunca foi: dedo-duro.

Agora, passados mais de 10 anos de sua morte, o artista reaparece em filmes, documentários, programas especiais e livros. Será que na fogueira de vaidades em que vive o meio artístico e na abissal falta de escúpulos e humildade da mídia de outrora (?), o peso da barbaridade cometida já se tornou insuportável de ncarregar?

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

PAI D'ÉGUA: Patrimônio imaterial paraense


Essa postagem vai a propósito da mensagem que me mandou  o confrade Rufino Almeida, sobre o projeto do Dep. Manoel Pioneiro (PSDB-PA).

O projeto, que foi sancionado pela Assembléia Legislativa-ALEPA, trata da proteção e preservação do patrimônio imaterial paraense no tocante às expressões típicas do falar paraense, contudo não tem nada de original, que me desculpe o parlamentar.

O que o projeto DIZ defender já foi sobejamente, e tonitroantemente, defendido pelo Comendador Raimundo Mário Sobral, na sua imortal obra "Dicionário Papachibé", como muito bem me lembrou o confrade Rufino em sua mensagem.

Se o nobre deputado realmente estivesse preocupado com essa parte da cultura paraônica, bem que poderia comprar uns quantos Dicionário Papachibé e mandar distribuir nas salas de leitura ou biblioteca de cada escola pública.

Ou, quem sabe, poderia apresentar projetos que permitisse a ALEPA a  compra e doação de publicações de escritores paraenses, como os confrades Walcyr Monteiro, Antonio Juraci Siqueira,  Alfredo Garcia e tantos outros excelentes autores.

Ou, ainda, poderia o deputado elaborar projetos para que a ALEPA, ao invés de gastar milhões em pagamento de funcionários fantasmas e outras  cositas,  viesse apoiar e promover concursos literários, artísticos ou musicais de artistas da terra. Pelo sim pelo não, fica aqui a sugestão.

Ah, sumano! quase que esquecia de publicar  o projeto do Dep. Pioneiro, que tratei ao longo dessa postagem. Confira abaixo.

Diário Oficial Nº. 32008 de 28/09/2011

ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO

LEI N° 7.548, DE 12 DE SETEMBRO DE 2011


Declara como integrante do patrimônio cultural de natureza imaterial do Estado do Pará, a linguagem regional.
ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO PARÁ estatui e seu Presidente, nos termos do § 7º do art. 108 da Constituição do Estado do Pará promulga a seguinte Lei:
Art. 1° Fica reconhecido como patrimônio cultural de natureza imaterial para o Estado do Pará a linguagem regional, nos termos do art. 286, da Constituição do Estado do Pará.
Art. 2° Integra-se ao patrimônio cultural imaterial do Estado do Pará a linguagem regional com as seguintes palavras:
I – pai d’ égua - (excelente);
II – égua – (vírgula do paraense, demonstra a emoção de cada intenção da frase);
III -  “é-gu-a” – (poxa vida);
IV – levou o farelo – (se deu mal);
V -  pitiú – (cheiro de característica do peixe);
VI – só-te-digo-vai! – (expressão usada pelas mães pra chamar atenção dos filhos, quando não às obedecem);
VII – te acoca – (te abaixa);
VIII – tuíra – (pele ressecada);
IX – mas-como-então? – (explique-me);
X – bora logo! – (se apresse).
Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
                       PALÁCIO CABANAGEM, GABINETE DA PRESIDÊNCIA DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO PARÁ, EM 12 DE SETEMBRO DE 2011.
                          DEPUTADO MANOEL PIONEIRO
                           Presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Pará

terça-feira, 11 de outubro de 2011

CONCURSO DE BLOGUES EDUCATIVOS NO NTE DE MARABÁ

Foi com um misto de satisfação e tristeza que recebi o convite para fazer parte da comissão julgadora do  3º Concurso de Blogues Educativos do Núcleo de Tecnologia Educacional de Marabá (clique AQUI para ler mais). 
Explico a tristeza: Para quem fez as primeiras oficinas de criação de blogues de escolas públicas paraenses e criou o projeto dos primeiros concursos  de blogues educativos do estado (no NTE Washington Lopes),  ver agora um concurso que no governo passado mobilizou todos os NTE do estado e  várias dezenas de escolas, neste ano ser realizado por um único NTE é ou não motivo de tristeza?...
 
No blog do NTE de Marabá deixei o comentário abaixo, que foi replicado também no blog Mídias, Educação e Meio Ambiente, do amigo Marcelo Carvalho.
Parabéns ao pessoal do NTE de Marabá por manter acessa a chama dos Blogues Educacionais no estado.

É lamentável que os outros NTE, inclusive o NTE Washington Lopes, onde comecei com esse projeto de blogues não tenha realizado seu concurso neste ano, e mais lamentável ainda é o fato de o CTAE ter abandonado o concurso estadual de blogues, desestimulando a continuidade de um projeto que estava realizando uma verdadeira renovação na relação entre aluno-professor-escola-comunidade.

Tenho esperanças que o CTAE e os demais NTE despertem e retomem os concursos interrompidos ou criem novos, que estimulem o uso pedagógico e educativo de blogues como promotores de melhorias no processo de letramento dos alunos da rede pública. 
LER é a mais importante das ferramentas de cidadania. Tudo começa e advém da leitura. E os blogues contribuem de forma decisiva para despertar as competências e habilidades necessárias para a leitura e escrita, além da pesquisa, do desenvolvimento do senso crítico e seletivo da informação.

Mas se isso não acontecer, ou seja, se a SEDUC não retomar os concursos de Blogues Educativos da rede pública estadual, se não continuar apoiando e estimulando essa ação educativa (como foi feito no governo passado), fico muito contente em saber que o NTE de Marabá não abandonará essa proposta.

Paraônicamente,
Franz
No TOP BLOG 2011 ficamos entre os 100 melhores da categoria. Pode ser pouco para uns, mas para mim é motivo de orgulho e satisfação.
Sou muito grato a todos que passaram por essa rua que é meu blog e deram seu voto. Cord ad Cord Loquir Tum