terça-feira, 28 de setembro de 2010

Pequeno passeio pelo Uruguai

Hoje é nosso último dia aqui em Uruguai. Amanhã, eu e Leca retornamos ao calorzinho gostoso de Belém do Pará. Mas antes deixo aqui uma breve descrição de nossa passagem por destas plagas da República Oriental do Uruguai. Confira!

Quem vier (melhor dizendo, for) a B. Aires deve reservar um tempo para visitar Colônia de Sacramento, no Uruguai, do outro lado do magestoso e gigantesco Rio da Prata. Fica apenas a 1 hora de barco. Em linha reta, de margem à margem, Colônia está a cerca de 54 km de B. Aires. Em dia claro se pode ver o contorno dos prédios de B. Aires.
Ruínas da Plaza de Toros de Colônia
Colônia é pequena, com cerca de 22 mil habitantes. É agradável, tranquila, sem poluição, sem violência e sem muitas opções de emprego e renda, pois cerca de 70% da cidade vive turismo. Ali você pode ver uma autêntica “Plaza de Toros”, construída em 1911 mas que teve apenas 8 corridas. Hoje é uma velha e abandonada construção.

O garçon, seus chapéus e Leca
Uma visita à parte velha da cidade, ou como chamam aqui “el casco viejo”, é obrigatória. É o centro histórico e guarda os vestígios da ocupação e colonização espanhola e portuguesa muito bem conservados. Almoçamos em um agradável restaurante onde um dos garçons é, talvez, a principal atração da casa, por conta da sua exótica coleção de chapéus. Ele os trocava a cada instante, além de cantar de vez em quando. Contei 12 chapéus diferentes - e cada um mais maluco que o outro- enquanto almoçávamos. Ao saírmos nos brindou com um sucesso de Zeca Pagodinho: “Descobri que te amo demais...”

De Sacramento a Montevidéu gasta-se cerca de 2,5 horas de ônibus, através de uma excelente estrada, ladeada de fazendas ou ranchos até onde a vista alcança. Todas as casas que vi tinham pequenas chaminés, provavelmente de suas lareiras. Gostei de ver que na zona rural as casas não possuem muros, o que revela uma tranquila e fraterna vizinhança. 

Montevidéu nos recebeu com um Sol alegre e uma temperatura de cerca de 23 graus. A cidade é toda voltada para o Rio da Prata, e recebe esse nome, ao que parece, devido a uma má interpretação de uma anotação numa antiga carta marítima, onde o cartógrafo anotara o 6º monte avistado a Oeste do Rio da Prata assim: “Monte VI de O”. (Há! Essas gostosuras que nos traz a História!...) 

Me decepcionei um pouco com a questão de limpeza das ruas do centro, mas é uma cidade muito arborizada, com predominância de plátanos, árvore símbolo do Canadá (para quem não sabe, na bandeira do Canadá há uma folha dessa árvore). Também tem boas e amplas praças. Um detalhe são as calçadas da cidade. Todas elas são feitas de um ladrilho de cimento quadriculado, e niveladas. Pagando 20 dólares por um citytour você conhece toda costa de Montevidéu e pontos turísticos em pouco mais de 2 horas. E você pode ver o Estádio Centenário, onde aconteceu a primeira Copa do Mundo, em 1938. 

Nos enrolamos no início com o preço das coisas, até descobrirmos que bastava dividir por 10 para ter o valor em reais: 10 pesos uruguaios vale 1 real. Um simples cafézinho custa 35 pesos e um prato de frango e batatas fritas (ou pollo y papa fritas) sai por 280 pesos, ou 28 reais. Aqui, como na Argentina, uma refeição é composta do prato principal (carne, frango ou peixe) e, quase sempre, batatas (ou papas), fritas ou purê. Só! Mas se come bem. 

O mercado de artesanato (ou artesania) nos pareceu melhor que o da Argentina, que é mais de suvenires. Contudo, não há uma miscigenação dos aspectos indígenas, afro e europeu evidenciada na cultura local. Há 7% de cultura afro no Uruguai, mas aqui todos os índios foram exterminados. Dos índios só restou um monumento aos Charruas, numa das praças da cidade. 

Casapueblo e hotel de mesmo estilo e nome
Por mais 38 dólares você faz uma agradável viagem, orientada por um guía, a Punta de Leste, que fica a 140 km de Montevidéu. No caminho deve-se fazer uma parada para conhecer a Casapueblo, do famoso artista Carlos Páez Vilaró, em Punta Ballena (Baleia). Seguramente é sua maior e mais bela escultura. Descrever Casapueblo é difícil, basta dizer que nosso poeta Vinícius de Moraes lhe dedicou um poema musicado que começa assim: “Era uma casa muito engraçada...” 

Punta del Leste, onde as águas do oceano se encontram com as do rio, nos lembrou a Ilha do Marajó. A cidade tem cerca de 8 mil habitantes, mas no verão, que vai de dezembro a maio, sua população chega a mais de 400 mil. Agora é uma cidade fantasma, com magníficas casas e prédios totalmente fechados. Particularmente, eu prefiro assim, apesar do frio e do vento cortante... Se você vier, em qualquer época do ano, certamente vai gostar.

domingo, 26 de setembro de 2010

Um "Blog de Ouro"

Este blogueiro sente-se muito honrado pela indicação ao prêmio "BLOG DE OURO", feita por nosso co-irmão, o Prof. Adinalzir, do excelente Blog "Saiba História".

Em virtude de estar em viagem e chegando ao hotel só pra dormir, sobra pouco tempo  para usar o netboock. Assim, somente agora pude agradecer ao dileto amigo por este grande prêmio.

Como manda a tradição blogueira, deverei indicar meus blog candidatos ao "Blog de Ouro", mas farei isso numa próxima postagem. No momento acabamos de chegar ao hotel em Montevidéu, e estou deveras cansado.

sábado, 25 de setembro de 2010

Mi Buenos Aires...

Todo mundo sabe que nada é melhor para aprender e apreender coisas novas do que uma viagem. Eis, pois, que eu e Leca viemos passear por Buenos Aires, Colônia de Sacramento e Montevidéu (Uruguarai).  A postagem a seguir retrata um pouco do que vimos na Argentina.

Chegamos a Argentina no dia 21 de setembro. Do avião observo Buenos Aires. Plana e com ruas e avenidas formadas por paralelas e transversais, a cidade vista daqui de cima se parece com uma gigantesco tecido quadriculado, até parece que os portenhos não gostam de curvas. As quadras, como o nome mesmo diz, são quadriláteros sempre em ângulo reto, mas o conjunto  me passa uma sensação de ordem, de organização e planejamento que a gente não ve nas grandes cidades do Brasil, exceto Brasília.

B.Aires parece uma cidade bucólica, envolta em melancólica, mas sem ser triste. A temperatura baixa faz com que o povo sempre esteja elegante: homens em seus casacos de couro e as mulheres em seus cachecóis, exarpes e botas de cano longo. Pensei que veria os argentinos usando os clásicos e charmosos chapéus de abas curtas, típico nos dançarinos de tango, mas exceto por mim não vi mais ninguém, o que me fez crêr que só turista se veste feito argentino.

Do aeroporto de Ezeiza pagamos 120 pesos (R$ 60 reais) para um taxi nos levar ao Hotel Castelar, no bairro central de Caballitos. Percorremos 38 Km em excelentes autovias e passando por dois pedágios, onde o motorista pagou 3,5 pesos argentinos em cada.

O Castelar Hotel & SPA é um 4 estrelas com 80 anos de fundação e atmosfera retrô. Sua excelente localização, na Av. de Mayo 1152, quase esquina com a Av. 9 de Julho, e a 4 quadras do famoso obelisco, símbolo postal da Argentina, nos permitiu percorrer diversos pontos turísticos com facilidade e rapidez. O obelisco é um monumento de 67 metros de altura e domina a cidade.

B. Aires é agradável, bem conservada e gostosa de se vê, mas parece guardar uma saudade de uma época e de um lugar distantes no espaço e no tempo.  Nunca estive em Paris, mas quase tudo aqui lembra Paris. Não é a toa que a cidade é a mais francesa das cidades das Américas. Aliás, uma das coisas que mais a gente vê aqui são cafés que reproduzem aquele ar parisiense, seja do lado de dentro quanto do lado de fora.

Por onde quer que se vá antigos prédios de estilo europeu nos espiam com sua alvenaria cheia de detalhes, suas fachadas cheias de sacadas ou balcões de ferro e cornijas quase todas numa mesma altura ou plano. Esse efeito arquitetônico é proposital, para que essas construções não fiquem mais altas que o obelisco. Isso revela um planejamento meticuloso e dá à cidade um ar de espaço urbano pronto e acabado. 

Por toda cidade há praças e parques, onde várias árvores agora estão sem folhas e mostram galhos retorcidos, embora já tenha começado a primavera. Todas as suas ruas são asfaltadas e sem buracos. As calçadas são relativamente limpas, largas e sem poeira. Não observei casas térreas nem edifícios ou prédios em construção, como é frequente nalgumas capitais brasileiras,  como Belém. O patrimônio arquitetônico da cidade se mantém em excelente estado de conservação, e os portenhos economizam até na pintura de suas antigas construções, pois a maioria tem a cor cinzenta do cimento e da pedra. Creio que aqui a construção civil está passando por dificuldades.

O povo parece guardar com carinho sua história e venerar seus heróis, como Simon Bolívar - o Libertador-, Evita Peron e Maradona. É comum encontrar imagens do craque por todos os pontos turísticos. Os brasileiros deveriam aprender com os protenhos a respeitar e conservar sua memória, e a agradecer aos seus heróis e ídolos.

Uma visitra obrigatória para o turista é o secular Café Tortoni, na Av. de Mayo, a poucas quadras do Castelar Hotel. O Café Tortoni foi fundado em 1858 e por ali passaram grandes nomes do cenário artístico e político da Argentina e de outros países. Havia fila na porta quando chegamos, perto das 21 horas. Pagamos o correspondente a R$ 40 reais por pessoa para assistir a um ótimo show de tango, saboreando um excelente capucino e uma “media luna”, ou croissant.

Há muita coisa para se ver em B. Aires, como o acervo do Museu Nacional de Belas Artes, com as obras impactantes de Antonio Berni e alguns trabalhos de Picaso e de A. Rodin, dentre outros grandes mestres.

Mas alerta, amigo turista, quando tomar taxis. Nossa experiência nesse último dia em B. Aires foi desastrosa. Fomos lesados duas vezes por motoristas de taxis. No primeiro caso, por causa de uma confusão de troco, perdemos 100 pesos, e no segundo caso o motorista nos deu uma nota de 50 pesos FALSA. O pior foi quando fui pagar a conta  no restaurante onde almoçamos. Dei duas notas de 50 pesos e, pouco depois,  o garçon retornou dizendo que a nota era falsa...

terça-feira, 14 de setembro de 2010

I FESTIVAL MULTIMÍDIA DE ESCOLAS PÚBLICAS ESTADUAIS DE BELÉM

O NTE Prof. Washington Lopes realiza seu 3º Concurso de Blogs Educativos e o I Festival Multimídia de Escolas Públicas Estaduais de Belém. (Clique AQUI para ler mais ou clique nas imagens abaixo)




Pioneiro no processo de introdução e implantação dos Blogs como ferramenta educativa nas escolas públicas estaduais do Pará e responsável pelo I Concurso de Blogs Educativos (projetos desse blogueiro), com o I Festival Multimídia o NTE-WL inicia mais uma etapa de brilhantismo na sua trajetória de formação,  incentivo e divulgação do uso das mídias por professores e alunos da rede pública estadual  paraense, dentro de uma perspectiva educomunicativa.

O Festival terá trabalhos em várias categorias, e certamente será coroado de êxito. As inscrições irão até o dia 30 de setembro, e até o presente momento estão inscritos 49 trabalhos, assim distribuídos:
Blogs de Escolas: 16
Blogs de Professores: 12
Blogs de Alunos: 8
Projetos de Vídeos: 9
Projetos de Áudio/Gráfico: 2
História em Quadrinhos: 2 
Todas essas ações só se tornaram possíveis graças ao apoio irrestrito que a equipe do NTE encontrou no atual governo e particularmente na Secretaria de Estado de Educação-SEDUC. Esse blogueiro, próximo de se aposentar, sente-se imensamente satisfeito e gratificado por ter contribuído nesses 12 anos de projetos e ações do NTE Washington Lopes.

PS: Ainda não é a despedida!

Créditos das imagens:  As logos são criações do blogueiro

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Uma visão hiperbólica da Internet

Que coisa linda é a Matemática! Tudo que existe torna-se mais fácil de entender quando é modelado matematicamente. Eu sempre pensei na WWW como uma imagem de Fractal, e ao observar o último mapa hiperbólico abaixo vejo que é isso mesmo.   
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Mapas hiperbólicos mostram a internet como você nunca viu ( Redação do Site Inovação Tecnológica - 09/09/2010)


Mapas hiperbólicos mostram a internet como você nunca viu
 antes

Atlas hiperbólico da internet. O mapa hiperbólico da internet é semelhante a uma rede sintética einsteiniana, vista no segundo mapa, abaixo.[Imagem: Boguna et al./Nature]
 
Coordenadas da internet
 
Um grupo internacional de cientistas criou uma nova técnica para traçar mapas que mostrem as coordenadas da internet.
Para Marián Boguñá e seus colegas da Universidade de Barcelona, os mapas refletem as diferentes conexões que formam a rede, o que permite simplificar os protocolos de transferência de informações usados hoje, sobretudo para aumentar sua eficiência.
O mapa hiperbólico é capaz de representar as redes principais que formam a arquitetura da internet, normalmente administradas pelas grandes empresas de telecomunicações ou por provedores.
Em vez de usar o espaço euclidiano tradicional, o mapa representa um hemisfério em um plano circular, onde cada elemento é desenhado com dimensões menores conforme se afasta do centro. Assim, nenhum dado ficará fora do espaço hiperbólico, por mais insignificante que seja, porque ele será sempre menor do que a distância que falta para chegar à borda do círculo.
Atualmente existem aproximadamente 24.000 sistemas dessa categoria, interligados por cerca de 60.000 conexões, em uma estrutura muito complexa, mas capaz de se auto-organizar.
Cada ponto no mapa representa um sistema autônomo. Os maiores contêm até mesmo a identificação da empresa à qual pertencem. Na parte externa está o nome dos países, com um tamanho de letra proporcional ao número de sistemas lá existentes. Cada país está localizado em uma posição média com relação ao número de sistemas autônomos que possui. Como se pode ver, os países com maior número de sistemas mais autônomos são os Estados Unidos, Reino Unido e Rússia.
Mapas hiperbólicos mostram a internet como você nunca viu
 antes

Rede sintética no Modelo Einsteiniano. A rede modelada ilustra a conexão entre a geometria hiperbólica e a topologia de redes complexas sem escala. [Imagem: Boguna et al./Nature]
 
Espaço hiperbólico
 
"Estes mapas foram obtidos a partir de um modelo da rede em um espaço hiperbólico, de modo que, se dois nós estão próximos um do outro neste espaço, é muito mais provável que eles estejam interligados na rede real," explica Boguñá.
Por outro lado, "ao comparar as informações dos países onde estão localizados esses sistemas autônomos com as suas coordenadas no mapa, você pode ver que existem comunidades virtuais estreitamente relacionados, que refletem sua situação geopolítica no mundo," acrescenta o pesquisador.
Especialistas estimam que o protocolo atual de transferência de informações da Internet pode não suportar outra década na atual taxa de crescimento: 2.400 sistemas autônomos acrescidos à rede a cada ano.
Mapas hiperbólicos mostram a internet como você nunca viu
 antes

Mapa hiperbólico dos sistemas-chave da internet. O crescimento exponencial do número de pessoas no piso hiperbólico ilustra a expansão exponencial do espaço hiperbólico. Todas as pessoas têm o mesmo tamanho hiperbólico. [Imagem: Boguna et al./Nature]
 
Rede dinâmica
 
Hoje, para transmitir informações entre dois computadores localizados em sistemas autônomos diferentes, todos os sistemas devem ter informações completas sobre todas as rotas entre todos os possíveis destinatários.
Como a Internet é uma rede dinâmica, sempre que ocorre uma mudança, o sistema deve recalcular todas as rotas afetadas por esta mudança, um processo de cálculo que leva cada vez mais tempo.
"Com o mapa que criamos, para determinar a melhor rota para as informações, você só tem que conhecer as coordenadas dos vizinhos mais próximos e determinar qual delas minimiza a distância até o ponto de destino," explica Boguñá, que acredita ser viável a adoção dos seus mapas hiperbólicos para a administração real da internet.
 
Bibliografia:
Sustaining the Internet with hyperbolic mapping
Marián Boguñá, Fragkiskos Papadopoulos, Dmitri Krioukov
Nature
07 September 2010

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Jatene, Ana Júlia e a Informática na Educação

"Ana Júlia é a única governadora do PT que enfrenta extrema dificuldade para se reeleger. Não basta ter a máquina do governo nas mãos, nem a popularidade de Lula a seu favor. Em recente pesquisa do Ibope, Jatene aparece com 43% das intenções de voto, contra 33% da petista."

O trecho acima foi extraído da versão digital d'O Diário do Pará (clique AQUI para ler na íntegra) de ontem, quarta-feira (08/09/2010), e começa essa postagem não porque eu vá votar nesse ou naquela, ou em nenhum...,  mas porque, sinceramente, me preocupa a volta de Simão Jatene ao governo. Não por ele de si e per si, mas por quem ele for colocar na Secretaria Estadual de Educação-SEDUC e como essa pessoa irá tratar as políticas públicas em Informática Educativa do Estado.

Amargas Recordações

Digo isso porque, no governo passado, o trabalho  de formação continuada e em serviço desenvolvido pelos Núcleos de Tecnologia Educacional-NTE e pelos professores de Sala de Informática-SI nas escolas da rede, foi totalmente desconsiderados e até desestimulados pela SEDUC. Para nós, parecia haver um interesse claro em desclassificar o trabalho dos multiplicadores e até mesmo fechar os NTE, e, talvez, acabar com o Proinfo no Estado, se é que isso é possível.

O fato é que em 2003/4, foi extinto o Departamento de Informática Educativa-DIED, fundado em 1988, e que desde 1998  também coordenava o Núcleo de Tecnologia Educacional-NTE. Depois, reduziram a carga horária dos professores lotados nos NTE, que de 200h mensais passou para 100h,  sendo que as outras 100h deveriam ser em sala de aula. A equipe foi obrigada a buscar lotação nalguma escola, coisa difícil porque já estávamos no segundo semestre e todas as escolas já haviam completado seus quadros de professores. Alguns professores  acabaram por não serem lotados e ficaram sem pagamento no final do mês. Me lembro de ter encontrado uma professora num dos corredores da SEDUC, que aos prantos me contou o que lhe tinha acontecido.

Por outro lado, os professores que atuavam nas SI, ao retornarem para a sala de aula, abandonaram seus projetos, e por falta de lotação algumas SI foram fechadas deixando muitos alunos sem usar os recursos da Informática na Educação.

As Bactérias Resistentes
No NTE Washington Lopes ficamos por anos no ostracismo.  Sem apoio, sem recursos e trabalhando num prédio cheio de vazamentos e goteiras -inclusive  com um documento oficial de um técnico da rede física da SEDUC que  condenava o prédio por causa das precárias condições da rede elétrica-,  a equipe sem ter outra opção, continuava realizando seus cursos e oficinas,  firme em sua luta pela formação de novos professores para o uso dos recursos computacionais como ferramentas educativas e promotoras de mudanças na práxis pedagógica. Me lembro que certa vez o Prof. Juscelino,  ex-Coordenador do NTE,  disse que eramos como bactérias resistentes. E resistimos até que  tudo isso virou  apenas uma má recordação.

O atual governo chegou e trouxe imediatas mudanças, que os profissionais da Informática na Educação tanto almejavam. O NTE ganhou novas instalações, bem mais modestas, é verdade, e ainda com diversos problemas estruturais, porém agora se tem bebedouro com água gelada, não falta água nas torneiras e os banheiros estão limpos. E o que é mais importante, nos sentimos mais respeitados em nosso fazer pedagógico.

Não sei qual dos candidatos vai ganhar, se o economista Simão Jatene (PSDB) ou a arquiteta Ana Júlia Carepa (PT). Sei que Jatene deixou algumas coisas bonitas e que ajudaram a elevar a auto-estima do paraense, como  por exemplo a Estação das Docas, o novo Aeroporto, o Hangar-Centro de Convenções (inaugurado por Ana Júlia, diga-se de passagem) e o Mangal das Garças. Sei que Ana Júlia demonstra visão de futuro com o Projeto Ação Metrópole - o qual deixa obras vitais para o trânsito na Região Metropolitana de Belém - e com o Projeto Navega Pará, que deixa de herança o maior programa de inclusão digital do país, referência e modelo para o Brasil.

Se for o candidato Jatene, o que a Informática Educativa deve esperar desse retorno?

Ante essa questão, eu, que defendo o voto nulo como forma de repúdio aos políticos que usam uma política feita nas coxas, nos conxavos, nas tramóias, nas falcatruas, nas trambicagens, nas roubalheiras,... me vejo num dilema nunca dantes enfrentado.

sábado, 4 de setembro de 2010

Ouvir Estrelas

Na XIV Feira Pan-Amazônica do Livro conheci a Ana Cláudia Stock, uma gaúcha que traz no ombro esquerdo diversas estrelas tatuadas. Achei tão interesante tal tatuagem que escrevi o seguinte:

OUVIR ESTRELAS

Ana carrega um céu estrelado
Não na cabeça,
Não no coração, mas
Nos ombros.

É sempre difícil carregar algo nos ombros,
Inda mais um céu todo estrelado.
Mas, Ana carrega.

Se cada estrela falasse...
Se cada estrela contasse uma história,
Que música ouviria aquele
Que deitasse a cabeça
Naqueles ombros?

Mas, e se cada estrela for um desejo?

Quão pesado deve ser carregar
Um céu todo estrelado
Nos ombros!
Não na cabeça,
Não no querer do coração,
Mas, nos ombros...
Ana carrega.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

A Utopia é Viável?

A Utopia é Viável?

Foi com essa indagação que o Prof.Dr. Tadeu Oliver Gonçalves começou seu discurso, na cerimônia de transferência da Coordenação do Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemáticas-PPGECM, do Instituto de Educação Matemática e Científica-IEMCI (antigo Núcleo Pedagógico  de Apoio ao Desenvolvimento Científico-NPADC) da Universidade Federal do Pará-UFPA.


A nova Coordenadora é a jovem Profa. Dra. Isabel Cristina R. de Lucena. E desejo a minha amiga, Profa. Isabel de Lucena, muito sucesso nesse novo desafio.

Um projeto é feito com muita luta
Terezinha Valin fala para Tadeu
O Prof. Tadeu apresentou um breve histórico do Programa e fez uma  "prestação de contas" desses 10 anos de Coordenação. Disse das inúmeras dificuldades enfrentadas por ele e pela Profa. Dra. Terezinha Valin Gonçalves (1ª Coord. do NPADC e do PPGECM,  atual Diretora Geral do IEMCI), para criarem o primeiro curso de Mestrado do NPADC, implantado em 2002. "A construção de um projeto é feita com muita luta"- disse ele. "Esse levou 30 anos"-completou, referindo-se ao início do NPADC, quando era Clube de Ciências e funcionava apenas numa sala/laboratório, onde este blogueiro participou de uma formação, em 1984 ou 85.

"Hoje, o Programa e os professores tem respeito e reconhecimento tanto dentro da UFPA quanto nas instituições de outros estados. Tal reconhecimento e respeito  garantiram uma autonomia e um espaço físico que dificilmente se equipara a outros de instituições mais antigas e conceituadas"- afirma Tadeu. E tudo se devem ao esforço conjunto, a grande camaradagem existente no corpo docente do programa, ao espírito de fraternidade que paira naquele Instituto, seguramente emanado da Profª Terezinha Valin e de seu esposo, Tadeu Oliver. Esse espírito de equipe, provou que a utopia é viável pelo esforço coletivo.

O blogueiro e o homenageado
Na ocasião, o Prof. Tadeu teve a surpresa de uma homenagem prestada por seus amigos, colegas de trabalho, alunos e ex-orientando pelos seus anos de Coordenação e  elevado espírito profissional. Tadeu é um Dr. com humildade, receptivo às criticas, que dá segurança aos seus orientandos, pois sabe  que o trabalho de pesquisa é colaborativo. Ele respeita os pontos de vistas e observações do outro, sabe ouvir e se fazer ouvir. Aprendi com ele como orientar um projeto de pesquisa, e tento fazer juz ao meu mestre.

É uma honra para este blogueiro tê-lo como amigo e ter sido seu orientando no mestrado. Prof. Tadeu, receba meu afetuoso e amazônico abraço.
No TOP BLOG 2011 ficamos entre os 100 melhores da categoria. Pode ser pouco para uns, mas para mim é motivo de orgulho e satisfação.
Sou muito grato a todos que passaram por essa rua que é meu blog e deram seu voto. Cord ad Cord Loquir Tum