terça-feira, 27 de outubro de 2009

A Revolução do Software Livre

Neste final de semana acabei a leitura do romance  "O Complexo de Di", do escritor chinês Dai Sije. O livro conta as peripécias de Muo, o primeiro psicanalista da China, apaixonado pelas teorias de Freud.  Muo, que tem 40 anos e é virgem,  estudou na França e retorna ao seu país para tentar salvar sua amada da prisão e da condenação à morte, imposta pelo juiz Di.  Para isso o quixotesco Muo precisa encontrar uma virgem para o juiz. 
Com humor, criatividade e muita competência, Dai Sijie apresenta uma China pós-revolução cultural, miserável, em confronto com uma China tradicional, onde a cultura medieval ainda impera em vários recantos.  A leitura é um tanto pesada, por conta do excesso de descrição e detalhamento, pelo ir e vir no tempo e no espaço, mas é muito interessante pelas informações sobre hábitos e costumes locais.

Terminado esse, que recomendo, comecei a leitura (um tanto tardia, confesso) de "O Homem que Matou Getúlio Vargas", do consagrado Jô Soares (Cia. das Letras, 1999) e A Revolução do Software Livre (Comunidade SOL; Manaus, 2009). E é sobre este último que trata esse post. 

A Revolução do Software Livre é um livro que pode ser obtido enviando um email para a ONG Comunidade SOL (http://www.comunidadesol.org/).  Fiz o pedido em nome do Núcleo de Informática Educativa Prof. Washington Lopes (NTE Belém) e do Núcleo de Informática Educacional - NIED, e na sexta-feira passada o livro chegou no NIED. Quero agradecer de público ao Tiago de Melo por nos ter presenteado com a obra.

O livro é uma coletânea organizada por Tiago Eugenio de Melo, fundador e diretor-geral da ONG Comunidade SOL Software Livre, responsável pela públicação da obra. Reúne 10 autores, todos especialistas em TI e usuários compulsivos de softwares livres. Alguns, inclusive, são desenvolvedores e colaboradores atuantes da comunidade GNU/Linux.  Cada autor é responsável por um capítulo, distribuídos em 366 páginas. Veja abaixo a relação dos capítulos e seus autores:

Cap. I  - Estudando o Software Livre - Marcelo Ferreira
Cap. II -  Liberdades, Exclusão e Licenciamento de Software Livre e outras Obras Culturais - Alexandre Oliveira
Cap. III - Creative Commmons, Software Livre e Cultura Livrte - Pedro Mizukami
Cap. IV - Software Livre e Inovação - Rubens Queiroz
Cap. V - Reflexões sobre Algumas Respostas Psicológicas a Forças de Mercado - Pedro Rezende
Cap. VI - O Crescimento Econômico com Software Livre: Uma Visão para Micro e Pequena Empresa - Paulo Michelazzo
Cap. VII - Modelos de Negócio em Software Livre: Quem Disse que não se Ganha Dinheiro com Software Livre? - Cezar Taurion
Cap. VIII - Desenvolvimento Colaborativo - Christiano Anderson
Cap. IX - O Lado Técnico da Lioberdade: Soluções, Mitos, Desafios e Alternativas - Jansen Sena
Cap. X - GNU/Linux em seus Diversos Sabores - Tiago de Melo

Como ainda não terminei de lê-lo, trago um breve olhar sobre alguns capitulos, a guiza de estímulo para que você, leitor amigo, possa se interessar por sua leitura. Considero o livro leitura imprescindível para a comunidade e/ou interessados em SL.

O Capítulo I é um excelente artigo sobre o SL. Simples, didático e rico de informações e história. Além de oferecer uma linha do tempo,  esclarece os principais conceitos, licenças e siglas da Comunidade GNU. Muito bom para quem não conhece ou está se aventurando no GNU-Linux.  O Capítulo X pode complementar, em muito, suas informações.

O Capítulo II é muito interessante e criativo. Trata de direitos autorais e produtos culturais com humor e originalidade, apresentando um páis fictício chamado Pãn'k (Pânico), onde adoravam um deus chamado T'Pãn e cuja principal indústria é o pão, o alimento essecial da população. Então, alguém desenvolve uma fantástica máquina capz de copiar qualquer objeto ou substância, e esse produto essencial passa a ser copiado e vendido.  A partir dessas analogias, o autor revela como são criadas as leis de proteção aos interesses mercadológicos, marcas e patentes, os selos de qualidade, garantias e a pirataria.  É o capítulo mais longo, começa na página 61 e vai terminar na página 123. Mas se lê praticamente de um fôlego só, tal sua criatividade e humor.

O Capitulo III trata das licenças Creative Commons, que também protege os post desse blog e de tantos outros. Você sabia que, "a partir do momento em que determinada criação intelectual é fixada em uma base física, ela é submetida ao regime legal dos direitos autorais (Lei 9.610/98 - art. 7)"? Você sabia que as licenças CC só eram válidas nos Estados Unidos da América, que o Brasil foi o terceirto país a adotar as licenças CC, e que hoje são 50 países que as adotam? Sabe o que é copyright e copyleft?

O Capítulo IV é o menor do livro, começa na página 177 e termina na 183. Trata da experiência de criação do sistema Nou-Rau, da UNicamp. O sistema foi desenvolvido para o gerenciamento de bibliotecas da Universidade e hoje está disponível na Web e pode ser empregado por diversas outras instituições. Os demais capítulos tratam de questões práticas e mercadológicas do Software Livre. Mas, para mim, a principal mensagem do livro é a filosofia do software livre: "Just for Fun".

* Créditos das imagens: 1- radio-com.blogspot.com; 2 - wireleess.ictp.it/school_2006

domingo, 25 de outubro de 2009

Divulgue seu blog em 316 buscadores

Há muitos blogs de professores e de escolas públicas aqui em Belém (Pará) que ajudei a criar, através de oficinas nos Núcleos de Tecnologia Educacional  da rede estadual (Prof. Washington Luis Barbosa Lopes -NTE de Belém) e da rede municipal (o Núcleo de Informática Educativa-NIED), ou em atendimentos individuais ao professor/professora (geralmente de sala de informática) interessado(a) em criar seu blog ou de sua instituição. E vejo com grande satisfação que alguns superaram em muito minhas espectativas, e conquistaram um espaço considerável de respeito e admirção.

Muitos desses blogs já sofreram alterações em seu layout, melhoraram seu visual, incrementaram os elementos de página, os gadgets, o que revela um real interesse do blogueiro em superar suas limitações iniciais e oferecer um produto melhor e mais bem acabado aos seus leitores e visitantes. Esse é o espírito do verdadeiro educador, que se reflete em seu blog.

Mas uma coisa ainda não está de todo praticada por muitos desses blogs: a divulgação. Com vistas a contribuir nesse particular, encontrei um site que lhe permitirá divulgar seu blog (ou site) em 321 Sites de Buscas (35 Brasileiros e 286 Internacionais).

O cadastro é rápido e simples. Mas uns poucos buscadores internacionais pedem confirmação. Clique AQUI para se cadastrar no DataHosting.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Masturbação tecnológica pelo Computador

Esse post é uma preparação para a minha próxima postagem, que fará parte da blogagem coletiva proposta pelo Blog Vou de Coletivo para o mes de novembro, e cujo tema é Brinquedos. Leia e confira.
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Antigamente, nos anos 1960 e meados de 1970, tudo que um adolescente queria era um dos famosos "Catecismos", as revista de sacanagem em quadrinhos desenhadas por Carlos Zéfiro, e alguns instantes a sós no banheiro de casa. Depois vieram as revistas de sacanagem com fotos coloridas, contrabandeadas da Suécia e Dinamarca, que comprávamos de amigos marinheiros e escondíamos como se fosse um tesouro.

Na década de 1980 explodem nas bancas de todo Brasil as revistas eróticas, nacionais e internacionais, como Ele&Ela, Playboy, Status, Penthouse. Mais tarde surgem as revistas de sexo explicito, liberadas nas bancas de jornais.

Com o advento da internet e da troca de arquivos P2P, fotos e vídeos pornôs estão disponíveis  para todo e qualquer adolescente. Uma nova era de prazeres solitários se inaugura. Mas não paramos por ai.

Então, um cabra inteligente e sacana que também é engenheiro da NASA, descontente em usar o computador apenas para VER sacanagem, decidiu que o computador deveria fazê-lo SENTIR prazer enquanto via um filminho pornô na telinha (será que o aparelho acompanha o kit de sobrevivência dos astronautas da NASA - risos?).

O novo brinquedo only for guys chama-se Real Touch, the future of adult entertainment, anuncia o site do produto (clique AQUI). O Real Touch é um aparelho de estimulação peniana que é conectado ao PC pela porta USB, enquanto um programinha (plugin) adapta o Windows Media Player para fazer a interação entre o que acontece no filme e o aparelho. Depois, é só relaxar e...  Ah! Custa menos de 200 dólares.


quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Ninguém sabe o duro que dei



Naturalmente que fui assistir ao documentário sobre Wilson Simonal de Castro (Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Dei; Brasil, 2008), o maior cantor do Brasil (desnecessário dizer que é meu ídolo), tão logo esteve em exibição aqui em Belém.

Não me surpreendi com o público pequeno daquela sessão, afinal documentário é algo que o brasileiro ainda não está muito acostumado em assistir, exceto no Discovery, History e National Geographic. 

Sobre o valor do trabalho do casseta Cláudio Manoel, de Micael Langer e Calvito Leal, para a história da MPB, e de sua importância para o resgate da figura daquele que considero o maior ídolo do cancioneiro popular brasileiro muitos já falaram. Dizer da injustiça sofrida por Simonal, perpetrada pela inteligentzia invejosa, pela impensa marrom, pela inveja da classe artística é chover no molhado. O documentário mostra isso. Ainda que Raphael Viviani, o contador da  Simonal Produções e pivô do caso, diga num dado trecho de seu depoimento, que o cantor foi vê-lo no DOPS mas não sentiu pena de seu estado físico (depois das porradas que levou, supostamente a mando do ex-patrão). Por isso Raphael não sentia nenhuma pena de Simonal.  Para mim este é o único momento em que ele disse a verdade.

Me surpreendi foi com os poucos depoimentos apresentados no filme. Nenhum cantor importante da época, como, p.ex.  Jorge Benjor (responsável por um dos maiores sucessos da carreira de Simonal) ou um Chico Buarque, um Gilberto Gil, um Caetano, se apresentaram para contribuir com seu depoimento? Até parece que a classe a qual pertencia o artista continua de costas para ele. Pior, que a pecha de delator permanece sobre o malfadado cantor! Apenas Pelé, Tony Tornado, Chico Anysio, Miéle e Castrinho se dispuseram a falar em defesa de Simonal.

E a intolerante imprensa, que promoveu o linchamento moral de Simonal, sem lhe dar chances de defesa? Essa, sequer deu as caras no documentário. Bem, há o Boni (José Bonifácio de Oliveira Sobrinho), cujo testemunho é taxativo: Quem ferrou Simonal foi a classe artística e a imprensa. E ponto final!

Ah! Não estou considerando o depoimento do Jaguar (Sérgio Jaguaribe, d'O Pasquim, responsável maior pelo ostracismo em que foi atirado o cantor), que com um cinismo etílico revoltante, deixa claro que não se arrependeu de ter destruído uma carreira brilhante, uma vida. E, ao final, ainda teve a desfaçatez de admitir que o Raphael (o contador) podia mesmo ter roubado a Simonal Produções.    

As falas dos filhos de Simonal, Simonhinha e Max de Castro, me deixaram a impressão de que eles não ficaram muito satisfeitos com o resultado do documentário, que ao fim e ao cabo, não expõe a verdadeira face do caso: a crucificação de um inocente, e todo sofrimento imputado ao cantor e sua família.

O filme vale pelas músicas, pelo revival, e para mostrar aos jovens de hoje, tão acostumados a música apelativa e de pésima qualidade, como um verdadeito cantor consegue mobilizar uma multidão apenas com seu enorme, amazônico e irresistível talento. Tudo no gogó, com molho, com champinhom, com swing. Isso não se vê mais. É um privilégio exclusivo da minha geração. Por isso criei o selo Bossa Simonal, que ostento aqui na barra lateral.


quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Professor brasileiro: esse alquimista e herói!

Postagem integrante da Blogagem Coletiva Professores do Brasil proposta pelo Blog Ponderantes.
NOTA: Programei-a para ser publicada logo na primeira meia hora do dia. Como não foi, publico agora.
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Acho que quando eu nasci, um anjo torto, desses que vivem nas sombras deve ter dito: Vai Franz, ser professor na vida... Ou foi um anjo safado, um chato dum querubim que decretou que eu tava predestinado a ser professor?

Só pode ser, pois nunca pensei em ser professor. Queria ser engenheiro, arquiteto, químico,cientista maluco, arqueólogo, piloto de disco voador... Mas professor?? Qual!

Já fui vendedor (de fogos de artifício, de livros, de seguros, de agência de viagens, de assinaturas de revista), balconista, cardexista, auxiliar de escritório, técnico de controle de qualidade na Firestone, pesquisador, desenhista (publiquei alguns cartuns no Pasquim por volta de 1975-, ilustrei alguns artigos em revistas e jornais em Nova Iguaçu-RJ, ilustrei alguns livros). Já fui técnico em química, carregador, guia de cego.... Mas professor?? Qual!

Até que um dia me descobri no ponto médio entre um quadro negro e um bando de alunos... e com um pedaço de giz nas mãos. Isso a 30 anos! Nunca mais larguei o giz.

Dia 15 de outubro é consagrado à essa profissão que não escolhi, ela é que me escolheu: nasci nesse dia! Essasagrada profissão de professor. Sagrada não por ser um trabalho árduo, ou pelo esforço exigido e desprendido, ou pelas dificuldades enfrentadas, ou ... Isso tudo muitas outras profissões apresentam, algumas até em maior grau. Mas, por que então ela é sagrada? Porque ser professor é como ser a bengala para o cego e o cajado para o pastor.;

O professor é um alquimista que busca, incessantemente, transmutar o chumbo da ignorância no luminoso ouro do conhecimento, e o toque de sua sabedoria pode dissolver a mais dura das substâncias. No ano passado fiz uma postagem com um acróstico que homenageava o professor, esse alquimista (Leia AQUI).

O professor é um pastor que conhece os melhores pastos e os mais seguros caminhos por onde suas ovelhas podem atingí-los e saciar-se. É um lavrador que ara o solo bruto com palavras. É um explorador de regiões ignotas, para as quais leva progresso, evolução. É um herói dos tempos modernos.

Um herói não é apenas o sujeito que faz coisas extraordinárias,  que se arisca em atos de extrema coragem e bravura. Herói não é o mais forte, nem o mais inteligente, o mais rico, o mais bonito ou valoroso. Herói é aquele que , apesar de todas as dificuldades persiste naquilo que acredita, naquilo que acha certo.

Como professor consegui tudo que queria, me realizei. Por isso, neste 15 de outubro, agradeço ao Criador por me fazer professor, e congratulo todos meus colegas de giz, quadro e truz.

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Professor brasileiro, esse alquimista

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Quando o professor está pronto o aluno aparece?

O Guru 
Meu falecido pai (que descanse em Paz Profunda),entre outras ocupações, também dedicava-se ao misticismo. Sempre que eu lhe pedia para me iniciar em certas práticas e segredos, invariavelmente respondia com um aforisma esotérico muito conhecido e verdadeiro: "Quando o chela está pronto o Guru aparece", ou "quando o aluno está pronto o professor aparece".  E me explicava que esse mestre pode vir na figura de uma pessoa, um animal, um livro, ou qualquer coisa material ou abstrata que suscite reflexões e desperte o indivíduo para um aprendizado.

Vivi esperando esse ser iluminado, mágico até, dotado de sabedoria extrema, de paciência, de compreensão da vida, sabedor dos sinais e mistérios da natureza... e que me ensinasse tudo. É óbvio! Esperava um mestre que me dissesse: 'Gafanhoto', o que buscas nessa estrada empoeirada que não termina quando chega a noite?... O caminho é por ali! Ele me afastaria da escuridão e me conduziria pela trilha da luz.

Muito, mas muito mais tarde descobri que a figura que mais se aproxima desse ideal é a do professor. Etmologicamente, guru quer dizer professor, em sânscrito (Índia, Indonésia). Mas também pode ser chamado de lama,(Tibet - um conceito  budista para monge, mas ainda assim com o sentido prático de professor), mulá (Turquia - veja as Histórias de Nasrudin) ou maestro/mestre (Espanha, México, Argentina), rabi/rabino (Oriente Médio - tem uma conotação religiosa, mas dentro do judaísmo significa professor).

O professor e o Guru 
Guru, lama, mulá, rabi, mestre, são conceitos milenares e soam com reverência. Estão carregados de um respeito que advém não somente da bagagem de conhecimentos que esse indivíduo detém e do conteúdo de suas vivências, mas de seu extrato espiritual.

O que os diferencia do atual conceito de professor? Os objetivos, a prática e a maneira de ensinar, a contemporaneidade? Não. O que faz a diferença é a família onde o aluno moderno recebe suas primeiras lições de educação básica, de moral, de ética, de bons costumes. Os pais já não controlam seus filhos, não lhes transmite responsabilidade, não sabe impor limites... E o aluno que não apresenta respeito, consideração e reverência pelos pais não irá demonstrá-los por seus professores.

Todas as dificuldades das etapas formativas do indivíduo, que deveriam ser tratadas no seio doméstico, familiar (veja Quem Ama, Educa! de Icami Tiba), são agora transferidas para os ombros do professor. E isso se agrava na escola pública. Temos a educação como um produto, a escola como prestadora de um serviço e o professor um escravo das conjunturas educativas.

O paidagogo
Na Grécia antiga chamavam de paidagogos (ou pedagogos) os escravos encarregados de ensinar aos filhos de seus amos. Era um trabalho às vezes muito difícil e desenvolvido por escravos que já não tinham muita produtividade. Cabia-lhes, entre outras coisas, ensinar ao pupilo normas de conduta e prepará-lo para a vida na sociedade. Há pouca diferença entre eles e os professores atuais.

Se é verdade que quando o aluno está pronto o professor aparece, é verdade, também, que quando o professor está pronto o aluno aparece? Mas que professor é capaz de saber-se "pronto" ou reconhecer quando o aluno está "pronto"? Que universidade ou curso de formação inicial desenvolve essas habilidades e competencias no futuro professor?

Trabalhando com formação de professores há bastante tempo, vejo que nem o professor nem o aluno chegam na escola prontos para aprender. Não falo daquele velho conceito de prontidão tão conhecido dos educadores, mas de uma prontidão que nada tem a ver com currículo e conteúdos disciplinares tradicionais, oficiais.

Maktub!
Embora nunca pensasse em ser professor acredito que, talvez, tenha sido a partir daqueles momentos com meu pai que a semente do que viria a ser meu Eu profissional foi plantada. Mas se como aluno já me sinto pronto, como professor sei que não estou, e talvez jamais esteja. Contudo sei também que ninguém foge de suas tendências. Essa certeza me traz a esperança de um dia ver e reconhecer meu Aluno.
* Credito: imagem obtida em http://letrasimples.blogs.sapo.pt/arquivo/luz.jpg 

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Um livro a qualquer hora e lugar

Essa postagem faz parte da blogagem coletiva proposta pelo blog Vou de Coletivo, que a cada mês traz um tema. Neste mês de outubro o mote é "Hábitos de leitura: quais são as suas manias na hora de ler?". Confira as outras postagems clicando AQUI.
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Mania de querer bem, mania de falar mal
De não deitar pra dormir, sem antes ler o jornal
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(Manias - Flávio Cavalcante e Celso Cavalcante)


Hábitos e manias, qual é a pessoa normal que não os tem as pencas? Tenho poucos (acho eu - Rssss!!....). Alguns hábitos, como usar o relógio no pulso direito, foram herdados do meu saudoso pai. Acho que herdei também meu gosto pelos livros, pela leitura e escrita. Tal como meu velho, eu tenho a mania de ler em qualquer lugar.

Aprendi com ele a almoçar lendo. Ah! E a desalmoçar também. Eu sempre levava para a mesa um Gibi ou um livro qualquer, apesar de minha mãe sempre brigar por causa disso. Já adulto, ler de manhã durante o café pode dar aquele ar de importante, mas eu não gosto nem faço. Continuo, algumas vezes, lendo durante o almoço. E ir ao banheiro? Com algo pra ler, mesmo bula de remédio, parece que fica mais prazeroso.

Bem, que tem qualquer coisa de magia entre as duas capas de um livro, dentro das páginas de papel e tinta, isso tem. Enxergo mundos comprimidos entre o branco e o preto. Há luz escondida, presa, no negrume das palavras.

Gosto especialmente de livros velhos, antigos, de livros lidos, pois estes também contam suas histórias pessoais em cada frase ou palavra destacada pelo leitor anterior, nas observações de pé de página...

Gosto de garimpar em sebos. Não gosto de ler obras na telinha do PC. Gosto de livros reais. Gosto do cheiro de livros, gosto de sopesá-lo, de pegar no papel e sentir a testura, de ouvir o ruído do folhear...

Sempre começo um livro pelas orelhas, pelos comentários da contra-capa. De fora para dentro e, depois, de dentro para fora. *Imagem obtida na Internet e adaptada por mim

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Desabafo de um professor

Uma recente discussão na Lista Blogs Educativos foi sobre o desabafo de um professor de uma escola da rede municipal do Rio de Janeiro. Essa escola, como tantas outras, foi alvo de violência perpetrada, supostametne, por um aluno.

Na última quinta-feira, dia 23/09, essa escola viveu um clima de terror e agonia. De alguma forma um suposto gás tóxico ou asfixiante foi liberado, colocando em pânico toda comunidade escolar e causando problemas de saúde em alunos e profesores.

O quadro atual é esse: Enquanto o governo desenvolve uma campanha para estimular o crescimento do número de professores no país, alguns educadores pensam em abandonar a carreira por conta do elevado risco de vida que virou a profissão.

Se serve de consolo, devo dizer que a tendência é piorar!

Pesimista, eu? Que tal realista? Essa é a dura, cruel e, por que não, abjeta realidade das escolas publicas desse patropi. A violência invadiu o chão da escola brasileira. São roubos, agressões, ameaças a professores, mortes que já frequentam as salas de aula, onde a vítima pode ser qualquer um. Veja um exemplo: Aqui em Belém, na quarta-feira passada, dia 30/09, um professor da escola municipal Inês Maroja foi sequestado ao entrar com seu carro na escola. Isso antes das 15 horas!!! Soube, também, que este é o 4º sequesto relâmpago de professores dessa mesma escola!! Me lembrei de um livro do Garcia Marques, "Crônica de uma morte anunciada"...

Tal como a maioria dos educadores das salas de aula desse reino tupiniquim afora, quero uma escola que harmonize uma pedagogia moderna (ou pós-moderna?) e assentada nas tecnologias de comunicação e informação atuais, com a formação de um ser ético, moral e culturalmente bem constituído. Um indivíduo política e profissionalmente preparado e participativo, um cidadão cônscio de seus direitos e deveres sociais. É isso ou não o tipo de indivíduo que a escola deve formar? Sim, é claro!

Que a Educação é objeto de transformação social todos sabemos. Entretanto, é cada vez maior o repasse e a transferência de responsabilidades e obrigações da nossa sociedade sobre a malfadada escola e sobre o famigerado sistema educacional. E a corda mais fraca está do lado do educador. Se não vejamos: a direção quer que o professor imponha disciplina ao aluno; a familia quer que o professor ensine respeito aos seus filhos, que o eduque moral e culturalmente; o Estado quer que o professor forme um cidadão crítico e participativo, pronto para o mundo do trabalho; e o que quer o aluno? Ele não quer apenas um amigo na figura do professor, quer uma autoridade (veja pesquisa do prof. Marcos Meier - http://www.marcosmeier.com.br) a quem obedeça, que o faça cumprir com seu dever de estudante, que o ponha "nos trilhos", que o "livre do mal - Amém!"

Não sei se antigamente ser professore era mais fácil. Hoje, não é fácil não, pessoal! O profissional tem que ter as "10 novas competência para ensinar"; tem ter as 8 "inteligências múltiplas"; tem que estar inserido na sociedade da tecnologia digital (ter e-mail e URL, blog, site, orkut, facebook, Twitter etc); tem que saber lidar com alunos portadores de necessidades especiais, por conta da política inclusiva; tem que saber identificar o paradigma cartesiano-newtoniano; tem que diferenciar as diversas trendências vigentes ou em desuso (tradicional, libertadora, humanista, escolanovista, tecnicista, critico-social dos conteúdos, construtivista, interacionista, inter-multi-trans-seiláoquê disciplinar); tem que ser pesquisador; cuidar de sua autoformação ou formação continuada e em serviço. É mole?!

Tem que saber do paradigma emergente - e aqui cabe uma ou duas questões: já que ele está emergindo, o que se vê é apenas uma parte, como sua cabeça, ou já se vislumbra quase todo o corpo? Se o novo paradigma mostra apenas uma parte de si, o que trará o restante oculto?-

Antigamente - e eu não quero parecer um conservador, mas um saudosista -, a preocupação do professor era apenas ensinar o que sabia, promover o aprendizado de seus estudantes naquilo para o qual se preparou por 4 ou 5 anos; ou seja, a construção de conhecimentos na sua disciplina. Para isso que foi formado, não é?

Que a sociedade atual exige novos cidadãos e novos valores é fato consumado. E para acompanhar a acelerada evolução das ciências, em todas as áreas do saber, a escola - e o professor em particular - deve estar em constante processo de pesquisa e autoformação. Mas e os pais e responsáveis pelos alunos? E a família? Não devem eles, também e necessariamente, desenvolver seu processo de autoformação, de crescimento e evolução, como célula mater da sociedade? Não estamos invertendo o papel: a escola passou a ser a célula mater da sociedade?

Para finalizar, deixo uma frase que capturei no Abecedário de Antigamente (Silas Correa Leite - http://www.paralerepensar.com.br): Antigamente o "Professor não precisava ensinar caráter e educação, os alunos traziam de casa, do berço, do lar, da família, de próprio acervo grupal".

Dia do Professor - Blogagem Coletiva- Convite

Uma iniciativa do Blog Ponderantes, do  Valdeir Almeida, para homenagear os professores do Brasil, essa categoria tão importante para a humanidade e ao mesmo tempo tão desprestigiada,  é uma blogagem coletiva para o dia 15 de outubro.

Nosso blog está participando, mas essa postagem é apenas para contribuir com a divulgação enquanto convida os amigos para participarem também. Acesse o Blog Ponderantes  para saber mais e se inscrever.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

MAIS DINHEIRO PARA A EDUCAÇÃO

A partir de 2010 o Brasil terá mais 9 bilhões para a educação

A caminho do trabalho sempre ouço o Jornal da Manhã, na Rádio Cultura FM, e quando chego aqui no NIED, antes do início dos trabalhos (cursos e oficinas de formação de professores, que ministramos aqui), sempre dou uma olhada nas notícias, via Internet. A página de abetura da WEB é o portal do MEC, e nele confiro a notícia ouvida pelo rádio:
"Com o fim da DRU para a educação, o MEC passará a contar com cerca de R$ 9 bilhões a mais por ano em seu orçamento.(...) Pela proposta aprovada, em 2009 e 2010 a alíquota que era de 20% cai para 12,5% e 5%, respectivamente. Em 2011, não haverá mais a incidência da DRU na educação."

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) foi aprovada pela Câmara dos Deputados e voltará ao Senado para nova votação. Será que, finalmente, o governo vai acabar com sua velha prática de desviar recursos da educação para outros projetos e áreas?

Mais dinheiro na educação pode significar melhorias na escola pública (computadores, novos equipamentos etc). E essas melhorias permitirão que o ensino público tenha um papel mais representativo na base do desenvolvimento social da nação? Isso se refletirá em melhorias salariais na carreira? Quem viver verá....

E acabei de saber que a prova do ENEM, que aconteceria neste domingo, foi cancelada: vazou a prova!

É o diabo! Enquanto imperar no Brasil esse vício moral que é a Lei de Gerson, teremos sempre um espertinho querendo levar vantagens sobre os outros, e com isso prejudicando toda coletividade. Altruísmo, é disso que precisamos, principalmente entre nossos políticos.
No TOP BLOG 2011 ficamos entre os 100 melhores da categoria. Pode ser pouco para uns, mas para mim é motivo de orgulho e satisfação.
Sou muito grato a todos que passaram por essa rua que é meu blog e deram seu voto. Cord ad Cord Loquir Tum