segunda-feira, 28 de julho de 2008

Não peço mais luz, mas olhos para ver a que já existe.

Dizem que uma imagem vale mais que mil palavras. Será mesmo? Eu creio que sim. Mas acredito, também, que a cada dia vamos ficando mais e mais surdos a esse discurso visual. As imagens de pessoas mortas em sangrentos crimes ou de corpos dilacerados em acidentes, ou catástrofes, já não causam o mesmo impacto que causavam há algumas décadas. Estamos nos tornando criaturas mais centradas em nossos interesses pessoais, mais egoístas, mais insensíveis ao sofrimento alheio.

Por isso acho, sinceramente, que o nervo ótico está mais ligado ao coração e que ao cérebro. Não dizem que o que o olho não vê o coração não sente? Olhar e não refletir sobre o que vê é não ver. A reflexão é um estágio preparatório para a meditação, e a meditação é o ato ou processo mais profundo e frutificante da mente do homem, capaz de projetar seu espírito para níveis próximos da divindade.

Ah, e os outros sentidos? Estes sim estão ligados ao cérebro. Por exemplo: a informação que é dita e ouvida exige atenção e raciocínio para seu entendimento e compreensão, e isso é competência do cérebro. A razão está no cérebro e a emoção no plexo cárdico.

Sabemos que pelos olhos nos chegam muito mais dados que pelos ouvidos, mas estamos perdendo a capacidade de ver, porque não refletimos sobre as mensagens das imagens que nos rodeiam ou que a mídia nos apresenta. Elas podem, momentaneamente, incomodar um pouco, mas logo estão esquecidas. Vemos sem nos comover.

Comover significa mover muito, agitar; mas esse verbo também pode significar incitar, impelir, enternecer(ou compadecer-se do sofrimento alheio). As imagens, e seu discurso de mais de mil palavras, já não suscitam a compaixão nem incitam a humanidade a mover-se em direção às mudanças e melhorias. Se é certo que uma imagem vale milhares de palavras, temos visto imagens que se transformadas em verbo seriam maiores que os famosos discursos de Fidel Castro. Contudo, todo esse discurso visual não tem servido para melhorar a vida na Terra.

Então me pergunto: existirá uma imagem suficientemente poderosa, clara, forte e capaz de representar o quanto a ambição e a politicalha humana estão tornando esse mundo insuportável? Qual imagem é suficientemente explícita para mostrar que o barco da humanidade navega rumo ao abismo e que é necessário mudar de curso, ou de capitão?

domingo, 27 de julho de 2008

VOTAR NULO É DIREITO DEMOCRATICO

É isso ai mesmo que você acabou de ler: o voto nulo é um exercício de cidadania! Essa coisa tão batida de dizer que o voto é a arma do povo para fazer valer seus direitos, que é a ferramenta de mudança etc e tal, pode ser uma verdade insofismável dependendo de como ele é empregado. O voto consciente, que fique bem claro!

Se votar e’ mais uma das muitas obrigações que o cidadão brasileiro tem de cumprir, que vote nulo. Votar nulo é uma forma válida de se manifestar contrário a uma determinada situação que exige seu parecer.

Ao contrário do que parece, essa não é uma atitude de pessoa despolitizada e nem é indicativa de o cidadão ser um analfabeto político (lembra-se do texto do Bertold Bretch?). Também não representa sua indiferença ou de neutralidade perante uma situação política insatisfatória. Isso seria votar em branco.

Ao votar em branco você quer dizer que, para você, tanto faz o candidato A ou B. E dizem que, no computo final, o voto em branco vai para o candidato com maior votação, mas isso parece que não é verdade, pois o art. 2º da Lei Eleitoral n. 9.507, de 30 de setembro de 1997, explicita que: “Será considerado eleito o candidato a Presidente ou a Governador que obtiver a maioria absoluta (metade mais um voto) dos votos válidos”.

Naturalmente que o Sistema faz de tudo para alterar suas tendências, manipulando sua preferência na hora de votar; praticamente obrigando-o a escolher um dos candidatos apresentados. Mas não se iluda, é seu direito votar nulo. Se você não está satisfeito com os candidatos apresentados, nem com os rumos políticos do país da corrupção, então essa é sua forma de protestar contra o que lhe impingem na hora da eleição. É sua maneira de dizer que nenhum dos candidatos merece sua confiança e que não reste dúvidas sobre sua opinião nesse pleito em questão.

Assim, anule seu voto como forma de indignação, de insatisfação contra o status quo da política nacional, contra políticos corruptos, desonestos e indignos de deliberarem sobre o futuro desta nobre nação. E para anular seu voto basta digitar um número inexistente e confirmar.

O Código Eleitoral, no seu artigo 224, diz:
"Se a nulidade atingir a mais da metade dos votos do País nas eleições presidenciais, do Estado nas eleições federais e estaduais, ou do Município nas eleições municipais, julgar-se-ão prejudicadas as demais votações, e o Tribunal marcará dia para nova eleição dentro do prazo de 20 a 40 dias."

Por outro lado, é importante que se diga, a legislação eleitoral não ia deixar essa brecha tão escancarada assim, e espertamente já manipulou o texto com uma interpretação do ministro Marco Aurelio Melo, que diz que essa nulidade se refere a “atos ilícitos de determinado candidato”, o que o torna inelegível. Assim, a lei parece clara ao afirmar que votos nulos não anulam uma eleição. E’ brincadeira!!!!!

Mas surgem algumas questões deveras incomodas, como por exemplo: se votar e’ uma obrigação do cidadão brasileiro, e supondo que a maioria dos eleitores votasse em branco e nulo, como poderia essa eleição ser válida? Como pode a expressão da vontade da maioria ser descaradamente ignorada? Não seria então o caso de tornar o voto uma opção e não uma obrigação, a exemplo do que ocorre noutros países? Essas artimanhas e fissuras na legislação não são maneiras de mascarar a democracia?

Pelo sim pelo não, se você é um dos que sente vergonha dos políticos e da política nacional, não custa tentar, né? pois e’ assim que se faz democracia: dando liberdade de escolha ao cidadão para que eleja o candidato que traga benefícios para o povo, e não aquele que beneficia exclusivamente seus apaninguados.

Pense no que significa uma eleição cuja maioria votasse nulo e o que isso pode representar para um sistema acostumado a manobrar opiniões!

Para ler mais sobre isso:
Midia Independente
Voto Consciente
Voto nulo nao anula eleição

segunda-feira, 21 de julho de 2008

O Brasil mais triste e o Céu mais alegre

Estamos, eu e Leca, desde sexta-feira (18/07) em Conceição do Araguaia, município a cerca de 1100 Km de Belém. Vim para conhecer o belo rio Araguaia e o palco da famosa Guerrilha do Araguaia, e quem sabe pescar um belo tucunaré.
E foi depois de assistir aos espetáculos do pôr-do-Sol e do nascer da Lua sobre o Araguaia que soube que Dercy Gonçalves havia morrido... Aos 101 anos morrem personagem e criadora.
Para a semiótica, Sol e a Lua possibilitam inúmeras interpretações. Mutatis mutandis, para a numerologia temos o Sol (1) e a Lua (2) como símbolos numéricos para os extremos. Enquanto 1 é luz, 2 é escuridão. Assim, no 101 temos Sol e Lua representados (1+0+1=2), e entre eles o Zero, o nada que é tudo. Eu poderia escrever um blog inteiro só para a interpretação numerológica do 101, mas não é o foco desta postagem.
Então, me lembrei de algumas fotos que batemos (que ilustram este post) para construir a metáfora vida e morte, e homenagear, mais uma vez aqui (veja minha homenagem anterior aqui), essa mulher especial que viveu mais de um século e venceu a tuberculose, mal dos românticos do século XIX, venceu o câncer, mal do século XX , venceu o preconceito, eterno mal da humanidade. Posso dizer que fechou-se um ciclo para Dercy com esse Sol poente e essa Lua cheia sobre as águas do Araguaia.
Nos tempos atuais o brasileiro tem poucos motivos e razões para ser alegre, porém, para se entristecer o Brasil tem motivos e razões às pencas. Com a morte da Dercy, o Brasil ficou mais triste e o Céu mais alegre.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

O DIA EM QUE NINGUÉM TINHA PECADOS (Conto)

Caro leitor, como é sabido, todo aquele que escreve, escreve para ser lido algum dia, e como de vez em quando me atrevo aos versos e prosas, eis-me aqui com meu mais recente 'cronto' (conto meio crônica).
Ah! Pretendo publicá-los um dia, mesmo que você não goste. Mas se gostar, honre-me com seu comentário, pois no dia em forem publicados, talvez seu ilustre comentário enriqueça minha obra. Assim, desde já agradeço. Franz

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Quando padre Aristides Botelho Di Carli morreu, picado por uma jararaca pico de jaca, Santana de Anajari ficou sem seu mais querido pároco. E como não tinha vigário, as ovelhas ficaram sem pastor, aguardando até que o bispo diocesano mandasse o substituto, fato que aconteceu cerca de um mês depois do enterro do Padre Carli. Ah, era assim que todos o chamavam!

Pouco entrado nos cinqüenta, Di Carli ele era um homem culto, apreciador de ciências e uma figura das mais agradáveis e presentes no cotidiano da cidade. Seu nome era sinônimo de zelo pela educação e de amor pelos paroquianos. Tamanha era sua dedicação, que corporificava o pastor da parábola do Bom Pastor (João; X. 2-18), aquele a quem as ovelhas seguem porque conhecem sua voz. Pode-se imaginar, então, o pesar daquela gente com seu falecimento. Por isso era grande, grande não, amazônica, a expectativa dos fiéis com a chegada do sacerdote substituto, que segundo diziam, com indisfarçável orgulho e satisfação, era monsenhor. Ainda assim, uns duvidavam que o novo padre tivesse o mesmo carisma do anterior, outros tinham certeza, mas todos ardiam de curiosidade. Eis porque, naquele domingo, muita gente veio assistir a primeira missa do novo presbítero, e a pequena matriz de Nossa Senhora de Sant’Anna botou gente pelo bom ladrão. Nem na época do padre defuntado houve tanta gente numa missa. Até eu, que não sou dado a missas, sermões e homilias, naquela manhã dominical, decidi ir conhecer o tal monsenhor.

Estava procurando lugar, quando uma senhora miúda acenou, me convidando. Depois, gentilmente, fez sinal para seus vizinhos de banco se espremerem um pouco e surgiu, então, um espaço para eu me acomodar. Agradeci com um largo sorriso, e quando ia sentar-me, todos se levantaram. Naquele instante, saindo de uma porta lateral perto do altar, surgiu a figura do novo padre, seguido por um diácono e dois ajudantes. Hum, – pensei com meus botões – a diocese estava se prevenindo e fez o serviço completo. Agora, a paróquia tem dois padres...

Quem esperava um sacerdote nos moldes do anterior, se decepcionou. Esse era um velhinho com aparência frágil, usava uns óculos grandes, de lentes grossas e redondas, que parecia uma pequena bicicleta pendurada sobre o nariz. Caminhava sem presa, em direção ao altar. Achei que era para que todos pudessem olhá-lo bem. Trazia as mãos, sobre o ventre, ocultas pelo bonito manípulo bordado. A alva, espécie de camisolão sobre o qual se coloca a casula, ocultava completamente seus pés, mesmo quando caminhava. Cheguei a esperar que ele pisasse na barra da túnica. A estola me pareceu comprida demais, pois suas franjas apareciam por debaixo da bem elaborada casula gótica (provavelmente de damasco). Mas, no computo geral, sua figura era solene e seus paramentos conferiam-lhe a dignidade sacerdotal. - Ego sum panis vivus qui de caelo descendi.

Com essa frase, em puro latim, começou ele a cerimônia litúrgica, e foi vigoroso e fervoroso até o fim. O silêncio imperava na nave da igreja, quando ouvi ao meu lado: - Esse é dos bons, dos bons! O senhor não acha?

Como eu não estava a fim de papo, mal sacudi a cabeça. Mas, considerei que o velho padre aplicava a máxima: A primeira impressão é a que fica! Talvez desejasse impressionar a todos e apagar a memória do antecessor. Bem, ao menos para a anciã, ao meu lado, parece que ele havia conseguido.

Após as leituras proclamadas, o sacerdote começou assim sua homilia: - A Comunhão é o momento em que recebemos Jesus sacramentado na Eucaristia. A Eucaristia é o banquete sagrado, no qual recebemos o Cristo como alimento de nossas almas. Ao comungarmos, entra, em nós mesmos, Jesus Cristo vivo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, com seu corpo, sangue, alma e divindade. Por conseguinte, quem se encontra em pecado não pode receber a Comunhão, sem recorrer, antes, ao sacramento da Penitência. Quem comunga em pecado mortal, comete um grave pecado, chamado sacrilégio...

Silêncio mortal. O padre ia crescendo em corpo e espírito e voz.
- Para comungar não basta o ato de contrição, pois a comunhão significa união, ligação de várias pessoas que formam um só e mesmo corpo. Por isso, o pecado de um afeta a todo o corpo. Então, aquele que tem certos pecados, não venha diante de Deus receber a comunhão...

A voz do velho pastor era firme, autoritária, imperiosa: - Quem freqüenta outros templos ou lugares, como centros espíritas e terreiros de macumba, nem entre na fila. O mesmo digo, também, para quem não obedece pai e mãe... E para aquele ou aquela, que achando algo e, sabendo quem era o dono, não o devolveu, pois isso é o mesmo que roubar.

Por traz do altar a figura do padre crescera. Ele parecia agora mais alto, o que provocou vívida impressão na platéia. Considerei a possibilidade dele ter andado como Grouxo Marx e agora ter-se aprumado, para causar a ilusão de haver se elevado do chão. Bem, talvez eu estivesse sendo muito duro com o pobre, mas o fato é que sempre considerei as missas algo um tanto teatral. E aquele velho padre era um artista!

A velhinha pia e miúda, ao meu lado, me cutucou: - Esse é dos bons, dos bons! Heheheee!! Estava visivelmente em êxtase. Olhei em torno e notei que os fiéis mais conservadores pareciam igualmente impressionados. Sem dúvida, aquele era um sacerdote ortodoxo das antigas tradições. Mas, há ovelhas que gostam mais do cajado que do pastor. Alheio a tudo que não fossem suas regras, agora apontava os céus, como a indicar que suas palavras eram inspiradas pelo Espírito Santo:
- Mulher que usa minissaia, nem se levante. Mulher que fez aborto, essa mesmo é que não deve se aproximar do altar! Também não se aproximem os que se entregam aos prazeres de fornicação. Fornicare pecatum est.

Nesse instante começou o burburinho, ainda tímido, mas anunciando a estranheza geral. O padre saiu de traz do altar e começou a caminhar diante dos fiéis, parando, hora aqui, hora ali. Senti um puxão na camisa e olhei, um pouco curioso, para a velhinha ao meu lado: - Com licença, mas... o que é fornicação? Fiquei em dúvida se respondia ou não. Preferi fazer o universal sinal de silêncio, enquanto apontava para o padre que prosseguia:

- Os crentes devem saber que a ordem moral está acima de tudo. A boa conduta deve ser incentivada, promovida, para que se crie uma roda viva, em que os cidadãos estimulem uns aos outros na prática do que é decente e digno. Por isso, não me venha aqui, receber os sacramentos, quem freqüenta motel ou quem freqüenta prostíbulos... Quem faz sexo em posições não sadias, “tá fora!” Quem pratica a felação, o cunilingus... “TÁ FORA!!”

Outro puxão na camisa: - O que é isso de “conilíngua” e felação, que ele disse? É porcaria, não é? Olhei-a num misto de espanto e mutismo, e assim permaneci por instantes: o que que eu poderia dizer??... Comecei a considerar a possibilidade de ir embora, afinal, eu não ia comungar mesmo. Enquanto isso, o sacerdote senil, sem perceber o desconforto geral (ou, talvez, por isso mesmo!) continuava a peroração intimidatória. E foi sua próxima palavra que me tirou da enrascada. Ao ouví-la, minha vizinha se voltou para o pároco.

- Homossexuais, pederastas ou quem tem qualquer perversão sexual, luxúria e concupiscência também não são dignos de receber os sacramentos. A autoridade fiel aos padrões de Deus encontrará maneiras de prestigiar quem faz o bem e punir quem transgride as virtudes de Sua lei.

Definitivamente, a coisa estava começando a ficar interessante. Esperei que a velhinha me perguntasse o que era concupiscência, mas, nem ela, nem ninguém falava coisa alguma. Eram estátuas de sal, porque olharam para adiante (intimamente ri da minha piada). Na verdade, estavam era processando toda aquela verborragia, enquanto eu só queria ver quem iria receber a hóstia consagrada, depois de todos aqueles impedimentos. E o velho ministro de Deus prosseguia suas exortações:

- Casal que vive junto sem ser casado, mulher deixada do marido e marido que deixa a mulher em casa para se encontrar com a amante, esses nem pensem em vir recebe a comunhão. Ah! E quem se masturba, seja homem ou mulher, viu?

Tremi quando senti novo puxão na camisa. Eu sabia, eu sabia! Virei a cabeça lentamente para a velhinha ao lado, pois já sabia o que ela iria dizer: – O senhor sabe o que ele quer dizer com esse tar de masturba? Não, não sei. – respondi apressado. Não queria alimentar conversa, mas a velha insistiu, desconfiada: - Não sabe mesmo? Para desviar o assunto, perguntei inocentemente: - A senhora não vai comungar? Ela me puxou, obrigando a me inclinar, então disse a meia voz: - Acho que sei o que é masturba... Acho que sei. Uhhh! Não é essa tar de punheta?

Quando sai da igreja, todos, sem exceção, estavam na fila para comungar.

PROFESSOR, POR FALTA DE OPÇÃO.

Pessoal, estive ausente deste blog por toda semana que passou. Foi uma semana movimentada e merecia um post especial. Pra começar, foi o início do veraneio e das férias escolares. E entrei, também, em férias! Nesse período o que mais se vê é gente partindo em viagem, parente chegando, e a cidade do jeito que gostaríamos que sempre estivesse: calma, serena, tranqüila.

Li no Jornal AMAZôNIA do dia 29 de junho, a reportagem intitulada "Professor somente por falta de opção", que até parece fundamentada no meu post anterior "Professor: o homem que faz estradas". Veja um trecho:
Salários baixos, carga de trabalho excessiva, rotina estressante. Ser professor do ensino básico não é tarefa das mais fáceis. Uma pesquisa da Unesco divulgada no último mês revelou que de cada dez professores, oito estão insatisfeitos com o salário que recebem. A desvalorização dos profissionais de educação se reflete na falta de interesse dos estudantes em escolher, como profissão, a carreira de professor.

Ninguém duvida que o trabalho enobrece o homem (ainda mais o trabalho de professor), mas que o salário humilha, ah! isso humilha. Evidentemente que se temos profissionais insatisfeitos, descontentes, desmotivados, o produto só pode ser de baixa qualidade. E ai temos uma das piores taxas de desempenho escolar do mundo.

Mas não são os baixos salários os únicos responsáveis pelas péssimas condições do profissinal de educação neste nosso Patropi. A formação do profissinal que pretende ser professor também é das piores do mundo.
Boa parte dos aspirantes a professor de educação básica vêm de escolas públicas, de famílias de baixa renda e têm mães com pouca escolarização - condições que apontam maiores chances de dificuldades acadêmicas durante os cursos. Esse dado foi constatado na pesquisa realizada pelo Instituto Futuro Brasil e Fundação Lemann, e já havia sido apresentado há alguns anos pela própria Universidade Federal do Pará (UFPA). >

E mais:

Nos corredores do Centro de Educação da UFPA, as histórias dos alunos que fazem pedagogia porque não conseguiram ser aprovados em outros cursos são muito comuns. Mesmo sendo bastante procurado, o curso continua exigindo uma pontuação relativamente baixa para os ingressantes e atrai dissidentes de outros cursos, que optam pela pedagogia pela facilidade de acesso.

Conversando com um amigo sobre essa constatação, ele propôs como uma das medida urgentes para melhorar o padrão dos novos professores, a elevação da pontuação para seu ingresso na universidade. Será que daria certo? Não seria reduzir ainda mais o índice de cidadãso com nível superior neste país? Isso sem falar na redução de chances para os menos favorecidos ingressarem na universidade. É um dilema hamletiano!!!
Ilustração do autor
No TOP BLOG 2011 ficamos entre os 100 melhores da categoria. Pode ser pouco para uns, mas para mim é motivo de orgulho e satisfação.
Sou muito grato a todos que passaram por essa rua que é meu blog e deram seu voto. Cord ad Cord Loquir Tum